Brasil quebra protocolo, evita cerimônia de premiação, mas goleia

Geralmente, o brasileiro tem fama de desdenhar um vice-campeonato ou de uma medalha de bronze, ou se um quarto lugar, enfim, por vezes escuta-se o brasileiro dizer que o que vale realmente é o título, o primeiro lugar no pódio e etc. Não foi a impressão que deu a seleção olímpica do Brasil na disputa pelo bronze nas Olimpíadas de Atlanta em 1996.

Isso porque no dia 2 de agosto daquele ano, o Brasil, ainda frustrado com a derrota para a Nigéria na semifinal, impôs goleada impiedosa por 5 a 0 ao time de Portugal e ficou com o terceiro lugar na competição. Apesar disso, a delegação brasileira se antecipou à premiação, recebeu as medalhas antes dos finalistas, logo após o jogo, ainda sujos, sem banho, e foi embora, esvaziando a cerimônia oficial num gesto no mínimo inglório.

Um dos veteranos da equipe brasileira na ocasião, o atacante Bebeto foi quem melhor aproveitou a goleada contra os portugueses. Ele chegou ao jogo com três gols marcados, contra quatro de Ronaldinho. Viu o garoto abrir o placar e ampliar a vantagem na artilharia. Mas, no segundo tempo marcou três vezes e tornando-se o artilheiro da competição ao lado do argentino Hernan Crespo, com seis gols.

No time de Portugal, quem teve vida mais longa no selecionado nacional foram jogadores que estavam no banco, como Beto, Andrade, Rui Jorge e Nuno Gomes. Dos que estavam em campo, destaque para Capucho, Dominguez e Dani. O mais nítido na equipe portuguesa era o desânimo. A explicação pode ser pelos dois bons jogos que fez contra a Argentina, algoz dos portugueses na competição. Na primeira fase, empate por 1 a 1 e nas semifinais, vitória sul-americana por 2 a 0, construída no segundo tempo.

Seja lá qual for o motivo, o Brasil desde o início do jogo mostrou-se inspirado. Aos 5 minutos Amaral tocou a direita para Zé Maria que passou para Juninho Paulista que lançou e deixou Ronaldinho na cara do gol para abrir o placar. Pouco mais de cinco minutos depois, aos 11, de novo Amaral começou a jogada pelo mesmo setor direito, se livrando com muita categoria de Paulo Alves. O volante tocou para Bebeto que fez linda tabela com Zé Maria desde a intermediária até a área rival. O lateral recebeu lindo passe de Bebeto e já invadindo a área foi ao fundo cruzou para Flávio Conceição, sem goleiro e dentro da pequena área, fechar o placar no primeiro tempo.

Mudou o lado do campo, mas o caminho ainda era pela direita. Flávio Conceição avançou como quis na intermediária e passou para Bebeto que brigou com a zaga na meia-lua, ganhou e marcou o terceiro aos 2 minutos da segunda etapa. Poucos minutos depois, aos 9, Ronaldinho sofreu pênalti que Bebeto converteu sem chances para o goleiro Costinha. Capitão da equipe e dono de uma camisa extravagante, Costinha falharia feio no quinto gol, aos 30 minutos.

Desta vez o Brasil avançava pela esquerda, mas houve um erro no lançamento e a bola ficou aparentemente tranquila para um zagueirão português que arriscou um recuo: no domínio Costinha deixou a bola escapar, Bebeto foi esperto e se aproveitou para marcar o quinto gol brasileiro, o sexto dele na competição.

Ficha técnica

Brasil 5×0 Portugal

Data: 02/08/1996
Competição: Jogos Olímpicos de Atlanta
Local: Estádio Sanford Stadium
Cidade: Athens (Estados Unidos)
Público: 68.173 pagantes
Árbitro: El-Ghandour Gamal Mahmoud (Egito)
Auxiliares: Dramane Dante (MAL) e Mohamad Al Musawi (OMA)
Cartões amarelos: Ronaldo Guiaro, Juninho Paulista e Zé Elias (BRA); Paulo Alves (POR)
Gols: Ronaldo 5’ e Flávio Conceição 11’ do 1ºT; Bebeto 2’, Bebeto (p) 9’ e Bebeto 30’ do 2ºT.
Brasil: Dida [Cruzeiro]; Zé Maria [Flamengo], Ronaldo Guiaro [Atlético-MG], Aldair [Roma] (Narciso) [Santos] e Roberto Carlos [Internazionale-ITA]; Zé Elias [Corinthians], Amaral [Palmeiras] (Marcelinho Paulista) [Corinthians], Flávio Conceição [Palmeiras] e Juninho Paulista [Middlesbrough-ING]; Bebeto [La Coruña-ESP] e Ronaldo [PSV Eindhoven-HOL] (Luizão) [Palmeiras];
Técnico: Zagallo.

