Na altitude, Bolívia é quase potência

A seleção boliviana nunca foi, e é difícil imaginar que um dia chegue a ser, uma forte seleção quando o assunto é futebol. Uma das comprovações disso é o confronto direto com a seleção brasileira, que começou em 1930 na disputa da Copa do Mundo do Uruguai. E assim como na maioria dos confrontos, teve vitória do Brasil.

Ao todo foram 25 partidas disputadas, com 18 vitórias brasileiras. Em apenas quatro oportunidades, a Bolívia saiu de campo vencedora e em outras três vezes o jogo terminou empatado. A seleção brasileira fez 86 gols e tomou apenas 23. Ou seja, uma vantagem enorme.

No entanto, curiosamente, ou não, em jogos na altitude os confrontos são equilibrados, e com vantagem para os bolivianos. São sete jogos, com quatro vitórias dos que estão acostumados com o ar rarefeito, duas do Brasil e apenas um empate, na última partida entre as equipes em Eliminatórias para a Copa do Mundo, em 2005.

A primeira partida na altitude entre as equipes foi em Cochabamba, com 2.560 metros de altitude. A partida válida pela Copa América de 1963 terminou com vitória de 5 a 4 dos bolivianos que eram comandados por Danilo Alvim, o ‘Prícipe’, como era conhecido pela torcida vascaína. Aymoré Moreira comandava a seleção brasileira, que não contou com nenhum jogador que tinha disputado qualquer Copa do Mundo.

Os outros seis jogos, foram em La Paz, a 4.057 metros de altitude. A primeira, também pela Copa América, foi em 1979, e nova vitória boliviana. O Brasil desta vez, porém, tinha um time respeitável. As grandes novidades eram Juari e Nilton Batata, Meninos da Vila, que acabaram não vingando com a amarelinha, assim como Zenon, Pedrinho, Renato pé mucho e Zé Sérgio. Outros como Leão, Júnior (que jogou improvisado na lateral direita), Oscar, Amaral, Batista, Carpegiani e Roberto Dinamite disputaram copas com o Brasil.

Em 1981 a primeira vitória brasileira na altitude. Pelas Eliminatórias para a Copa do Mundo o Brasil venceu por 2 a 1, com gols de Sócrates e Reinaldo. Aragonés marcou para os bolivianos. Da seleção de Telê que participou deste jogo, dez estiveram no grupo que foi à Copa de 82.

Dois anos mais tarde vingança boliviana, que ao vencer o Brasil por 2 a 0 impôs a primeira derrota da seleção canarinho em Eliminatórias para a Copa. Na ocasião, em 1993, o polêmico Etcheverry e Peña marcaram. O Brasil de Carlos Alberto Parreira, coincidentemente, teve o mesmo número de jogadores (dez) que foram para a Copa dos Estados Unidos no ano seguinte.

Em 1997 as equipes fizeram a partida mais importante da história dos confrontos: a final da Copa América disputada em solo boliviano. E o Brasil venceu! Denílson abriu o placar aos 40 minutos do primeiro minuto, mas viu Erwin Sanchez empatar logo em seguida. Somente aos 34 minutos do segundo tempo o Brasil ficou à frente do placar com Ronaldo. Faltando um minuto para o fim, Zé Roberto ampliou e quando o jogo acabou Zagallo proferiu o famoso: vocês vão ter que me engolir.

Para as Eliminatórias da Copa de 2002 a Bolívia voltou a vencer depois de dois jogos. Em 2001, Líder Paz e Baldivieso duas vezes marcaram para os donos da casa e Edílson descontou para o Brasil. Em 2005, no último confronto entre os times na altitude, empate por 1 a 1. Juninho Pernambucano e José Castillo marcaram.

Por Raoni David

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At home, Bolivia is almost unbeatable

The Bolivian national team never was considered tough opponent, it is hard to think they will ever become a powerhouse in terms of football. One example to illustrate the poor record of the Bolivians is showing their confrontation stats with other teams.

Brazil has played against the Bolivians 25 times, the first one was in the 1930 World Cup, so far Brazil notched up 18 wins, only four matches ended with the side from the Andes victorious. The other three matches were tied, Brazil scored a total of 86 goals and Bolivia managed to score 23 times, a major advantage to the Brazilians.

However when Bolivia plays at home ground, history shows that they increase their chances to win. Against Brazil they played seven times, with four wins, two losses and a draw, in their last encounter valid for the Qualifiers to the World Cup, back in 2005.

