Maracanazzo? Ainda não! Brasil vence o desfigurado Uruguai em 1946

Sem a disputa de uma Copa do Mundo em função das Guerras, a década de 1940 pode ser considerada a mais vazia do futebol mundial, o que deixa uma lacuna sobre qual a melhor seleção do mundo neste período? Há quem diga que seja a Argentina, e pode ser que estejam certos. Mas certo mesmo, é que o Brasil tinha uma seleção, no mínimo, respeitável.

Já superados os rachas entre cariocas e paulistas e com o surgimento de uma nova geração extremamente talentosa, o Brasil entrou em campo no dia 23 de janeiro de 1946, para enfrentar o Uruguai, com nove, dos 14 jogadores de time do Rio de Janeiro, outros quatro de São Paulo e um do Rio Grande do Sul.

Tesourinha, atacante do Internacional fez parte de um dos maiores times da história do futebol gaúcho e brasileiro. Formado por jogadores descobertos na chamada ‘liga da canela preta’, o rolo compressor colorado quebrou o preconceito com os negros e de quebra, abriu espaço para os jogadores do sul na seleção brasileira.

Além do craque do Internacional, formavam a forte linha de frente brasileira ainda os ícones Zizinho, Heleno de Freitas, Jair Rosa Pinto e Chico. Boa parte dos que estiveram na Copa do Mundo de 1950. Artilheiro da Copa no Brasil, Ademir de Menezes entrou na vaga de Jair durante o jogo.

Na defesa, o time comandado por Flávio Costa tinha ainda dois grandes nomes como Zezé Procópio, e Rui, do trio que ficou famoso com a camisa do São Paulo: Rui-Bauer-Noronha.

Ídolo de Vasco, Palmeiras e Santos, o canhoto Jair foi quem abriu o placar logo aos quatro minutos de jogo e ainda ampliou o placar aos 16 minutos no estádio El Viéjo Gasômetro, em Buenos Aires. O uruguaio Medina diminuiu o placar aos 24 minutos e Vásquez chegou a empatar a partida, aos 37.

Outro lendário jogador brasileiro se encarregaria de recolocar o Brasil à frente: Heleno de Freitas, histórico goleador do Botafogo marcou o terceiro gol brasileiro aos 39 minutos. A tranqüilidade se avizinhou à Seleção Brasileira quando o ponta-esquerda Chico marcou mais um, aos 44 minutos.

Já na etapa final, José Maria Medina marcou mais uma vez, aos 25 minutos, dando números finais ao empolgante 4 a 3 para o Brasil diante do eterno rival, campeão do Mundo em 1930 e que poucos anos mais tarde, seria algoz dos brasileiros no que ficou conhecido como ‘Maracanazzo’.

Em campo pela seleção celeste, porém, estavam somente o goleiro Maspoli, o líder Obdulio Varela e o atacante Juan Alberto Schiaffino. Nem mesmo o treinador era o mesmo. Aníbal Tejada perdeu lugar para Juan López à beira do gramado na final da Copa.

Com três vitórias, um empate e uma derrota, o Brasil terminara a competição na segunda colocação, com a Argentina ostentando o título com 100% de aproveitamento.

Ficha técnica

Data: 23 de janeiro de 1946
Competição: Campeonato Sul-Americano
Local: Estádio El Viéjo Gasômetro, em Buenos Aires, Argentina
Público: 40 mil pagantes
Árbitro: Cayetano de Nicola (Paraguai)
Gols: Jair 4 e 16’, Medina 24, Vázquez 37, Heleno de Freitas 39 e Chico, 44’ do 1º tempo; Medina 25’ do 2º tempo.

Brasil: Ari [Botafogo]; Newton [Flamengo] e Norival [Flamengo]; Zezé Procópio [Palmeiras], Rui [São Paulo] e Jaime [Flamengo] (Aleixo) [Corinthians]; Tesourinha [Internacional], Zizinho [Flamengo], Heleno de Freitas [Botafogo], Jair R. Pinto [Vasco] (Ademir Menezes) [Vasco] e Chico [Vasco] (Eduardo Lima) [Palmeiras].
Técnico: Flávio Costa.

