Em transição, Brasil perde para a Alemanha, mas time tinha futuro

Não há dúvidas de que o momento histórico alemão era muito melhor que o da Seleção Brasileira, pois apenas três anos antes havia conquistado a sua terceira Copa do Mundo, após participar de sua terceira final de mundiais seguidas. O Brasil, por sua vez, não era campeão desde 1970, e colecionava fracassos nas últimas três Copas, sendo eliminado precocemente.

Mesmo assim, porém, o equilíbrio que sempre existiu entre as seleções foi mantido. Em junho de 1993, as equipes haviam se enfrentando num belo empate por três gols. Quando se reencontraram no ano, em 17 de novembro, os alemães, jogando em casa, levaram a melhor e venceram por 2 a 1.

A grande diferença dos times, talvez, fosse a idade. O Brasil era um time completamente diferente daquele que perdeu a Copa de 90, e já um esboço para a disputa da Copa de 94 nos Estados Unidos. A Alemanha havia mudado o treinador com a entrada de Berti Vogts no lugar do campeão Franz Beckenbauer.

Dos 14 jogadores que entraram em campo contra o time de Carlos Alberto Parreira, apenas seis não estiveram no título da Copa de 90: Helmer, Effenberg, Hassler, Moller, Kirsten e Gaudino. Em contra partida, apenas cinco jogadores brasileiros participaram do fracasso na Itália: Jorginho, Mozer, Ricardo Gomes, Branco e Dunga.

As novidades da Seleção Brasileira de Parreira era as presenças de nomes de destaque no cenário nacional, especialmente do Palmeiras, como a linha de frente que tinha Zinho, Evair, Edmundo e Edílson, que entrou no segundo tempo, no lugar de Raí. A boa campanha corintiana no Brasileiro rendeu as presenças do goleiro Ronaldo e do meia-atacante Válber. Outro que jogava em solo nacional era o experiente lateral-esquerdo Branco, que estava no Grêmio.

Ao contrário do que se viu na Copa, um ano depois, porém, o Brasil era escalado de modo bastante ofensivo. À frente da linha de quatro da defesa, estava apenas um volante: Dunga. O meio de campo ainda era formado por Zinho, Raí e Paulo Sérgio, que com velocidade, participava muito do setor ofensivo. No Corinthians, era praticamente um ponta. Completavam a equipe, Edmundo e Evair.

Apesar de todo o poderio ofensivo brasileiro, os alemães levaram a melhor com gols do zagueiro Buchwald e do meia-atacante Moller. Evair marcou o gol de honra do Brasil e com a ótima campanha que fazia no Palmeiras, seguia cavando seu lugar na Copa. Mais tarde, Parreira preferiu os garotos Ronaldo e Viola, deixando Evair e de quebra, Edmundo de fora. Fato que causou muita polêmica na época.

Ao longo da carreira, Ronaldo justificou a opção, porém Viola nem tanto, embora tenha feito história no futebol nacional com as camisas do Corinthians, Santos e Vasco da Gama.

Ficha técnica: Alemanha 2 x 1 Brasil

Alemanha
Bofo Ilgner; Buchwald, Kohler, Matthaus, Helmer e Brehme; Effenberg, Hassler e Moller; Riedle (U. Kirsten) e Klinsmann (Gaudino).
Técnico: Berti Vogts

Brasil
Ronaldo [Corinthians]; Jorginho [Bayern de Munique-ALE], Márcio Santos [Bordeaux-FRA] (Mozer) [Benfica-POR], Ricardo Gomes [PSG-FRA] e Branco [Grêmio]; Dunga [VFB Stuttgart-ALE], Zinho [Palmeiras], Raí [PSG-FRA] (Edílson) [Palmeiras] e Paulo Sérgio [Bayer Leverkusen-ALE]; Edmundo [Palmeiras] e Evair [Palmeiras] (Válber II) [Corinthians]
Técnico: Carlos Alberto Parreira

Data: 17 de novembro de 1993
Local: estádio Muengersdorfer, em Colônia, Alemanha
Competição: Amistoso
Árbitro: Jan Damgaard

Por Raoni David
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A team that brougth glories later, defeated in Germany

There is no doubt that the Germans were in a better momentum than Brazil, after three World Cup finals in a row, with a title won in 1990 Germany had a great team back in the 1990’s. Brazil however dreamed with its fourth title since 1970 and had not went to the semis in any of the previous World Cups.

The tie of June in 1993 showed that there was some good years ahead for the Brazilians, but when they faced each other again in 1993, Germany won at home.

The main difference from the teams was maybe the age, Brazilians were much younger, practicaly a new team from the 1990 World Cup, wereas Germany didn’t changed that much from the winnig Beckenbauer squad to the Vogts team. Only Helmer, Effenberg, Hassler, Moller, kirsten and Gaudino were new to the Germans. Jorginho, Mozer, Ricardo Gomes, Branco and Dunga were the few remainders of the 1990 debacle.

Parreira called off several names that were having good seasons in Brazil, especialy from the great Palmeiras squad with Zinho, Evair, Edmundo and Edílson in the front. Corinthians gave the keeper Ronaldo and midfielder Váber. Branco also played in Brazil, at Grêmio at that time.

