Em 68, seleção estava longe de definir técnico e time

Reclamam da desorganização do futebol brasileiro, como se este fosse um fato atual, ou dessa geração. Como se nas gerações anteriores não houvesse bagunça… De fato, o futebol brasileiro é o único que não para o seu campeonato nas datas FIFA, por exemplo. Mas este não é um privilégio dos cartolas atuais.

Basta lembrarmos que no dia 03 de novembro de 1968, ou seja, pouco mais de um ano e meio antes da estreia na Copa de 70, o Brasil enfrentava o México em um amistoso e o técnico ainda era Aymoré Moreira. Até a disputa do Mundial, ainda passou pelo comando o jornalista João Saldanha, até que Zagallo assumisse, definitivamente.

O Brasil viveu situação semelhante antes da Copa de 2002, e coincidência ou não, com Felipão, conquistamos outro título, o quinto. Porém, no início do século vivíamos uma crise de talentos intensa. Poucas vezes o Brasil viu aparecer tão poucos jogadores.

Mas pode-se afirmar isso com relação a um time que podia contar com jogadores como Gerson, Carlos Aberto, Roberto Dias, Rivellino, Dirceu Lopes, Natal, Jairzinho, Paulo César Caju, entre outros? Creio que não, e por isso fica difícil encontrar razões para tantas mudanças de comandantes.

E tudo isso poderia ter atrapalhado a equipe brasileira no entrosamento, por exemplo. Isso porque dos doze jogadores que venceram o México por 2 a 1, cinco sequer estiveram na Copa: o goleiro Alberto, do Grêmio, o zagueiro Jurandir e o volante Roberto Dias, que jogou improvisado na zaga, ambos do São Paulo, e os cruzeirenses Dirceu Lopes e Natal.

Apenas Carlos Alberto, Everaldo, Gerson, Rivellino e Pelé, foram titulares absolutos do time que trouxe o tri. Paulo César Caju era ótima opção para o banco. Mas, na Copa, como se sabe, nada disso atrapalhou, e como se sabe, fomos campeões.

E não atrapalhou nem mesmo neste dia. Era a primeira vez que estes jogadores (de linha) jogavam juntos pela seleção, e mesmo assim venceram. No estádio do Mineirão Pelé e Jairzinho marcaram para o Brasil, enquanto que Borja descontou para os mexicanos.

Pode parecer uma vitória fácil, mas nem tanto, já que três dias antes as seleções se enfrentaram no Maracanã e os visitantes saíram vitoriosos, pelos mesmos 2 a 1

Ficha técnica: Brasil 2 x 1 México

Brasil
Alberto [Grêmio]; Carlos Alberto Torres [Santos], Jurandir III [São Paulo], Roberto Dias [São Paulo] e Everaldo I [Grêmio]; Gérson I [Botafogo], Rivellino [Corinthians] (Dirceu Lopes) [Cruzeiro] e Pelé [Santos]; Jairzinho [Botafogo], Natal [Cruzeiro] e Paulo César Caju [Botafogo]

México
Calderón; Vantolrá, Peña, Nuñez e Perez; Mungía, J. L. González (Mercado) e I. Diaz; Albino Morales (Valdivia), Borja (Cisneros) e Padilla (Fragoso)

Data: 03 de novembro de 1968
Competição: amistoso
Local: Estádio Mineirão, em Belo Horizonte
Árbitro: Carlos Robles

Por Raoni David
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Just two years before a title, Brazil’s squad still had a lot to consider

There are a lot of complaints nowadays as the mess over football, we may think that this is only a current event. In fact our football organization is been like that for a long time, and it doesn’t seem to get any better over time.

Back in 1968, with 18 months to the Mexican World Cup, Brazil still had at the bench Aymoré Moreira, over that 18 months span João Saldanha and Zagallo would take charge of the team. A similar thing happened before the 2002 World Cup, maybe it is just a coincidence but Brazil came home with another title.

It is difficult for us to understand the reasons why so many changes in a team that had players as Gerson, Carlos Alberto, Rivellino, Dirceu Lopes, Jairzinho, Paulo César Caju, among others. And that certainlly could got in the way of the team, an example is a friendlty with Mexico in 1968, from the 12 players that got into the field 5 never made to the World Cup, most notable are deceased São Paulo back Roberto Dias and Cruzeiro’s midfielder Dirceu Lopes.