The first match played in Bolivia between them was in Cochabamba, at 2.560 meter above sea level, valid for the Copa América in 1963, Bolivia won 5 to 4, their key player was Danilo Alvim, nicknamed ‘O Príncipe” (The Prince), from the Vasco crowd in Brazil. Aymoré Moreira coached a team with lack of international experience.

The other six matches were in La Paz, exactly 4.057 meters above the sea level. In 1979, again in a Copa América, Bolivia got their second win, however this time Brazil’s side where a more capable one, with players such as Leão, Oscar, Júnior, Carpegiani and Roberto Dinamite.

In 1981 came the first Brazilian win in the altitude, again for the Qualifiers to the World Cup, the final score was 2 to 1. Scored to Brazil Sócrates and Reinaldo, Aragonés made the Bolivian one, from the group that went to Bolívia 10 players were also in Spain with coach Telê Santana.

Bolivia had to wait twelve years to get a revenge, winning 2 to 0 in the first loss of the Seleção in a Qualifying Tournament ever. “El Diablo” Etcheverry and Peña scored the Bolivian goals in 1993. Parreira also took 10 players that went to Bolivia with him to win the fourth Brazilian title in the US.

In 1997 they had the most important encounter of all: the final game of Copa América. And Brazil managed to get a win in La Paz! Denílson scored the first one late in the first half, but Erwin Sanchez drew right away. At the twilight of the match Brazil scored twice with Ronaldo and Zé Roberto. After the game, Zagallo said one of his most famous sentences: “you will have to swallow me here!”.

For the Qualifyiers to the 2002 World Cup Bolivia once again won, Líder Paz and Baldivieso scored one a piece and Edilson made the Brazilian goal back in 2001. On their last match in the altitude, in 2005, a tie was set after goals from Juninho Pernambucano and José Castillo.

Tradução de Fabricio Presilli

Reedição da ‘final’ de 98 empata novamente

Mesmo tendo perdido a Copa América para o México, a Seleção Brasileira concluiu o ano de 1999 com importantes amistosos, contra fortes seleções. Comandados por Vanderlei Luxemburgo os brasileiros perderam uma e venceram outra contra os argentinos, e ainda tiveram dois empates contra o Holanda e Espanha.

Em nove de outubro de 1999, o adversário era a Holanda. Pouco mais de um ano antes, as equipes se enfrentaram pela semifinal da Copa do Mundo da França, na partida que ficou conhecida como a final antecipada da competição. Fato que não se consumou na decisão.

De todo modo, eram duas das melhores equipes do mundo na época. O Brasil ainda tinha os astros de 98, como Ronaldo, Rivaldo e Roberto Carlos, e tentava se renovar com as presenças de Roque Júnior, Vampeta, Juninho Pernambucano, Felipe e principalmente Ronaldinho Gaúcho.

Tudo isso para enfrentar uma equipe com craques como Seedorf e Bergkamp, que tinham a companhia dos matadores Kluivert e o jovem Van Nistelrooy, o rápido ponta-esquerda Zenden, além de Ronald de Boer, improvisado na lateral-direita e do ótimo goleiro Van der Sar. Ainda ficaram de fora jogadores como Cocu, Frank de Boer, Davids e Overmars.

Apesar de contar com dois meias com bons chutes – Rivaldo e Felipe – além de dois matadores – Ronaldo e Élber – o Brasil acabou contando com os laterais para marcar. Cafu e Roberto Carlos foram os que balançaram a rede de Van der Sar. Os comandados de Frank Rijkaard chegaram aos seus gols com Zenden e o craque Bergkamp. Dida, em ótima fase, ainda pegou um pênalti.

Na mesma data, em solo brasileiro, mais precisamente na cidade do Rio de Janeiro falecia o poeta e diplomata brasileiro, João Cabral de Melo Neto. Autor de ‘Morte e vida Severina’ entre outras obras, o pernambucano faleceu aos 79 anos e torcia pelo América do Rio.

Ficha técnica: Holanda 2×2 Brasil

Holanda
Van der Sar; Ronald de Boer, Bogard, Konterman e Van Bronckhorst; Van Hintum, Winter (Van Gastel) e Seedorf; Zenden (Van Vossen), Bergkamp (Van Nistelrooy) e Kluivert.
Técnico: Frank Rijkaard.