The coach had an offensive team, with only one defensive midfielder, Dunga, and five attacking midfielders, wingers and strikers, among them Raí and Paulo Sérgio. Despite of the great players in the Brazilian ofensive line, the Germans scored twice with the defender Buchwald and Moller, Evair made the Brazilian only goal and tried to keep his place to the World Cup, he eventualy got out in favor of a young Ronaldo and Viola, Parreira also kept Edmundo out of the squad, which came with hard criticism at the time. The excentric Viola played in several big clubs around Brazil, and Ronaldo, well he is the top scorer of the World Cups, enough said.

Germany 2 x 1 Brazil

Germany
Bofo Ilgner; Buchwald, Kohler, Matthaus, Helmer and Brehme; Effenberg, Hassler and Moller; Riedle (U. Kirsten) and Klinsmann (Gaudino).
Coach: Berti Vogts

Brazil
Ronaldo [Corinthians]; Jorginho [Bayern Munchen], Márcio Santos [Bordeaux] (Mozer) [Benfica], Ricardo Gomes [PSG] and Branco [Grêmio]; Dunga [VFB Stuttgart], Zinho [Palmeiras], Raí [PSG] (Edílson) [Palmeiras] and Paulo Sérgio [Bayer Leverkusen]; Edmundo [Palmeiras] and Evair [Palmeiras] (Válber II) [Corinthians]
Coach: Carlos Alberto Parreira

Date: 17th November 1993
Place: Muengersdorfer Stadium, Koln, Germany
Competition: Friendly
Referee: Jan Damgaard

Tradução de Fabricio Presilli

Estrangeiros fazem a festa no cinquentenário de Pelé

Para comemorar o cinquentenário de nascimento de Pelé, a CBF organizou para o dia 31 de outubro de 1990 um amistoso entre a Seleção Brasileira, com a participação do Rei do Futebol, e o Combinado do Resto do Mundo, uma seleção dos melhores jogadores que disputaram a Copa do Mundo de 1990, ocorrida quatro meses antes. O jogo ocorreu no Estádio Giuseppe Meazza, em Milão (Itália) e teve público de 75 mil espectadores.

A Seleção passava por um momento de renovação, após a eliminação precoce para Argentina nas oitavas-de-final do Mundial daquele ano. Era apenas a terceira partida de Paulo Roberto Falcão no comando do time canarinho, e o treinador vinha de dois resultados adversos (derrota para a Espanha, em 12 de setembro, e empate sem gols contra o Chile, em 17 de outubro). Além disso, dos 20 jogadores convocados por Falcão para o amistoso-festa de Pelé, apenas Bismarck havia participado da Copa de 90, sem ter entrado em nenhuma das quatro partidas.

O Combinado do Resto do Mundo se reunia pela terceira vez contra o Brasil (a primeira foi em 1968, na despedida de Garrincha, e a outra foi em um amistoso ocorrido em março de 1989. A seleção ganhou a primeira partida e perdeu a segunda, ambos pelo placar de 2 x 1) e tinha como base os destaques da Copa do Mundo daquele ano, além de alguns destaques do Campeonato Italiano, sendo eles três brasileiros: o zagueiro Júlio César, da Juventus, o volante Alemão, do Napoli e o atacante João Paulo, do Bari (eleito o melhor estrangeiro na Itália em 1990), Completa a escalação o atacante húngaro Lajos Détari, único jogador a não participar daquele Mundial, pertencente ao Bologna.

Pelé jogou por 43 minutos, substituído por Neto. Poderia ter marcado o último gol de sua carreira se não fosse o atacante Rinaldo, do Fluminense, que protagonizou um lance que entrou para a história. O tricolor partiu pela esquerda contra apenas um zagueiro, enquanto Pelé vinha a seu lado totalmente desmarcado (propositalmente, talvez), só esperando receber a bola para marcar o gol. Rinaldo não tocou e ainda perdeu o gol.

Neto fez o gol do Brasil, de falta, enquanto o espanhol Michel (que teve um gol anulado erroneamente no jogo Brasil X Espanha, estréia das duas seleções na Copa de 86, no México) e o romeno Gheorghe Hagi, o “Maradona dos Cárpatos” marcaram os tentos do Combinado do Resto do Mundo.

Dos vinte jogadores convocados por Falcão para aquela partida, apenas Leonardo chegaria até a Copa seguinte, 1994. César Sampaio só disputaria uma copa oito anos depois, em 1998.