With Carlos alberto, Everaldo, Gerson, Rivellino and Pelé as starters, and with Paulo César Caju as an excellent option in the bench, they knew the strength of the team that eventually won in Mexico. That friendly against the Mexicans was the first time they played togheter, Pelé and Jairzinho scored the goals of the winning side.

Brazil 2 x 1 Mexico

Brazil
Alberto [Grêmio]; Carlos Alberto Torres [Santos], Jurandir III [São Paulo], Roberto Dias [São Paulo] and Everaldo I [Grêmio]; Gérson I [Botafogo], Rivellino [Corinthians] (Dirceu Lopes) [Cruzeiro] and Pelé [Santos]; Jairzinho [Botafogo], Natal [Cruzeiro] and Paulo César Caju [Botafogo]

Mexico
Calderón; Vantolrá, Peña, Nuñez and Perez; Mungía, J. L. González (Mercado) and I. Diaz; Albino Morales (Valdivia), Borja (Cisneros) and Padilla (Fragoso)

Date: 03rd November 1968
Competition: Friendly
Place: Mineirão Stadium, Belo Horizonte
Referee: Carlos Robles

Tradução de Fabricio Presilli

Brasil e México dividem ouro cassado pela FIFA

Onde já se viu uma decisão do torneio de futebol de Jogos Pan Americanos terminar sem ter um vencedor? No México, em 1975. Mais precisamente no dia 25 de outubro. O estádio era o lendário Azteca, onde há pouco mais de cinco anos, o Brasil conquistava o tri da Copa do Mundo.

Brasil e México se enfrentavam na decisão da medalha de ouro, mas algo estava diferente com relação à Copa do Mundo em 70. Naquela ocasião, o time brasileiro comandado por Zagallo dava show de bola com seus cinco camisas 10: Pelé, Rivellino, Tostão, Jairzinho e Gerson, além de Clodoaldo e Carlos Alberto Torres.

Desta vez, além de o Brasil não ter tanta qualidade técnica para dar show, o adversário eram os donos da casa e por isso, a torcida que se acostumou a torcer pela seleção de camisetas amarelas, passou a hostilizar, claro, em apoio ao seu país.

E empurrados pela torcida os mexicanos foram atrás do ouro contra aqueles que tanto admiravam. E saíram na frente, com Tapia. Já no final do segundo tempo, a promessa Claudio Adão, que já estava no Flamengo, empatou cobrando pênalti. Com este resultado, o jogo foi para a prorrogação.

Neste tempo extra para a definição da medalha de ouro, conta-se, que o Brasil jogava melhor e parecia mais próximo do gol, quando apagam-se as luzes. Estava o estádio Azteca completamente às escuras. O árbitro argentino Arthur Iturralde seguiu o bom senso, e esperou até 30 minutos para que a iluminação fosse restabelecida.

Como isso não aconteceu, ambas as equipes foram declaradas campeãs do torneio de futebol dos Jogos. Mais tarde, porém, a FIFA, entidade que precisa reconhecer inclusive as partidas de futebol disputadas nas olimpíadas, para que elas sejam oficiais, cassou a medalha, invalidando assim, o jogo.

A decisão da FIFA, porém, em nada mudou o quadro de medalhas, já que o México ficou com nove de ouro, contra 19 do Canadá. No entanto, vale salientar que tivesse o Brasil ganho essa decisão, e empataria com os donos da casa o número de medalha de ouro, mas não tomaria a quarta posição, já que empatou nas pratas e perdeu no bronze.

Ficha técnica: México 1 x 1 Brasil

México
Gomez, Marquez, Viveros (V. Gomez), Garcia, Carrilo – Lugarini, Caballero, Cossio – Tapia, Rangel, Sanchez

Brasil
Carlos [Ponte Preta]; Mauro [Guarani], Tecão [São Paulo], Edinho [Fluminense] e Chico Fraga [Internacional]; Batista I [Internacional] (Bianchi) [Santos]; Eudes [Portuguesa] e Rosemiro [Remo]; Luís Alberto [Fluminense] (Marcelo) [Atlético-MG], Cláudio Adão [Flamengo] e Santos [Santa Cruz]
Técnico: Zizinho

Data: 25 de outubro de 1975
Competição: Jogos Pan Americanos
Local: estádio Azteca, na cidade do México
Árbitro: Arthur Iturralde

Por Raoni David

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Brazil and Mexico split gold taken by Fifa later

When anybody ever saw a final game in a competition ending without a winner? At the Pan American Games of Mexico in 1975 that is exactly what happened.