Portugal: Costinha; Calado, Rui Bento, Nuno Afonso e Kenedy; Peixe (Rui Oliveira), Capucho (Afonso Martins), Vidigal e Dani; Dominguez e Paulo Alves (Nuno Gomes).
Técnico: Nelo Vingada.

Gilmar Popoca decide e Brasil fica perto da segunda fase em Los Angeles

A chave do Brasil no torneio Olímpico de Los Angeles em 1984 não era das mais fáceis. Apesar dos fracos Marrocos e Arábia Saudita, havia a Alemanha Ocidental e toda a sua história no futebol. O encontro entre duas das principais escolas do esporte se deu em 1º de agosto de 1984 e o Brasil de Jair Picerni levou a melhor.

Ambas as equipes haviam vencido na estreia. A seleção europeia derrotou o Marrocos por 2 a 0 enquanto o Brasil venceu a Arábia Saudita por 3 a 1. Assim, o que já era imaginado antes da competição se consolidou e os favoritos disputariam apenas o melhor lugar dentro do Grupo C do torneio.

Como o Brasil, a Alemanha não tinha um time recheado de jogadores que fariam muito sucesso na seleção. Destaques para Buchwald e Brehme, que foram expoentes da equipe nas décadas de 1980 e 1990, além de Mill e Rahn que chegaram a disputar uma Copa do Mundo pela equipe. Todos eles enfrentaram a equipe brasileira neste dia. Do lado do Brasil, teria sucesso e disputaria Copas, o goleiro Gilmar, o zagueiro Mauro Galvão e o volante Dunga.

Desta maneira, o equilíbrio contumaz de um confronto entre Brasil e Alemanha prevaleceu no 1 a 0 na cidade de Palo Alto. E o destaque da partida foi o talentoso e explosivo Gilmar Popoca que vestia a 10. Primeiro, já no segundo tempo, ele cobrou falta sofrida por Ronaldo. De canhota, mandou a bola na trave esquerda do goleiro Franke. A bola não entrou porque não quis.

Mais tarde, já nos minutos finais de partida, Dunga puxou contra ataque e tocou para Gilmar na entrada da área. De costas para o gol na entrada da meia lua ele protegeu e sofreu a falta. Desta vez a cobrança foi com perfeição, no ângulo direito do goleiro que nada pôde fazer. Gol do Brasil aos 42 minutos do segundo tempo.

Herói do Brasil nesta partida, Gilmar Popoca era talentoso, mas explosivo, tendo se desentendido com a diretoria do Flamengo por diversas vezes, quase sempre quando iria reformar o contrato. Desta maneira, jamais conseguiu ser profissionalmente o jogador que prometia na base e passou por diversas equipes em sua carreira, inclusive times grandes como Santos, São Paulo e Botafogo, sem jamais se destacar.

A vitória por 1 a 0 levou o Brasil a quatro pontos – cada vitória valia 2 pontos – e praticamente garantiu a classificação do Brasil que precisava de um simples empate para ser líder e poderia até perder por dois gols de diferença do Marrocos e ainda assim estaria classificado, mas provavelmente atrás da Alemanha que enfrentaria a Arábia Saudita. Isso não ocorreu, o Brasil venceu por 2 a 0 e se classificou na liderança e com 100% de aproveitamento e a melhor campanha da primeira fase.

Ficha técnica

Brasil 1×0 Alemanha Ocidental

Data: 01/08/1984
Competição: Jogos Olímpicos de Los Angeles
Local: Stanford Stadium
Público: 75.239 pagantes
Cidade: Palo Alto (Estados Unidos)
Árbitro: Cha Kiung Boh (Coréia do Sul)
Auxiliares: Joel Quiniou (FRA) e Ioan Igna (ROM)
Cartões amarelos: André Luiz (BRA) e Bommer (ALE).
Gol: Gilmar Popoca aos 42’ do 2ºT.

