Durante longo período de invencibilidade, Brasil goleia bulgáros

A partir de maio de 1981, a Seleção Brasileira, que já tinha Telê Santana como treinador desde o início do ano anterior, fez apenas amistosos e ficou invicto, vencendo equipes como a Inglaterra, França, Alemanha Ocidental e Espanha. No último destes amistosos, em 28 de outubro, o adversário foi a Bulgária.

O time europeu nunca foi grande coisa, e não era diferente nestes anos. Pelo contrário. A fragilidade fica bem clara na campanha da Eliminatória para a Eurocopa de 1980, realizada na Itália. Em oito jogos venceu apenas dois, teve um empate e cinco derrotas. Fez seis gols e sofreu 14.

O Brasil, por sua vez, vinha de uma sequência de 13 jogos sem derrota. A última havia acontecido em janeiro do mesmo ano, por 2 a 1, para o Uruguai. O time de Telê ainda ficaria 24 jogos sem perder. Foi um jejum entre janeiro de 81 e julho de 82, quando na Copa do Mundo, o time mágico brasileiro foi derrotado pela Itália, por 3 a 2.

Contra a fraca Bulgária, no último jogo do ano, o forte Brasil, jogando no estádio Olímpico, em Porto Alegre não poderia fazer diferente, e se impôs: 3 a 0. O atacante vascaíno Roberto Dinamite e os flamenguistas Zico e Leandro, marcaram os gols brasileiros.

Na equipe, poucos remanescentes da Copa de 78, e sim, já um bom esboço do que seria o time no ano seguinte. A zaga, por exemplo, já estava formada, com Valdir Peres, Leandro, Oscar, Luizinho e Júnior. O meio de campo, já tinha quase tudo pronto. Faltava Falcão, que desde a transferência para a Roma, não vestira mais a camisa da seleção. Só voltou ao time em maio de 82, dois jogos antes da Copa.

A principal diferença, porém, era na disposição tática e no ataque do time. Telê tinha em Paulo Isidoro um meia-atacante que caia mais pelas pontas, quase como um ponta-direita. Do outro lado, Mário Sérgio era o ponta, exercendo a função de seria de Éder Aleixo na Copa, e Roberto Dinamite ocupava a área, o que Serginho Chulapa faria depois.

A grande novidade, no entanto, foi a experiência de Telê com o volante Rocha, do Botafogo, que entrou no lugar de Toninho Cerezo na segunda etapa. O jogador que depois teria boa passagem pelo Palmeiras, porém, não deve ter agradado, pois nunca mais voltou a disputar uma partida com a seleção.

Ficha técnica: Brasil 3 x 0 Bulgária

Brasil
Valdir Peres [São Paulo](Paulo Sérgio) [Botafogo]; Leandro [Flamengo], Oscar [São Paulo], Luizinho [Atlético-MG] e Júnior I [Flamengo]; Toninho Cerezo [Atlético-MG] (Rocha) [Botafogo], Sócrates [Corinthians] e Zico [Flamengo]; Paulo Isidoro [Grêmio], Roberto Dinamite [Vasco] e Mário Sérgio [São Paulo]
Técnico: Telê Santana

Bulgária
Donev; Petrov, Marinov, Iliev e Alexandrov; Mladenov, Sadkov (Kurdov) e Chavdarov (Murlev); Valchev, Pachev (Iskrenov) e Argirov (Balakov).
Técnico: Danko Roev

Data: 28 de outubro de 1981
Competição: amistoso
Local: Estádio Olímpico, em Porto Alegre
Árbitro: Luiz Carlos Félix

Por Raoni David
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Unbeatable Brazil blowout Bulgaria

By May 1981, already with coach Telê Santana from the previous year, Brazil played several friendlies, some against powerhouses such as England, France, West Germany and Spain, and managed to stay unbeatable, Bulgaria was the adversary on October 28th.

The Europeans never had a great team, the record showed that Bulgaria wasn’t yet in the route to become a respected team of football. The Bulgarians played eigth matches for the Qualifying Tournamento to the Euro 1980, with only two wins and six goals scored.

On the other hand Brazil was in a sequency of 13 unbeatable games, last defeated in January by Uruguay, the team went on to get a total of 24 games without losing one, only at the World Cup in 1982 to the Italians.

Against the weak Bulgarian squad Brazil played the last game of the year. Performing at home in Porto Alegre Brazil hit the net three times for a convincing win. Roberto Dinamite, Zico and Leandro were the scorers.