Uruguai: Maspoli; Pini, Tejera; Sabatel, Obdulio Varella e Prais (Cajiga); Volpi, Medina, Raúl Schiaffino (García), Vasquez e Zapirain.
Técnico: Aníbal Tejada.

Por Raoni David
——————————-
Brazil gets a win over Uruguay at the South American Championship in 1946

Without any world Cup due to the Second World War, the debate about the best team of the 1940’s is always hot. Argentina is constantly mentioned but Brazil had a respectable team as well.

With the disputes of Rio and São Paulo solved and counting on a very talented generation, Brazil walked at the pitch on January 23rd of 1946 to face Uruguay with 9 players from Rio, four that played in São Paulo and one from Rio Grande do Sul.

Internacional forward Tesourinha is in the history books of his club and the national team. He was one of the first black players in Brazil, a Discovery by the Southern club that changed the history of the national team as well. Besides Tesourinha, the Brazilian forwards were Zizinho, Heleno de Freitas, Jair da Rosa Pinto and Chico, a very good squad. Ademir de Menezes replaced Jair during the match.

Other two greats of the Brazilian history formed the defense, Zezé Procópio and Rui. Hey also formed the backbone of São Paulo with Bauer.

Jair opened the score and doubled it before the 20th minute. Two goals by Uruguayans Medina and Vázquez tied the match at the 37th. Brazilian legend Heleno de Freitas gave Brazil the lead again at the 39th and left forward Chico made 4 to 2 just before the halftime. José Maria Medina made the game’s last goal at the 70th, giving the game a remarkable score of 4 to 3.

The Uruguayans already had some leaders of the team that would give Brazil its most painful defeat. Goalie Maspoli, Obdulio Varela and forward Juan Alberto Schiaffino. However the coach Aníbal Tejada lost his place to Juan López by 1950.

With three wins and a defeat, Brazil would finish the South-American at the second place. Argentina was undefeated and got the title.

Date: January 23rd, 1946
Competition: South-American Championship
Place: El Viéjo Gasômetro Stadium, Buenos Aires, Argentina
Attendance: 40.000
Referee: Cayetano de Nicola (Paraguay)
Goals: Jair 4’ and 16’, Medina 24’, Vázquez 37’, Heleno de Freitas 39’, Chico, 44’ and Medina 70’.

Brazil: Ari [Botafogo]; Newton [Flamengo] and Norival [Flamengo]; Zezé Procópio [Palmeiras], Rui [São Paulo] and Jaime [Flamengo] (Aleixo) [Corinthians]; Tesourinha [Internacional], Zizinho [Flamengo], Heleno de Freitas [Botafogo], Jair R. Pinto [Vasco] (Ademir Menezes) [Vasco] and Chico [Vasco] (Eduardo Lima) [Palmeiras].
Coach: Flávio Costa.

Uruguay: Maspoli; Pini, Tejera; Sabatel, Obdulio Varella and Prais (Cajiga); Volpi, Medina, Raúl Schiaffino (García), Vasquez and Zapirain.
Coach: Aníbal Tejada.

Tradução de Fabricio Presilli

Um comentário sobre “Maracanazzo? Ainda não! Brasil vence o desfigurado Uruguai em 1946

  1. Fala pessoal, muito interessante o retrato da história da seleção, aliás eu sou até suspeito pra falar, sou apaixonado pela história do futebol seja lá de onde for.

    Se for útil ao blog de vocês, deêm uma olhada neste post

    http://bollanet.blogspot.com/2011/02/serie-carrego-5-estrelas-no-peito.html

    Na verdade é uma série em construção, sobre os 5 títulos da seleção brasileira, espero que lhes seja útil.

    Abraço

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s