Brasil
Dida [Corinthians]; Cafu [Roma-ITA], Antônio Carlos [Roma-ITA], Roque Júnior [Palmeiras] e Roberto Carlos [Real Madrid-ESP]; Émerson [Bayer Leverkusen-ALE], Vampeta [Corinthians] (Juninho Pernambucano) [Vasco], Felipe [Vasco] (Ronaldinho Gaúcho) [Grêmio] e Rivaldo [Barcelona-ESP]; Ronaldo [Internazionale-ITA] (Marcos Assunção) [Roma-ITA] e Élber [Bayern Munique-ALE] (Sávio) [Real Madrid-ESP]
Técnico: Vanderlei Luxemburgo.

Data: 09 de outubro de 1999
Competição: Amistoso oficial
Local: Amsterdam Arena, em Amsterdam
Árbitro: Markus Merk

Por Raoni David

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Replay of 98 antecipated final, drawn all over again

After losing the Copa América to México, the Seleção finished 1999 with some major friendlies. Coached by Valderlei Luxemburgo the brazilians had a win and a loss against rivals Argentina, and two draws against dutch and spaniards.

On octobert 09th 1999 they would face Netherlands again. Over a year before the two powerhouses faced each other in the 1998 World Cup semifinal match, a game known then as an antecipated final. As we know this fact would not be fulfilled at the final game.

Anyway, those were two of the best teams in the world at that time. Brazil could rely on its 1998 stars such as Ronaldo, Rivaldo and Roberto Carlos and tried some fresh faces as Roque Júnior, Vampeta, Juninho Pernambucano and Felipe, but most of all Ronaldinho Gaúcho.

All this power to face a squad with players like Seedorf and Bergkamp, that kept company of the strikers Kluivert and the young Van Nistelrooy, the fast winger Zenden, besides Ronald de Boer improvised on the right back and the great goalie Van der Sar. They left out of that game players such as Cocu, Frank de Boer, Davids and Overmars.

Altougth Brazil could count on their midfielders Rivaldo and Felipe, or on the strikers Ronaldo and Élber to score, the backs Cafu and Roberto Carlos eventually stepped up to put up one a piece. Netherlands scored with Zenden and the great Bergkamp. Dida was in a good moment and stopped a penalty kick.

On a side note, that same day in Rio de Janeiro passed away the great poet João Cabral de Melo Neto, author of “Morte e Vida Severina”, among others. He was 79 and supported América from Rio.

Netherlands 2×2 Brazil

Netherlands
Van der Sar; Ronald de Boer, Bogard, Konterman and Van Bronckhorst; Van Hintum, Winter (Van Gastel) and Seedorf; Zenden (Van Vossen), Bergkamp (Van Nistelrooy) and Kluivert.
Coach: Frank Rijkaard.

Brazil
Dida [Corinthians]; Cafu [Roma], Antônio Carlos [Roma], Roque Júnior [Palmeiras] and Roberto Carlos [Real Madrid]; Émerson [Bayer Leverkusen], Vampeta [Corinthians] (Juninho Pernambucano) [Vasco], Felipe [Vasco] (Ronaldinho Gaúcho) [Grêmio] and Rivaldo [Barcelona]; Ronaldo [Internazionale] (Marcos Assunção) [Roma] and Élber [Bayern Müchen] (Sávio) [Real Madrid]
Coach: Vanderlei Luxemburgo.

Date: 09th october 1999
Competition: Friendly
Place: Amsterdam Arena, Amsterdam
Referee: Markus Merk

Tradução de Fabricio Presilli

Goleada para acalmar os ânimos

Auxiliar técnico de Vanderlei Luxemburgo, Candinho avisava: o Brasil vai terminar o primeiro turno das Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2002 em segundo lugar. E com o mundo caindo sobre Luxa após a conquista da medalha de bronze em Sidney, o próprio Candinho foi o treinador na partida que colocou a Seleção Brasileira no segundo lugar.

Em oito de outubro de 2000, a seleção venezuelana seria o adversário. O Brasil, ainda comandado por Luxa, vinha de goleada sobre a Bolívia, no Maracanã, por 5 a 0, e em Maracaíbo, contra a ainda inexpressiva Venezuela (como cresceu o futebol do país de Hugo Chávez!), a história não poderia ser diferente.

Romário, que não jogaria a Copa do Mundo na Ásia, com a seleção já sob o comando de Felipão, e que estava mordido por ficar de fora das Olimpíadas, comandou a festa e balançou a rede quatro vezes. Euller e Juninho Paulista completaram a festa vascaína.

