Brasil quebra protocolo, evita cerimônia de premiação, mas goleia

Geralmente, o brasileiro tem fama de desdenhar um vice-campeonato ou de uma medalha de bronze, ou se um quarto lugar, enfim, por vezes escuta-se o brasileiro dizer que o que vale realmente é o título, o primeiro lugar no pódio e etc. Não foi a impressão que deu a seleção olímpica do Brasil na disputa pelo bronze nas Olimpíadas de Atlanta em 1996.

Isso porque no dia 2 de agosto daquele ano, o Brasil, ainda frustrado com a derrota para a Nigéria na semifinal, impôs goleada impiedosa por 5 a 0 ao time de Portugal e ficou com o terceiro lugar na competição. Apesar disso, a delegação brasileira se antecipou à premiação, recebeu as medalhas antes dos finalistas, logo após o jogo, ainda sujos, sem banho, e foi embora, esvaziando a cerimônia oficial num gesto no mínimo inglório.

Um dos veteranos da equipe brasileira na ocasião, o atacante Bebeto foi quem melhor aproveitou a goleada contra os portugueses. Ele chegou ao jogo com três gols marcados, contra quatro de Ronaldinho. Viu o garoto abrir o placar e ampliar a vantagem na artilharia. Mas, no segundo tempo marcou três vezes e tornando-se o artilheiro da competição ao lado do argentino Hernan Crespo, com seis gols.

No time de Portugal, quem teve vida mais longa no selecionado nacional foram jogadores que estavam no banco, como Beto, Andrade, Rui Jorge e Nuno Gomes. Dos que estavam em campo, destaque para Capucho, Dominguez e Dani. O mais nítido na equipe portuguesa era o desânimo. A explicação pode ser pelos dois bons jogos que fez contra a Argentina, algoz dos portugueses na competição. Na primeira fase, empate por 1 a 1 e nas semifinais, vitória sul-americana por 2 a 0, construída no segundo tempo.

Seja lá qual for o motivo, o Brasil desde o início do jogo mostrou-se inspirado. Aos 5 minutos Amaral tocou a direita para Zé Maria que passou para Juninho Paulista que lançou e deixou Ronaldinho na cara do gol para abrir o placar. Pouco mais de cinco minutos depois, aos 11, de novo Amaral começou a jogada pelo mesmo setor direito, se livrando com muita categoria de Paulo Alves. O volante tocou para Bebeto que fez linda tabela com Zé Maria desde a intermediária até a área rival. O lateral recebeu lindo passe de Bebeto e já invadindo a área foi ao fundo cruzou para Flávio Conceição, sem goleiro e dentro da pequena área, fechar o placar no primeiro tempo.

Mudou o lado do campo, mas o caminho ainda era pela direita. Flávio Conceição avançou como quis na intermediária e passou para Bebeto que brigou com a zaga na meia-lua, ganhou e marcou o terceiro aos 2 minutos da segunda etapa. Poucos minutos depois, aos 9, Ronaldinho sofreu pênalti que Bebeto converteu sem chances para o goleiro Costinha. Capitão da equipe e dono de uma camisa extravagante, Costinha falharia feio no quinto gol, aos 30 minutos.

Desta vez o Brasil avançava pela esquerda, mas houve um erro no lançamento e a bola ficou aparentemente tranquila para um zagueirão português que arriscou um recuo: no domínio Costinha deixou a bola escapar, Bebeto foi esperto e se aproveitou para marcar o quinto gol brasileiro, o sexto dele na competição.

Ficha técnica

Brasil 5×0 Portugal

Data: 02/08/1996
Competição: Jogos Olímpicos de Atlanta
Local: Estádio Sanford Stadium
Cidade: Athens (Estados Unidos)
Público: 68.173 pagantes
Árbitro: El-Ghandour Gamal Mahmoud (Egito)
Auxiliares: Dramane Dante (MAL) e Mohamad Al Musawi (OMA)
Cartões amarelos: Ronaldo Guiaro, Juninho Paulista e Zé Elias (BRA); Paulo Alves (POR)
Gols: Ronaldo 5’ e Flávio Conceição 11’ do 1ºT; Bebeto 2’, Bebeto (p) 9’ e Bebeto 30’ do 2ºT.
Brasil: Dida [Cruzeiro]; Zé Maria [Flamengo], Ronaldo Guiaro [Atlético-MG], Aldair [Roma] (Narciso) [Santos] e Roberto Carlos [Internazionale-ITA]; Zé Elias [Corinthians], Amaral [Palmeiras] (Marcelinho Paulista) [Corinthians], Flávio Conceição [Palmeiras] e Juninho Paulista [Middlesbrough-ING]; Bebeto [La Coruña-ESP] e Ronaldo [PSV Eindhoven-HOL] (Luizão) [Palmeiras];
Técnico: Zagallo.

Portugal: Costinha; Calado, Rui Bento, Nuno Afonso e Kenedy; Peixe (Rui Oliveira), Capucho (Afonso Martins), Vidigal e Dani; Dominguez e Paulo Alves (Nuno Gomes).
Técnico: Nelo Vingada.

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