Brasil: Gilmar [Internacional]; Ronaldo [Corinthians], Pinga [Internacional] (Davi) [Santos], Mauro Galvão [Internacional] e André Luiz [Internacional]; Ademir [Internacional], Dunga [Internacional], Gilmar Popoca [Flamengo] e Tonho [Internacional]; Chicão [Ponte Preta] e Silvinho [Internacional].
Técnico: Jair Picerni.

Alemanha Ocidental: Franke; Bockenfeld (Dickgiesser), Bast, Buchwald e Wehmeyer; Bommer, Groh e Brehme; Schatzschneider (Lux), Rahn e Mill.
Técnico: Erich Ribbeck.

Perto da final, Brasil assiste tragédia e é derrotado pela Nigéria no gol de ouro

É bem verdade que a seleção da Nigéria era muito forte, mas o brasileiro quando se trata de futebol nunca consegue enxergar a vitória do outro e sim e tão somente a derrota de seu time. Ainda mais quando se está vencendo por 3 a 1 até os 33 minutos do segundo tempo e tem diversas boas oportunidades para ampliar e finalizar o placar em uma semifinal olímpica. A dolorida derrota brasileira aconteceu na prorrogação…

Tudo isso data de 31 de julho de 1996 quando Brasil e Nigéria se reencontravam dentro do torneio de futebol das Olimpíadas de Atlanta, valendo vaga para a final da competição. Se na primeira fase o Brasil saiu vencedor, desta vez a história foi diferente e num jogo emocionante a seleção africana venceu por 4 a 3, no conhecido gol de ouro.

O Brasil tinha um bom time, mas a Nigéria também, contando com jogadores que fariam vitoriosa carreira no futebol europeu, como o zagueiro Taribo West, o lateral-esquerdo Babayaro, o bom meio de campo formado por Amunike, Lawal, Babangida e o craque Okocha. No ataque, o rápido Amokachi e o oportunista Kanu, grande vilão brasileiro neste dia. Outro destaque, o atacante Ikpeba, entrou no segundo tempo.

Mas a seleção brasileira vinha bem na competição e tinha um time forte, tanto que saiu na frente logo com um minuto de jogo com Flávio Conceição, um dos melhores brasileiros na Olimpíadas marcando em cobrança de falta. O empate nigeriano veio aos 20 minutos ainda da primeira etapa quando o ligeiro Babayaro invadiu a área pela esquerda e bateu cruzado uma bola que iria pra fora se não fosse a intervenção de Roberto Carlos que acabou marcando contra. Antes a Nigéria já havia perdido duas oportunidades com Okocha e Babangida.

Ronaldinho em jogada genial reacendeu o time brasileiro. Ele avançou pela direita deixando dois marcadores para trás antes de bater para a defesa do goleiro Dosu. O rebote na pequena área ficou fácil para Bebeto recolocar o Brasil à frente aos 28 minutos de jogo. E se a arrancada do camisa 18 Ronaldinho foi fundamental para o segundo gol, a genialidade do camisa 9 Juninho Paulista foi o que desequilibrou para a marcação do terceiro gol, aos 38 minutos. Bebeto avançou pelo meio e levantou a bola para Juninho que na entrada da área deu lindo passe de peito para Flávio Conceição, mesmo sendo um volante, invadir a área e tocar com classe na saída do goleiro: 3 a 1 que dava tranquilidade para o Brasil, certo?

Parecia que sim. Ainda mais porque o Brasil voltou bem para o segundo tempo. Ousada, a Nigéria dava espaços para a Seleção Brasileira que não soube se aproveitar disso. Juninho chegou a marcar, mas em impedimento, Ronaldinho driblou o goleiro mas bateu para fora. Para completar a confiança brasileira na vitória, Dida ainda defendeu um pênalti cobrado por Okocha. A vaga na disputa do ouro olímpico estava mesmo muito encaminhada.

Até que Rivaldo perdeu a bola no campo de ataque, a Nigéria desceu com velocidade e aos 33 minutos, livre de marcação, Ikpeba bateu para diminuir o placar. E quando aos 43 minutos do segundo tempo uma cobrança de lateral se deu tal qual um escanteio, Kanu se colocou à frente de Dida dentro da pequena área, dominou no meio de uma série de jogadores brasileiros e ainda levantou a bola antes de girar e marcar o gol de empate.