In the Seleção a new team was being formed for the 1982 World Cup, in the back a defense with Valdir Peres, Leandro, Oscar, Luizinho and Júnior. The midfield was missing Falcão, that came back to the team just two games before the World Cup.

The main difference from that team to the one that finished third in Argentina was the on field display, Telê had an attacking midfielder, Paulo Isidoro, that loved to be a rigth winger. Mário Sérgio was the left winger, replaced by Éder Aleixo by 1982 and Roberto Dinamite was the striker from the middle, Serginho Chulapa replaced him in the World Cup.

Telê made some experiments with the defensive midfielder Rocha in that game, replacing Toninho Cerezo in the second half. However the coach probably not liked what he saw beacuse Rocha was never called off to the Seleção again.

Brazil 3 x 0 Bulgaria

Brazil
Valdir Peres [São Paulo](Paulo Sérgio) [Botafogo]; Leandro [Flamengo], Oscar [São Paulo], Luizinho [Atlético-MG] and Júnior I [Flamengo]; Toninho Cerezo [Atlético-MG] (Rocha) [Botafogo], Sócrates [Corinthians] and Zico [Flamengo]; Paulo Isidoro [Grêmio], Roberto Dinamite [Vasco] and Mário Sérgio [São Paulo]
Coach: Telê Santana

Bulgaria
Donev; Petrov, Marinov, Iliev and Alexandrov; Mladenov, Sadkov (Kurdov) and Chavdarov (Murlev); Valchev, Pachev (Iskrenov) and Argirov (Balakov).
Coach: Danko Roev

Date: 28th October 1981
Competition: Friendly
Place: Olímpico Stadium, Porto Alegre
Referee: Luiz Carlos Félix

Tradução de Fabricio Presilli

Para ser bi, freguês Paraguai quebra tabu contra o Brasil

Segunda seleção que mais vezes enfrentou a brasileira ao longo da história, o Paraguai na maioria das vezes saiu derrotado. Porém, não foi o que aconteceu no dia 24 de outubro de 1979 em jogo que valia pela semifinal da Copa América, que não tinha país-sede, e por isso foi disputada em jogos de ida e volta.

No estádio Defensores Del Chaco foi disputada a primeira destas partidas. O Brasil vinha de uma boa, porém frustrante Copa do Mundo e tinha muitas mudanças com relação àquele time. Já os paraguaios haviam vencido o Brasil pela última vez em 1968. Era um tabu de mais de dez anos.

E foi quebrado! Ainda comandado por Claudio Coutinho, dos 13 brasileiros que entraram em campo, seis estiveram na Copa da Argentina um ano antes: Leão, Toninho, Amaral, Edinho, Chicão e Zé Sérgio. Falcão, Sócrates e Éder seriam titulares da copa seguinte. Já Pedrinho, Tarciso, Jair Prates e Palhinha não tiveram a oportunidade de disputar um mundial.

Já os paraguaios, que haviam disputado uma Copa do Mundo pela última vez em 1962, no Chile e só voltaria a jogar no México, em 1986, tinha como principais nomes os meio-campistas Romerito, que fez história no Fluminense, Evaristo Isasi, e o atacante Hugo Talavera. Os dois últimos fizeram história com a camisa do Olímpia, já que alguns meses antes conquistaram a primeira Copa Libertadores da América do clube.

O time da casa se impôs na partida, e no intervalo já vencia por 2 a 0. O primeiro gol foi marcado aos 16 minutos pelo atacante Eugenio Morel, pai de Claudio Marcelo Morel Rodrigues, zagueiro/lateral-esquerdo do Boca Júniors. Alguns minutos depois, aos 35, Hugo Talavera, que virou técnico de futebol, ampliou o placar.

O Brasil só conseguiu diminuir 34 minutos do segundo tempo com o gol marcado pelo corintiano Palhinha. E foi só: 2 a 1 Paraguai. Nem mesmo no segundo jogo a seleção conseguiu a reação. Isso porque no estádio do Maracanã, uma semana depois, Romerito marcou aos 23 minutos do segundo tempo dando números finais à partida. O gol valeu a vaga na final, que seria vencida, após três jogos contra o Chile.

O Paraguai sagrou-se então, bicampeão da Copa América, e o curioso é que para conquistar o primeiro título, em 1953, a equipe também venceu o Brasil. A diferença é que no primeiro título, a seleção brasileira foi derrotada na decisão da competição, e não na semi, como ocorreu em 79.

