Luxemburgo iniciava reformulação, mas história mostra que não teve sucesso

Após a humilhante derrota por 3 a 0 para a França na final da Copa do Mundo, o Brasil fez apenas três jogos no ano de 98, com duas vitórias, e um empate. Tudo isso já sob o comando de Vanderlei (ou seria Wanderley?) Luxemburgo e contra seleções de certo nível, como Iugoslávia, Equador e Rússia. E o índice de gols marcados foi muito bom: 11, em três jogos.

Contra a Iugoslávia, empate por 1 a 1, em setembro. No mês seguinte, goleada por 5 a 1 sobre o Equador. E no dia 18 de novembro de 1998, nova goleada, também por 5 a 1, mas agora sobre a Rússia.

Luxemburgo, também pela pressão popular que havia, apostava em uma renovação do grupo que havia perdido a Copa da França. Dos 16 jogadores que estiveram em campo nesta partida, por exemplo, apenas Cafu, Rivaldo e Denílson estiveram com Zagallo na ‘conquista’ do vice-campeonato.

Porém, parece que as apostas de Luxemburgo neste momento, não foram lá muito boas. Isso porque além dos três que já estiveram na Copa de 98, apenas Rogério Ceni e Vampeta também estavam na próxima Copa, a de 2002, vencida por Felipão, e não por Luxemburgo, que dava início à caminhada. E nem titulares foram. Ceni era apenas o terceiro goleiro, e o melhor lance de Vampeta fora as cambalhotas no Planalto.

Apesar disso tudo, algumas das apostas de Luxa que não deram tão certo, mostraram bom trabalho neste amistoso. Especialmente o ótimo atacante Amoroso, que balançou a rede duas vezes. Élber, que havia marcado três gols contra o Equador no mês anterior, fez outro, assim como o volante Marcos Assunção. O já consagrado, Rivaldo marcou também. Kournokov fez o gol de honra dos russos.

Algumas destas apostas foram o goleiro Émerson, então no Atlético Mineiro, mas que pelo Bahia em 2000 seria eleito pela revista Placar o melhor do Campeonato Brasileiro; o próprio Marcos Assunção; o experiente zagueiro Antônio Carlos e o jovem César, da Portuguesa e que ficou famoso pelo erro do juiz argentino, Castrilli, na semifinal do Paulistão deste mesmo ano; Serginho, ótimo lateral esquerdo do São Paulo, mas que não se firmou na seleção.

No entanto, talvez a sua maior surpresa tenha sido a convocação do meia-atacante Jackson, do Sport Recife. E o fato de ser uma grande surpresa, não quer dizer que não merecesse. O time pernambucano fazia ótima campanha no Campeonato Brasileiro, tendo sido eliminado pelo Santos somente nas quartas-de-final, depois de três jogos bastante complicados, e o baixinho rápido meia direita, era um dos destaques do time.

Outro nome ainda não consagrado, e que não daria certo na Seleção era o do atacante Christian, ainda no Internacional. No Beira Rio era conhecido como Jesus Christian, tamanha devoção da torcida colorada. Além dele, Élber, recebia suas primeiras chances, mas por seu desempenho no futebol alemão não causou surpresa.

Narciso, do Santos, agora como volante, recebia nova chance, já que como zagueiro fora convocado algumas vezes por Zagallo, especialmente para jogar na seleção olímpica. Outro do qual o ‘velho lobo’ gostava e que jogou neste dia era o volante Flávio Conceição.

Ficha técnica: Brasil 5 x 1 Rússia

Brasil
Rogério Ceni [São Paulo] (Émerson) [Atlético Mineiro]; Cafu [Roma-ITA] (Marcos Assunção) [Flamengo], Antônio Carlos [Roma-ITA], César III [Portuguesa] e Serginho [São Paulo]; Vampeta [Corinthians] (Narciso) [Santos], Flávio Conceição [La Coruña-ESP], Rivaldo [Barcelona-ESP] e Denílson [Bétis-ESP] (Jackson) [Sport]; Amoroso [Udinese-ITA] e Élber [Bayern de Munique-ALE] (Christian) [Internacional]
Técnico: Vanderlei Luxemburgo

Rússia
Novossadov (Tchitchkin); Mamedov, Igonin, Varlamov e Solomatin (Kournokov); Igonin, Smertin (Kondrashov), Semak e Fillipenkov (Coulatov); Kormitsev (Bakharev) e Yessipov (Panov)