Mas o torcedor brasileiro sequer teve tempo de sofrer na agoniante prorrogação em gol de ouro. Isso porque logo com três minutos Kanu recebeu passe de costas (sem querer) de um companheiro, limpou a frouxa marcação e bateu forte com o pé esquerdo para sacramentar uma das maiores derrotas do futebol do Brasil em toda a sua história.

Ficha técnica

Brasil 3×4 Nigéria

Data: 31/07/1996
Competição: Jogos Olímpicos de Atlanta
Local: Estádio Sanford Stadium
Público: 78.687 pagantes
Cidade: Athens (Estados Unidos)
Árbitro: José García Aranda (Espanha)
Auxiliares: Akif Ugurdur (TUR) e Heiner Neuenstein (ALE)
Gols: Flávio Conceição 1′, Roberto Carlos (contra) 20′, Bebeto 28′ e Flávio Conceição 38′ do 1ºT; Ikpeba 33′ e Kanu 43′ do 2ºT; Kanu, 3′ da prorrogação.

Brasil: Dida [Cruzeiro]; Zé Maria [Flamengo], Ronaldo Guiaro [Atlético-MG], Aldair [Roma] e Roberto Carlos [Internazionale-ITA]; Zé Elias [Corinthians], Amaral [Palmeiras], Flávio Conceição [Palmeiras] e Juninho Paulista [Middlesbrough-ING] (Rivaldo) [Palmeiras]; Bebeto [La Coruña-ESP] e Ronaldo [PSV Eindhoven] (Sávio) [Flamengo].
Técnico: Mário Jorge Lobo Zagallo.

Nigéria: Dosu; Oparaku (Oruma), West, Uche e Babayaro; Amunike (Ikpeba), Lawal, Babangida (Fatusi) e Okocha; Amokachi e Kanu.
Técnico: Jo Bonfrere.

Geração de prata estreava com primeiro profissionais nas Olimpíadas

Há exatos 28 anos, o Brasil fazia contra a Arábia Saudita a sua estreia nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, na primeira edição do torneio em que foi permitida a participação de jogadores profissionais, desde que estes não tenham disputado uma Copa do Mundo. Além disso, durante a competição olímpica, o Campeonato Brasileiro continuou, limitando o técnico Jair Picerni na escolha de seus jogadores.

Eliminado na segunda fase do Campeonato Brasileiro após ser apenas o quarto e último colocado do Grupo M, ficando atrás inclusive do Brasil de Pelotas, o Internacional de Porto Alegre, que contava com jogadores promissores, acabou sendo a base do selecionado brasileiro que conquistou a medalha de prata. Na estreia, nada menos do que nove dos 12 jogadores que entraram em campo, eram colorados.

Destes, destaca-se o goleiro Gilmar Rinaldi, o zagueiro Mauro Galvão, os volantes Ademir e Dunga, o meia Milton Cruz e o atacante Silvinho. Nomes como os de Gilmar Popoca do Flamengo, Chicão da Ponte Preta tiveram certa projeção. Sem se destacar tanto, Ronaldo, lateral do Corinthians atualmente é técnico chamado de Ronaldo Moraes, com ligação com o próprio Corinthians tendo comandado o Flamengo de Guarulhos que tinha parceria com o clube do Parque São Jorge.

Destes principais nomes do Internacional, Gilmar era o goleiro reserva de Taffarel na Copa do Mundo de 1994, mas certamente ninguém merece mais destaque do que o então garoto Dunga. Isso porque seis anos após disputar essa Olimpíada, ele jogaria sua primeira de três Copas do Mundo, num momento que ficou conhecido pejorativamente como Era Dunga. Depois deu a volta por cima sendo o capitão do time tetracampeão e ainda mais tarde, em 2010, foi técnico da seleção que sucumbiu diante da Holanda nas quartas de finais.

Para um time formado assim, a estreia foi boa com a vitória por 3 a 1. Quem marcou primeiro foi Gilmar Popoca, logo aos 14 minutos do primeiro tempo e viu o placar se alterar somente no segundo tempo, quando aos cinco minutos o atacante Silvinho marcou o segundo gol brasileiro. Nove minutos mais tarde, aos 14 do segundo, foi a vez de Dunga marcar o seu. De pênalti, aos 24 minutos, Mohammed Najed marcou o gol de honra dos sauditas, dando números finais à partida.