Brazilians and Mexicans faced each other for the gold medal. Brazil returned to Mexico with a squad a lot different from the one that own their third title 5 years before in the same Stadium. In 1970 Zagallo’s team had among its stars, Pelé, Rivellino, Tostão, Gerson, Clodoald, and other great players. The 1975 team had a lot less quality and had to play against the home team, with the crowd in their favor.

With their supporters behind them Mexico scored first with Tapia, Brazil equalized late in the game with a goal from Claudio Adão, in a penalty kick conversion. The result led the game to an overtime.

History tells that Brazil was playing better in the overtime, when the lights were suddenly killed off, leaving the whole Stadium in the dark. The Argentinian referee Arthur Iturralde waited mandatory 30 minutes to the lights turn back on. However after that time the lights still out and both teams were declared winners.

A decision by Fifa later ruled that the game was not valid because it didn’t ended, that ruling didn’t have an effect in the medals board however, Mexico had other nine gold medals, against 19 conquered by Canadians for example.

Mexico 1 x 1 Brazil

Mexico
Gomez, Marquez, Viveros (V. Gomez), Garcia, Carrilo – Lugarini, Caballero, Cossio – Tapia, Rangel, Sanchez

Brazil
Carlos [Ponte Preta]; Mauro [Guarani], Tecão [São Paulo], Edinho [Fluminense] and Chico Fraga [Internacional]; Batista I [Internacional] (Bianchi) [Santos]; Eudes [Portuguesa] and Rosemiro [Remo]; Luís Alberto [Fluminense] (Marcelo) [Atlético-MG], Cláudio Adão [Flamengo] and Santos [Santa Cruz]
Coach: Zizinho

Date: 25th October 1975
Competition: Pan American Games
Place: Azteca Stadium, Mexico City
Referee: Arthur Iturralde

Tradução de Fabricio Presilli

Brasil contra Nação, por Geraldo!

No dia 6 de outubro de 1976 um selecionado brasileiro recheado de craques enfrentou a equipe do Flamengo, que era o embrião daquele grande time da década de 80. Mas os craques do Brasil, e a força do time do Flamengo são quase nada, diante do motivo do jogo.

Geraldo Cleofas Dias Alves, ou simplesmente Geraldo vestia a camisa 8 do Flamengo ao lado do camisa 10, Zico. Isso ainda nas categorias de base do clube. Cresceram juntos no futebol profissional e os dribles de Geraldo completavam os de Zico e ambos fizeram grande dupla inclusive na conquista do Campeonato Carioca de 1974.

No ano seguinte, convocado por Osvaldo Brandão, jogou a Copa América pela Seleção Brasileira, onde ainda reencontraria o amigo Zico no ano seguinte, para a conquista da Copa Roca. Até que no dia 26 de agosto de 1976, Geraldo foi realizar uma cirurgia para retirada das amídalas e acometido por um choque anafilático, faleceu, vítima de uma parada cardíaca.

O amistoso disputado no estádio do Maracanã foi beneficente, para arrecadar fundos para a família do jogador, que faleceu aos 22 anos. As substituições foram ilimitadas, e até Pelé, à época, já no Cosmos, jogou e como titular, ao lado de Rivellino, Clodoaldo, Jairzinho, Marco Antônio, Piazza, Zé Maria, Carlos Alberto e Félix, companheiros do tri em 70, no México.

O time flamenguista não vivia grande fase, tanto que viu neste ano o Fluminense (base da seleção neste amistoso) ser campeão carioca sobre o Vasco. Mas já contava com boa parte dos jogadores que mais tarde fariam história no maior time da história do clube, como Andrade, Rondinelli, Júnior, Júlio César, Adílio e claro, Zico. Com gols de Paulinho e Luís Paulo, o time rubro-negro venceu.

Mas só em campo. Pois quem ganhou mesmo foi a memória do futebol brasileiro, que homenageou mais um craque que se foi cedo demais!