Data: 18 de novembro de 1998
Local: Estádio Castelão, em Fortaleza
Competição: Amistoso
Árbitro: Gustavo Mendez

Por Raoni David
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Luxemburgo starts fresh, and finished not being missed

After the defeat to the French in the 1998 World Cup final, Brazil had three more games in 1998, with two wins and a tie. Under new coach Vanderlei Luxemburgo Brazil played good teams, Yugoslavia, Ecuador and Russia, and scored 11 goals in three matches,

A tie against Yugoslavians in September, a win against Ecuador in October and another blowout against Russians on November 18th that year.

Luxemburgo brougth some new faces to the team, only Cafu, Rivaldo and Denílson were in the World Cup some months earlier. However most of the players Luxemburgo called off didn’t stayed on the goup until 2002, only Rogério Ceni and Vampeta went to Asia with Scolari.

Some players had a good game agains Russia, Amoroso scored two goals, Élber made another one and the defensive midfielder Marcos Assunção another. Rivaldo and Kournokov settled the scoreboard.

Some bets that never returned were the goalie Émerson, chosen the best keeper of the 2000 Natrional Championship, the backs Antônio Carlos and César, the great lefty Serginho, that played for several years in Milan.

However the biggest surprise was the midfielder Jackson, that played for Sport, he was in an excelent form that year, helping his lub reach the top eight in the Campeonato Brasileiro. Luxemburgo also tested the strikers Chistian and Élber, that had an enourmous success in Germany. Narciso and Flávio conceição were another bets that flunked.

Brazil 5 x 1 Russia

Brazil
Rogério Ceni [São Paulo] (Émerson) [Atlético Mineiro]; Cafu [Roma] (Marcos Assunção) [Flamengo], Antônio Carlos [Roma], César III [Portuguesa] and Serginho [São Paulo]; Vampeta [Corinthians] (Narciso) [Santos], Flávio Conceição [La Coruña], Rivaldo [Barcelona] and Denílson [Bétis] (Jackson) [Sport]; Amoroso [Udinese] and Élber [Bayern de Munique] (Christian) [Internacional]
Coach: Vanderlei Luxemburgo

Russia
Novossadov (Tchitchkin); Mamedov, Igonin, Varlamov and Solomatin (Kournokov); Igonin, Smertin (Kondrashov), Semak and Fillipenkov (Coulatov); Kormitsev (Bakharev) and Yessipov (Panov)

Date: 18th November 1998
Place: Castelão Stadium, Fortaleza
Competition: Friendly
Referee: Gustavo Mendez

Tradução de Fabricio Presilli

Em amistoso isolado, Zagallo esboça olímpicos e Sávio brilha

O técnico da Seleção Brasileira era Mário Jorge Lobo Zagallo e com o status de tetracampeão conquistado a pouco mais de três meses, o ‘velho lobo’ resolveu em um amistoso isolado, testar a seleção que mais tarde disputaria os Jogos Olímpicos de 1996, em Atlanta nos Estados Unidos.

Assim, em 19 de outubro de 1994 entrava em campo um selecionado de promessas brasileiras para enfrentar o Chile, fora de casa. Com grande destaque para a apresentação de Sávio, do Flamengo que marcou três gols, o Brasil goleou por 5 a 0. No ano seguinte o rápido atacante canhoto faria parte do que ficou conhecido como melhor ataque do mundo, com Sávio, Romário e Edmundo, no mesmo time rubro-negro, mas o sucesso não foi o que esperavam. Os outros dois gols do time do Brasil foram marcados por Amoroso e Marques.

No entanto, a base daquele time era o Corinthians, especialmente no meio de campo que contava com Zé Elias, Marcelinho Paulista e Souza. O ataque ainda tinha o rápido Marques. Alguns criticaram as escolhas de Zagallo, mas também no ano seguinte, estes jogadores mostraram que tinham virtudes e foram a espinha dorsal do time corintiano que venceu o Grêmio na decisão da Copa do Brasil.