Ficha técnica

Brasil 3×1 Arábia Saudita

Data: 30/07/1984
Competição: Jogos Olímpicos de Los Angeles
Local: Estádio Rose Bowl
Público: 40.799 pagantes
Cidade: Pasadena (Estados Unidos)
Árbitro: Brian McGinlay (Escócia)
Auxiliares: Abdul-Aziz Saleh N. Al Salmi (KUW) e Tesfaye Gebreyesus Difue (ERI)
Cartões amarelos: Ronaldo e André Luis (BRA); Hassen Bishy (SAU)
Gols: Gilmar Popoca 14’ do 1ºT; Silvinho 5’, Dunga 14’ e Najed 24’ do 2ºT.
Brasil: Gilmar [Internacional]; Ronaldo [Corinthians], Pinga [Internacional], Mauro Galvão [Internacional] e André Luís [Internacional]; Ademir [Internacional], Dunga [Internacional], Gilmar Popoca [Flamengo] e Tonho [Internacional] (Mílton Cruz) [Internacional]; Chicão [Ponte Preta] e Silvinho [Internacional].
Técnico: Jair Picerni.

Arábia Saudita: Al-Husain; Al-Dawasare (Bakhshwein), Al-Bishi, Bishy e Abdulshak; Al-Nasisah (Masod), Mohammed Majed e Mosaibeth; M. Al-Dosari, Abduljawad, Al-Dossary.
Técnico: Khalil Al Ziani.

Com derrota para União Soviética, Brasil deixa escapar primeira medalha

O Brasil jamais havia chegado tão longe numa Olimpíada quando disputava o bronze dos Jogos de 1976 em Montreal contra a União Soviética, que havia sido derrotada pela Alemanha nas semifinais, por 2 a 1. No entanto, não foi naquele 29 de julho que a inédita medalha olímpica chegou ao Brasil.

Com relação ao time titular que havia sido derrotado pela Polônia nas semifinais dois dias antes, Claudio Coutinho fez três alterações, sendo duas nas laterais. Na direita a mudança foi simples com a saída de Rosemiro e a entrada de Mauro, do Guarani. Já na esquerda, Chico Fraga cedeu lugar ao atacante Julio César, o ‘Uri Geller’ do Flamengo, com Júnior sendo recuado para a função que exerceria com muito sucesso no seu clube e futuramente na seleção. Além disso, Marinho entrou na vaga de Santos.

Com a mudança, o time de Coutinho ganhava um pouco mais de ousadia, já que jogaria apenas com um volante mais fixo à frente da zaga, o Batista, enquanto Alberto Leguelé, Erivelto e Jarbas dava mais movimentação ao time que tinha os rápidos Marinho e Júlio César Uri Geller no comando de ataque.

Mais ofensivo, era natural que o Brasil ficasse também mais vulnerável e assim não demorou para que o time soviético abrisse o placar. Logo aos seis minutos Vladimir Onishenko marcou para a equipe vermelha. Também no começo do segundo tempo, aos quatro minutos foi a vez de Leonid Nazarenko marcar e determinar o resultado final da partida em 2 a 0. Isso porque o goleiro brasileiro Carlos ainda pegou um pênalti.

Uma curiosidade é que o autor do gol que deu a vitória soviética diante do Brasil é russo e atualmente é treinador de futebol. Foi assistente técnico do CSKA Moscou em algumas oportunidades e treinou diversas equipes no Leste Europeu como o Terek Grozny, o Dynamo Makhachkala entre outros.

E por falar em treinador, há divergências quanto ao técnico da Seleção Brasileira nesta Olimpíada de Montreal. Isso porque por que no livro que é referência no assunto, ‘Seleção Brasileira: 1914-2006’ de Antônio Carlos Napoleão e Roberto Assaf, o ex-craque Zizinho é apontado como sendo o treinador daquele time. No entanto, o site da FIFA aponta Claudio Coutinho, treinador da equipe principal na época, como o comandante também da equipe olímpica.