Ficha técnica: Brasil 0x2 Flamengo

Brasil
Félix [Fluminense] (Leão) [Palmeiras]; Carlos Alberto Torres [Fluminense] (Wladimir) [Corinthians], Marinho Peres [Internacional] (Zé Maria) [Corinthians], Piazza [Cruzeiro] (Beto Fuscão) [Grêmio] e Marco Antônio [Vasco] (Rodrigues Neto) [Fluminense]; Clodoaldo [Santos] (Givanildo) [Santa Cruz], Rivellino [Fluminense] (Ademir da Guia) [Palmeiras] e Pelé [NY Cosmos] (Dada Maravilha) [Internacional]; Jairzinho [Cruzeiro] (Gil) [Fluminense], Paulo César Caju [Fluminense] (Neca) [Corinthians] e Edu Bala [Palmeiras] (Valdomiro) [Internacional]
Técnico: Osvaldo Brandão.

Flamengo
Cantarelli; Dequinha, Jaime (Andrade), Rondinelli (Paolino) e Júnior; Merica (Zé Roberto), Tadeu (Dendê) e Zico (Júnior Brasília); Paulinho (Adílio), Luís Paulo (Júlio César) e Luizinho (Marciano)
Técnico: Cláudio Coutinho.

Data: 06 de outubro de 1976
Competição: Amistoso não oficial
Local: Estádio jornalista Mário Filho (Maracanã)
Árbitro: Armando Marques
Gols: Paulinho e Luís Paulo (FLA)

Saiba mais sobre Geraldo: http://anacaorubronegra.blogspot.com/2007/04/um-craque-chamado-geraldo.html

Por Raoni David

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Brazil vs nation, honoring Geraldo!

On the 06th of october in 1976 a national squad filled with great players faced a Flamengo squad, at that time Flamengo formed the backbone of the national team. But Brazil’s players and Flamengo’s strenght are small towards the real reason for the match.

Geraldo Cleofas Dias Alves, or simply Geraldo, worn Flamengo’s 8, playing alongside Zico. That story between them started in the youth academy of Flamengo, they grown togheter to the main squads and Geraldo’s ability alongside with Zico made a great midfield, even winning the Campeonato Carioca in 1974.

By next year, called from coach Osvaldo Brandão, he played in Copa América for the Seleção, finding again his longtime friend the following year to play the Copa Roca. But on the 26th of august Geraldo went to the hospital for a routine tonsil removal and passed away because of complications during the procedure, he was 22 years old.

The friendly match played at Maracanã was a fund raiser for Geraldo’s family, there were no limit to substitutions, even Pelé, at that time playing in the New York Cosmos, played in the first team, alongside with Rivellino, Clodoaldo, Jairzinho, Marco Antônio, Piazza, Zé Maria, Carlos Alberto and Félix, teamates from the 1970 World Cup.

The Flamongo squad was not in the best record, insomuch that rival Fluminense won the Campeonato Carioca over Vasco that year. But Flamengo already had the base that some years later would be the greatest team in the club’s history. Players like Andrade, Rondinelli, Júnior, Júlio Cesar, Adílio and, of course, Zico. With goals from Paulinho and Luís Paulo, Flamengo won.

But only on the field, because who really became proud was the history of brazilian football, with a recognition to a player that went too soon.

Brasil 0x2 Flamengo

Brasil
Félix [Fluminense] (Leão) [Palmeiras]; Carlos Alberto Torres [Fluminense] (Wladimir) [Corinthians], Marinho Peres [Internacional] (Zé Maria) [Corinthians], Piazza [Cruzeiro] (Beto Fuscão) [Grêmio] and Marco Antônio [Vasco] (Rodrigues Neto) [Fluminense]; Clodoaldo [Santos] (Givanildo) [Santa Cruz], Rivellino [Fluminense] (Ademir da Guia) [Palmeiras] and Pelé [NY Cosmos] (Dada Maravilha) [Internacional]; Jairzinho [Cruzeiro] (Gil) [Fluminense], Paulo César Caju [Fluminense] (Neca) [Corinthians] and Edu Bala [Palmeiras] (Valdomiro) [Internacional]
Coach: Osvaldo Brandão.

Flamengo
Cantarelli; Dequinha, Jaime (Andrade), Rondinelli (Paolino) and Júnior; Merica (Zé Roberto), Tadeu (Dendê) and Zico (Júnior Brasília); Paulinho (Adílio), Luís Paulo (Júlio César) and Luizinho (Marciano)
Coach: Cláudio Coutinho.

Date: 06th october 1976
Competition: Friendly
Place: Mário Filho Stadium (Maracanã)
Referee: Armando Marques
Goals: Paulinho and Luís Paulo (FLA)

More on Geraldo: http://anacaorubronegra.blogspot.com/2007/04/um-craque-chamado-geraldo.html

Tradução de Fabricio Presilli