Ficha técnica: Paraguai 2 x 1 Brasil

Paraguai
Roberto Fernandez; Espínola, Cibils, F. Sosa e Torales; Torres (Julio César Romero “Romerito”), Florentin e Talavera; Isasi, Milcíades Morel (Pesoa) e Eugenio Morel
Técnico: Ranulfo Miranda

Brasil
Leão [Vasco]; Toninho [Flamengo]; Amaral I [Corinthians]; Edinho [Fluminense] e Pedrinho I [Palmeiras]; Chicão I [São Paulo], Falcão [Internacional] e Jair Prates [Internacional] (Palhinha I) [Corinthians]; Tarciso [Grêmio], Sócrates [Corinthians] e Éder [Grêmio] (Zé Sérgio) [São Paulo]
Técnico: Claudio Coutinho

Data: 24 de outubro de 1979
Competição: Copa América
Local: estádio Defensores Del Chaco, em Assunção, no Paraguai
Árbitro: Ramon Barreto
Público: 53 mil pagantes

Por Raoni David
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To win the Copa América again, Paraguay had to beat Brazil

The Paraguayan squad is one of the teams that has faced Brazil many times, most of those games Paraguay was beaten. However on the 24th October back in 1979, for the Copa América semifinal Paraguay had other plans for Brazil.

Playing the first leg at home in Assuncion, at Defensores del Chaco Stadium, Paraguay had to face a Brazilian squad that played well in the World cup in 1978 in Argentina, but couldn’t win the title, and went to the Copa América with a lot of changes. the Paraguayans last win over Brazil was in 1968.

The drought ended that day, from the 13 Brazilian players that went to the field six were in Argentina on year before: Leão, Toninho, Amaral, Edinho, Chicão and Zé Sérgio. Flacão, Sócrates and Éder would turn into first team players by the next World Cup.

The Paraguayans had played only once in a World stage before, in 1962 at Chile, and would only return to the World Cup in 1986, the team of big midfielders Romerito and Isasi, as well as forward Hugo Tavalera. Romerito made history in Brazil with Fluminense, the other two won the Copa Libertadores with Olímpia in 1979.

The home team imposed their game and had a two game advantage in the half, Eugenio Morel scored the first goal at 16 minutes and Hugo Tavalera doubled it at 35. The Seleção managed to score one goal with ten minutes to go on the second half with Palhinha. In the second leg Romerito scored a winning goal at Maracanã to seal Paraguay ticket to the final, eventually won against Chile.

Paraguay conquered their second Copa América title, in their first win in 1953 Paraguay also had to beat Brazil, in the final that time.

Paraguay 2 x 1 Brazil

Paraguay
Roberto Fernandez; Espínola, Cibils, F. Sosa and Torales; Torres (Julio César Romero “Romerito”), Florentin and Talavera; Isasi, Milcíades Morel (Pesoa) and Eugenio Morel
Coach: Ranulfo Miranda

Brazil
Leão [Vasco]; Toninho [Flamengo]; Amaral I [Corinthians]; Edinho [Fluminense] and Pedrinho I [Palmeiras]; Chicão I [São Paulo], Falcão [Internacional] and Jair Prates [Internacional] (Palhinha I) [Corinthians]; Tarciso [Grêmio], Sócrates [Corinthians] and Éder [Grêmio] (Zé Sérgio) [São Paulo]
Coach: Claudio Coutinho

Date: 24th October 1979
Competition: Copa América
Place: Defensores Del Chaco Stadium, Assuncion, Paraguay
Referee: Ramon Barreto
Attendance: 53,000

Tradução de Fabricio Presilli

Equilibrados, Brasil e Argentina empatam sem gols

Teoricamente, a Argentina tinha um time melhor que o brasileiro quando as seleções se enfrentaram em 21 de outubro de 1975, pela disputa dos Jogos Pan Americanos da Cidade do México. O empate, sem gols, porém, mostrou que havia muito mais equilíbrio que outra coisa na partida.

No entanto, só é possível apontar ligeiro favoritismo aos argentinos hoje, depois de mais de 30 anos. Isso porque, o Brasil, na época, tinha mais promessas. Claudio Adão, por exemplo, era apontado como o sucessor de Pelé. Marcelo Oliveira desfilava ótimo futebol no Atlético Mineiro e até Alberto Leguelé, então no Bahia, era apontado como promissor.

Já os argentinos ainda estavam um tanto longe de ser a potência futebolística da qual se tornaram nos anos que se seguiram. Tanto que são considerados o segundo celeiro de craques do mundo, perdendo apenas para o próprio Brasil. Diego Maradona, por exemplo, ainda tinha 14 anos.