Ficha técnica

Brasil 0x2 União Soviética

Data: 29/07/1976
Competição: Jogos Olímpicos de Montreal
Local: Estádio Olímpico
Público: 55.647 pagantes
Cidade: Montreal (Canadá)
Árbitro: Abraham Klein (ISR)
Auxiliares: Adolf Prokop (ALE) e Juan Silvagno Cavanna (CHI)
Cartões amarelos: Edinho (BRA); Troshkin (URS)
Cartão vermelho: Troshkin (URS)
Gols: Onishenko 6’ do 1ºT e Nazarenko 4’ do 2ºT

Brasil: Carlos [Ponte Preta]; Mauro [Guarani], Tecão [São Paulo], Edinho [Fluminense] e Júnior [Flamengo]; Batista I [Internacional], Alberto Leguelé [Bahia] (Rosemiro) [Palmeiras], Jarbas [América] (Eudes) [Portuguesa] e Erivelto [Fluminense]; Marinho [Atlético-MG] e Julio César [Flamengo].
Técnico: Cláudio Coutinho
União Soviética: Astapovsky; Zvagintsev, Troshkin, Fomenko e Reshko; Matvienko, Kolotov e Buriak; Minaev, Onischenko (Nazarenko) e Blokhin.
Técnico: Valeriy Lobanovskyi.

Em jogo emocionante, Ronaldo brilha e Brasil vai à semifinal em Atlanta

Dos 13 jogadores que entraram em campo para defender a Seleção Brasileira no dia 28 de julho de 1996 pelas quartas de finais dos Jogos Olímpicos de Atlanta, seis estariam no time vice-campeão do Mundo na França, dois anos mais tarde, sendo cinco deles titulares na Copa. Além disso, outro jogador deixou de ir ao mundial por grave lesão sofrida meses antes. Isso dá a dimensão da força daquele time olímpico comandado Mário Jorge Lobo Zagallo.

Além do goleiro Dida, que foi à Copa de 98 como o terceiro homem da posição, estavam naquele time o zagueiro Aldair, o lateral-esquerdo Roberto Carlos, o meia Rivaldo e os atacante Bebeto e Ronaldo, todos eles titulares do Brasil na Copa. Juninho que na época ainda não era conhecido como Paulista, também estaria lá não fosse por uma contusão. Some a essa turma os bons Flávio Conceição e Zé Maria e o Brasil era o favorito a vencer a seleção de Gana.

E de fato venceu, avançando para as semifinais, mas não foi nada fácil: emocionantes 4 a 2 para a Seleção Brasileira com destaque para o ainda jovem e com numeração reserva, Ronaldinho, como ainda era chamado e que mais tarde ganharia o apelido de fenômeno. Jogando com a camisa 18, ele fez dois gols decisivos. O segundo foi um golaço.

O Brasil saiu na frente quando aos 16 minutos Roberto Carlos levantou a bola na área, Rivaldo dominou no peito e foi surpreendido pelo zagueiro Duodu que se antecipou e marcou contra. Pouco depois Gana daria mostras das dificuldades que o Brasil teria, quando Akunnor cobrou falta com muita violência, empatando o jogo aos 22 minutos.

Como dificuldade pouca para o Brasil em Olimpíadas é bobeira, Gana virou o jogo aos sete minutos da segunda etapa. O mesmo Akunnor do primeiro gol foi ao fundo e cruzou para Aboagye mergulhar no meio da defesa brasileira e cabecear sem chances para Dida.

O susto, porém, durou pouco tempo graças a Ronaldinho e Juninho Paulista. O já veterano Bebeto sofreu falta na entrada da área aos 11 minutos e viu o camisa 9 Juninho cobrar rapidamente para Ronaldo que já invadia a área. Desprevenida, a defesa ganesa tentou evitar em vão a finalização do futuro fenômeno.

Após o empate, o Brasil descobriu o lado direito da defesa adversário como um bom ponto a ser explorado. Por lá, aos 16 minutos, Ronaldinho recebeu ótimo passe de Bebeto, avançou nas costas da zaga e sem ângulo, bateu com efeito, na outra trave, aproveitando a saída desesperada do goleiro para recolocar o Brasil à frente.

Já aos 30 minutos foi a vez de Bebeto receber ótimo passe de Flávio Conceição. O camisa sete avançou pela esquerda e surpreendeu o goleiro quando aparentemente sem condições de chute, bateu no ângulo direito do atônito Addo, fechando o placar em 4 a 2.

Ficha técnica

Brasil 4×2 Gana

Data: 28/07/1996
Competição: Jogos Olímpicos de Atlanta
Local: Estádio Orange Bowl
Público: 45.257 pagantes
Cidade: Miami (Estados Unidos)
Árbitro: Piron Unprasert (Tailândia)
Auxiliares: Yuri Dupanov (Bielorrússia) e Luis Torres Zuniga (Costa Rica)
Cartões amarelos: Juninho Paulista (BRA); Sabah, Yahaya, Aboagye e Duah (GAN)
Cartão vermelho: Sabah, 38’ do 2ºT.
Gols: Duodu (contra) 16’ e Akunnor 22’ do 1ºT; Aboagye 7’, Ronaldo 11’, Ronaldo 16’ e Bebeto 30’ do 2ºT.