Do time brasileiro, porém, nenhum dos jogadores chegou a disputar uma Copa do Mundo, e a grande maioria teve passagem bem curta com a camisa canarinho. Exceções foram o atacante Amoroso, o goleiro Danrlei, e o próprio Sávio, que chegaram a ser convocados em outros anos, e por outros treinadores. Os dois últimos, aliás, assim como Zé Elias, Marcelinho Paulista e o lateral-esquerdo André Luiz, à época no São Paulo, foram os únicos que participaram deste jogo e estiveram no grupo que ficou com o bronze nas Olimpíadas.

Outros jogadores, porém, foram totais decepções. Em especial a dupla vascaína: o lateral-direito Bruno Carvalho e o meia-esquerda Yan. O primeiro era vigoroso e versátil. Jogava de volante, zagueiro e lateral-esquerdo. Já Yan era habilidoso. Tinha muita precisão nos passes, especialmente com a perna esquerda. Mas não vingaram. A dupla de zaga, Argel e Gélson ‘Baresi’ tiveram boas passagens por grandes times do país, mas jamais foram opções para a seleção.

O Chile, que fora humilhado em casa, tinha no meio-campista Acuña e no atacante Marcelo Salas, alguma qualidade. Tanto que não estiveram nos Jogos Olímpicos. Mais tarde, porém, formariam um bom time na disputa da Copa de 98, onde o próprio Salas, ao lado de Ivan Zamorano, eram as sensações.

Ficha técnica: Chile 0 x 5 Brasil

Chile
Corvalan (Caro); Galdavez, Gatica, Muñoz e Gonzales (Quiroga); Rojas (Guajardo), Acuña, Lizama e Valenzia; Ávila e Salas (Hormazabal)

Brasil
Danrlei [Grêmio]; Bruno Carvalho [Vasco], Argel [Internacional], Gélson [Flamengo] e André Luiz [São Paulo]; Zé Elias [Corinthians], Marcelinho Paulista [Corinthians] e Souza II [Corinthians] (Yan) [Vasco]; Amoroso [Guarani], Sávio [Flamengo] e Marques [Corinthians]
Técnico: Zagallo

Data: 19 de outubro 1994
Competição: Amistoso
Local: Estádio Regional de Concepción, no Chile
Árbitro: Carlos Robles

Por Raoni David
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Sávio shine at Chile

In 1994 the coach was Zagallo once again, and holding his fourth title after the World Cup he decided to test some players that later could play in the 1996 Olympics in a friendly in Chile later that year.

So the Seleção new faces went to the pitch on October 19th to face Chile. The most hype was about the forward Sávio first game, and he delivered with three goals. The other two goals came from Amoroso and Marques. Sávio played in Flamengo with Romário and Edmundo in 1995, what was called back then as the best attacking system in the world, that never was that sucessful in the field.

Many players from that team played for Corinthaisn in Brazil, a club well known for their developing youngsters skills, the midfielders Zé Elias, Marcelinho Paulista and Souza were in the national squad. Fast forward Marques was lined up as well. Criticism came from everywere to Zagallo, but that Corinthians squad won the Copa do Brasil in 1995.

From the players of that friendly however none managed to stay in the Seleção for a World Cup, in fact many of them struggled to be called off once again. Only Zé Elias, Marcelinho Paulista and André Luiz were in the bronze winning medal Olympic group in 1996.

Some players got lost in a promising carreer, like Bruno Carvalho and Yan, both from Vasco, and the backs Argel and Gérson ‘Baresi’, that played for some major clubs in Brazil, but never in the Seleção.
Chile could rely on Acuña and star forward Marcelo Salas. They couldn’t qualify to the Olympics, but in the 1998 World Cup Chile had a great team, with power forwads Marcelo Salas and Zamorano leading.

Chile 0 x 5 Brazil

Chile
Corvalan (Caro); Galdavez, Gatica, Muñoz and Gonzales (Quiroga); Rojas (Guajardo), Acuña, Lizama and Valenzia; Ávila and Salas (Hormazabal)

Brasil
Danrlei [Grêmio]; Bruno Carvalho [Vasco], Argel [Internacional], Gélson [Flamengo] and André Luiz [São Paulo]; Zé Elias [Corinthians], Marcelinho Paulista [Corinthians] and Souza II [Corinthians] (Yan) [Vasco]; Amoroso [Guarani], Sávio [Flamengo] and Marques [Corinthians]
Coach: Zagallo

Date: 19th October 1994
Competition: Friendly
Place: Regional Stadium of Concepción, Chile
Referee: Carlos Robles

Tradução de Fabricio Presilli