Ficha técnica:
BRASIL 1 x 2 RESTO DO MUNDO
Data: 31 de outubro de 1990.
Competição: Amistoso.
Local: Estádio Giuseppe Meazza, em Milão (Itália).
Público: 75.000 pagantes.
Árbitro: Túlio Lanese (Itália).
Gols: Michel 36’, Hagi 50’, Neto 60’.
BRASIL: Sérgio [Santos] depois Ronaldo [Corinthians] aos 57’; Gil Baiano [Bragantino] depois Bismarck [Vasco] aos 57’, Paulão [Cruzeiro], Adílson [Cruzeiro] depois Cléber [Atlético-MG] aos 46’ e Leonardo [São Paulo] depois Cássio [Vasco] aos 57’; César Sampaio [Santos], Donizete Oliveira [Grêmio] depois Luís Henrique [Bahia] aos 61’, Cafu [São Paulo] e Pelé [sem clube] depois Neto [Corinthians] aos 43’; Charles [Bahia] depois Valdeir [Botafogo] aos 51’ e Rinaldo [Fluminense] depois Careca Bianchezzi [Palmeiras] aos 51’. Técnico: Paulo Roberto Falcão.

RESTO DO MUNDO: Sérgio Goycoechea/ARG (Michel Preud’Homme/BEL) aos 19’ (Thomas N’Kono/CAM) aos 46’ (René Higuita/COL) aos 68’; Leo Clijsters/BEL (Emmanuel Kunde/CAM) aos 46’, Júlio César/BRA, Oscar Ruggeri/ARG (Sergej Alejnikov/BUL) aos 46’, Hugo Eduardo De León/URU (Lajos Detari/HUN) aos 46’; Michel/ESP (Gabriel Calderón/ARG) aos 46’, Alemão/BRA (José Basualdo/ARG) aos 46’, Rafael Martín Vasquez (Gheorghe Hagi/ROM) aos 46’ e Carlo Ancelotti/ITA (Enzo Francescoli/URU) aos 19’; Marco Van Basten/HOL (Hristro Stoichkov/BUL) aos 19’ e Roger Milla/CAM (João Paulo/BRA) aos 46’. Técnico: Franz Beckenbauer/ALE.

Por William Gimenes
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At Pelé’s party, the whole world saluted him

To remember Pelé’s fiftieth birthday, CBF made a game between the Seleção, with the recruitment of Pelé, and a team of great players from the Rest of the World, gathering the main playes of football from the 1990 World Cup back in Italy.

The Seleção was in a turbulent renewal moment, after being eliminated from the World Cup by Argentina, that was only the third game of Falcão at the Brazilian bench. The tow previous matches were discouraging for the new guy in charge, a defeat to Spain and a tie with Chile. From the 20 players Falcão called off for this game only Bismarck went to the World Cup some months before, without any playing time, and only Leonardo made to the following World Cup, in the USA. César Sampaio was in that game and waited eigth years to play in a World Cup, in France.

That was the third time a Brazilian national team faced a gathering of players from around the world. Garricha’s farewell was in a game like that in 1968 and another friendly was played in 1989. some of the main players played in Italy, like Brazilians Júlio César of Juventus, defensive midfielder Alemão of Napoli and forward João Paulo, named best foreigner in Italy playing at Bari. Hungarian Lajos Détari was the only player at that roster that wasn’t in the World Cup, he played in Bologna.

Pelé played for 43 minutes, replaced by Neto. He could have scored his last goal if it wasn’t for Rinaldo’s choice of not sharing the ball in a counter attack that displayed Pelé open in front of the goal. Neto scored the Brazilian goal from a free kick, his specialty. Spaniard Michel and legend Romanian Gheorghe Hagi scored the Rest of the World goals.

BRAZIL 1 x 2 REST OF THE WORLD
Date: 31st October 1990
Competition: Friendly
Place: Giuseppe Meazza, Milan
Attendance: 75,000
Referee: Túlio Lanese (Italy)
Goals: Michel 36’, Hagi 50’, Neto 60’.

BRAZIL: Sérgio [Santos] (Ronaldo) [Corinthians]; Gil Baiano [Bragantino] (Bismarck) [Vasco], Paulão [Cruzeiro], Adílson [Cruzeiro] (Cléber) [Atlético-MG] and Leonardo [São Paulo] (Cássio) [Vasco]; César Sampaio [Santos], Donizete Oliveira [Grêmio] (Luís Henrique) [Bahia], Cafu [São Paulo] and Pelé [no club] (Neto) [Corinthians]; Charles [Bahia] (Valdeir) [Botafogo] and Rinaldo [Fluminense] (Careca Bianchezzi) [Palmeiras].
Coach: Paulo Roberto Falcão.

REST OF THE WORLD: Sérgio Goycoechea/ARG (Michel Preud’Homme/BEL), (Thomas N’Kono/CAM), (René Higuita/COL); Leo Clijsters/BEL (Emmanuel Kunde/CAM), Júlio César/BRA, Oscar Ruggeri/ARG (Sergej Alejnikov/BUL), Hugo Eduardo De León/URU (Lajos Detari/HUN); Michel/SPA (Gabriel Calderón/ARG), Alemão/BRA (José Basualdo/ARG), Rafael Martín Vasquez/SPA (Gheorghe Hagi/ROM) and Carlo Ancelotti/ITA (Enzo Francescoli/URU); Marco Van Basten/NED (Hristro Stoichkov/BUL) and Roger Milla/CAM (João Paulo/BRA).
Coach: Franz Beckenbauer/GER.

Tradução de Fabricio Presilli