Porém, dos 13 jogadores argentinos que estiveram em campo neste empate sem gols, dois defenderam a seleção em Copas do Mundo com certa relevância. O meio-campista Americo Gallego, foi titular no título de 1978, e na Copa seguinte só não enfrentou o Brasil. O atacante Daniel Valencia teve menos destaque, mas participou de quatro jogos em 78, e um, contra a Itália em 82.

O Brasil também tinha em seu time dois jogadores que participariam de Copas. Edinho que jogava de zagueiro e lateral-esquerdo, por exemplo, participou das edições de 78, 82 e 86, num total de nove jogos. Dois a menos que Gallego, com uma Copa a menos. O outro que ‘vingou’ foi o goleiro Carlos que esteve no grupos nas mesmas três edições que Edinho, e foi titular em 86, quando o Brasil foi eliminado nas quartas de final.

Apesar disso, quem esteve mais próximo da vitória foi o justamente o Brasil, já que o volante Alberto Leguelé desperdiçou uma cobrança de pênalti. O meio-campista que atuava no Bahia foi contratado pelo Flamengo em 78, logo após a conquista do hexacampeonato baiano. Porém no Rio de Janeiro não conseguiu obter o mesmo sucesso.

Assim como Claudio Adão, que apesar da reconhecida qualidade técnica, não chegou nem perto de ser Pelé. Ou Marcelo Oliveira, que quando jogador era só Marcelo, e ficou bem distante de ser o craque que despontava. Ou ainda o lateral-esquerdo Chico Fraga, campeão da Copa São Paulo de Futebol Júnior com o Internacional, ao lado de Falcão.

Ficha técnica: Brasil 0 x 0 Argentina

Brasil
Carlos [Ponte Preta]; Mauro [Guarani], Tecão [São Paulo], Edinho [Fluminense] e Chico Fraga [Internacional]; Alberto Leguelé [Bahia], Eudes [Portuguesa] (Pitta) [Corinthians] e Rosemiro [Remo]; Erivelto [Fluminense] (Marcelo) [Atlético-MG], Cláudio Adão [Flamengo] e Santos [Santa Cruz]
Técnico: Zizinho

Argentina
Suarez; Galvan, Marillak, Espinoza e Gallego; Cardenas, Salinas (Caballos) e Silva; Tello (Farias), Valência e Cebalos

Data: 21 de outubro de 1975
Competição: Jogos Pan Americanos
Local: estádio Azteca, na Cidade do México
Árbitro: R. Gonzalez

Por Raoni David
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A tie with Argentina in a close match.

Argentina had a better tem in paper when the tw powerhouses faced each other in the Pan Am Games in 1975. The goaless draw showed that the game was even closer than anyone could guess.

However you can only point to the teams good players after knowing what their carreer became over time. Brazil had a promising forward in Claudio Adão, Marcelo Oliveira was a top flight in Atlético Mineiro and even Alberto Leguelé was in a good moment in Bahia. Argentina on the other hand was far from being considered a power as it is today, their top player, Maradona, was still 14 at that time.

From the 13 players on the Argentinian field that day only two managed to be in a World Cup team as well. Midfielder America Gallego in 1978 and 1982 started several games, and Daniel Valencia, but this forward with fewer chances to show his football.

Brazil had some players that can be considered sucessful, Edinho played in three World Cups: 1978, 1982 and 1986. The keeper Carlos also went to the three World Cups, but played only in 1986 until the quarterfinal defeat to France.

Besides the lack of great players Brazil was more often closer to the goal than Argentina, they even lost a penalty kick with Leguelé, a player that failed after a move to Flamengo. Other failures were Claudio Adão and Marcelo Oliveira. Chico Fraga won the Copa São Paulo for Under 19 years old players with Falcão in Internacional, but never excelled in the adult squad.

Brazil 0 x 0 Argentina

Brazil
Carlos [Ponte Preta]; Mauro [Guarani], Tecão [São Paulo], Edinho [Fluminense] and Chico Fraga [Internacional]; Alberto Leguelé [Bahia], Eudes [Portuguesa] (Pitta) [Corinthians] and Rosemiro [Remo]; Erivelto [Fluminense] (Marcelo) [Atlético-MG], Cláudio Adão [Flamengo] and Santos [Santa Cruz]
Coach: Zizinho

Argentina
Suarez; Galvan, Marillak, Espinoza and Gallego; Cardenas, Salinas (Caballos) and Silva; Tello (Farias), Valência and Cebalos

Date: 21st October 1975
Competition: Pan American Games
Place: Azteca Stadium, México City
Referee: R. Gonzalez

Tradução de Fabricio Presilli