O time da Colina, que dois meses mais tarde seria campeão da Copa João Havelange, deu o tom no time do meio pra frente. Juninho Pernambucano vestiu a nove, o Paulista ficou com a dez. Romário tinha a histórica camisa 11 e Euller, jogou com a sete.

Outra curiosidade da partida, foi a pouca presença de jogadores atuando fora do país. Dos 14 que participaram do jogo, apenas cinco eram ‘estrangeiros’. Da Itália vinham Cafu e Antônio Carlos, que ainda estava na Roma, além de Vampeta, jogador do Inter de Milão. Sylvinho estava no Arsenal da Inglaterra e Zé Roberto, no Bayer Leverkusen, da Alemanha.

Ficha técnica: Venezuela 0x6 Brasil

Venezuela
Angelucci; Jimenez, Alvarado, Gonzalez e Martínez; Garcia (Savarese), Echenaussi (Arango), Farias e Rey; Ornellas e Morán (Paez)
Técnico: José Omar Pastoriza

Brasil
Rogério Ceni [São Paulo]; Cafu [Roma-ITA], Antônio Carlos [Roma-ITA], Cléber [Cruzeiro] e Sylvinho [Arsenal-ING]; Donizete Oliveira [Cruzeiro], Vampeta [Internazionale-ITA], Juninho Pernambucano [Vasco] (Zé Roberto) [Bayer Leverkusen-ALE] e Juninho Paulista [Vasco] (Ricardinho) [Cruzeiro]; Euller [Vasco] (Marques) [Atlético Mineiro] e Romário [Vasco]
Técnico: Candinho

Data: 08 de outubro de 2000
Competição: Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2002
Local: Estádio Pachencho Romero, em Maracaíbo
Árbitro: Ubaldo Aquino.

Por Raoni David

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Tons of goals to give morale

As an assistant for coach Vanderlei Luxembrugo, Candinho warned: Brazil will finish the first half of the Qualifiyng Tournament for the 2002 World Cup in second place. With the world’s weigth on Luxemburgo’s shoulders after he managed to win only a bronze medal in the Sydney Olympics, not good enough for the brazilians considering the national team never won gold, it took up to himself to put the Seleção on that second spot he predicted.

On october 8th of 2000, the national Venezuelan team would be the opponents. Brazil’s last game was under coach Luxemburgo, a pack of 5 goals against Bolívia at Maracanã Stadium, and in Maracaibo they would play the underdog local team (how grown is local football in the land of Hugo Chavez now!), the story could not be different.

Romário, that eventually would not play in the World Cup already under coach Felipão, was holding a grudge because of being left off the Olympic Tournament, lead the way with four goals. Euller and Juninho Paulista putted to bed the Vasco party. All of them were teamates at the carioca club.

Vasco would eventually be the champion for Copa João Havelange that year, and they set the tone of the team in the front. Juninho Pernambucano worn number 9, Paulista with number 10, Romário with his historic 11 and Euller with the lucky 7.

Another curious thing that happened in that game was the slim presence of players from abroad, a tendence in brazilian national squads lately. From the 14 the played only five of them had contracts with clubs from outside Brazil. From Italy Cafu and Antônio Carlos, still in Rome, besides Vampeta that played in Internazionale, Sylvinho was in Arsenal and Zé Roberto in german club Bayer Leverkusen.

Venezuela 0x6 Brasil

Venezuela
Angelucci; Jimenez, Alvarado, Gonzalez and Martínez; Garcia (Savarese), Echenaussi (Arango), Farias and Rey; Ornellas and Morán (Paez)
Coach: José Omar Pastoriza

Brasil
Rogério Ceni [São Paulo]; Cafu [Roma], Antônio Carlos [Roma], Cléber [Cruzeiro] and Sylvinho [Arsenal]; Donizete Oliveira [Cruzeiro], Vampeta [Internazionale], Juninho Pernambucano [Vasco] (Zé Roberto) [Bayer Leverkusen] and Juninho Paulista [Vasco] (Ricardinho) [Cruzeiro]; Euller [Vasco] (Marques) [Atlético Mineiro] and Romário [Vasco]
Coach: Candinho

Date: 08th october 2000
Competition: 2002 World Cup Qualifiers
Place: Pachencho Romero Stadium, in Maracaíbo
Referee: Ubaldo Aquino.

Tradução de Fabricio Presilli