Brasil: Dida [Cruzeiro]; Zé Maria [Flamengo], Ronaldo Guiaro [Atlético-MG], Aldair [Roma] e Roberto Carlos [Internazionale-ITA] (André Luiz) [São Paulo]; Zé Elias [Corinthians], Flávio Conceição [Palmeiras], Rivaldo [Palmeiras] (Amaral) [Palmeiras] e Juninho Paulista [Middlesbrough-ING]; Bebeto [La Coruña-ESP] e Ronaldo [PSV Eindhoven-HOL].
Técnico: Zagallo.

Gana: S. Addo; Duodu, Kuffour e J. Addo; Amoako (Hagan), Yahaya, Akunnor, Sabah e Duah (Osei); Arhinful, Aboagye.
Técnico: Samuel Arday

Há 36 anos, Brasil perdia a chance de disputar a medalha de ouro

Há 36 anos, Brasil perdia a chance de disputar a medalha de ouro

No dia 27 de julho de 1976, ou seja, há 36 anos, o Brasil entrava em campo na disputa dos Jogos Olímpicos de Montreal comandado pelo técnico da seleção principal, Claudio Coutinho. A partida contra a Polônia poderia render ao time brasileiro sua primeira vez na decisão do Ouro Olímpico em toda história das Olimpíadas. No entanto, o Brasil teria de esperar mais oito anos pela primeira final olímpica, que só aconteceria em 1984, nos Jogos de Los Angeles.

Isso porque mesmo jogando com uma equipe recheada de jogadores que teriam sucesso em grandes times do futebol brasileiro e na própria seleção, o Brasil acabou derrotado por 2 a 0 pela equipe polonesa que contava, por exemplo, com o craque Grzegorz Lato, destaque na Copa do Mundo de 1974 e que voltaria a se destacar na Copa de 1978.

No Brasil, somente o goleiro Carlos, então da Ponte Preta e o zagueiro e lateral-esquerdo Edinho, do Fluminense, estariam na boa campanha brasileira na Copa da Argentina dois anos mais tarde e também na Copa de 82. Quem se juntaria aos companheiros na Copa da Espanha era o volante e também lateral-esquerdo Júnior, do Flamengo e o volante Batista do Internacional.

Embora não tenham obtido sucesso com a amarelinha, vale destacar alguns jogadores com boa história em grandes clubes como Rosemiro, destaque de Palmeiras e Grêmio; Chico Fraga, no Internacional; Alberto Leguelé, no Bahia e Flamengo; e Eudes de Portuguesa, Cruzeiro e Internacional.

Na partida, o atacante Szarmach marcou duas vezes e na segunda etapa. O primeiro aconteceu logo aos sete minutos e o segundo veio já nos minutos finais, aos 37, sacramentando a derrota brasileira que disputaria o bronze dois dias mais tarde.

Ficha técnica

Brasil 0x2 Polônia

Data: 27/07/1976
Competição: Jogos Olímpicos de Montreal
Local: Estádio Varsity
Público: 21.743 pagantes
Cidade: Toronto (Canadá)
Árbitro: John Patterson (Escócia)
Auxiliares: Jafar Namdar (Irlanda do Norte) e Reginald Arthur Clark (Canadá)
Gols: Szarmach aos 7’ e aos 37’ do 2ºT.

Brasil: Carlos [Ponte Preta]; Rosemiro [Palmeiras] (Marinho) [Atlético-MG], Tecão [São Paulo], Edinho [Fluminense] e Chico Fraga [Internacional]; Batista [Internacional], Júnior [Flamengo], Alberto Leguelé [Bahia] e Jarbas [América] (Eudes) [Portuguesa]; Erivelto [Fluminense] e Santos [Santa Cruz].
Técnico: Cláudio Coutinho.

Polônia: Tomaszewski; Szymanowski, Gorgon, Zmuda e Wawrowski; Maszczyk, Kasperczak e Cmikiewicz (Kmiecik); Lato, Deyna e Szarmach.
Técnico: Kazimierz Gorski.