14 gols, na maior goleada da história da seleção

A Seleção Brasileira sempre teve vocação para os gols, mas jamais marcou tanto quanto na vitória sobre a Nicarágua, em 17 de outubro de 1975. A partida era válida pelos Jogos Pan Americanos do México e foi disputada no lendário estádio Azteca, onde cinco anos antes o time brasileiro comemorou o tri campeonato mundial.

Os 14 a 0 aplicados pelo time comandado por Zizinho, ex-craque da década de 50, ficou para a história, como a maior goleada que a seleção brasileira já impôs à um adversário. Há quem diga que em 1959 é que aconteceu a maior goleada da seleção, e sobre a França: 25 a 0. No entanto, não existe a confirmação.

Por isso, os jogadores que participaram desta partida entraram para a história da seleção brasileira. Só que a maioria se resumiu a este jogo. O que não foi o caso do zagueiro/lateral-esquerdo Edinho. Deste time que entrou em campo, foi quem melhor se apresentou ao longo da carreira, tanto que participaria das Copas do Mundo de 1982 e 86.

Outro que também disputou Copa foi o volante Batista. Mas ele não foi titular deste jogo, e entrou apenas no segundo tempo, no lugar do também volante Alberto Leguelé, então no Bahia, mas que mais tarde iria com pompas para o Flamengo, onde viria a decepcionar.

Outros chegaram a ter sucesso em suas equipes, como por exemplo, o lateral-direito Mauro, do Guarani, ou o zagueiro Bianchi do Santos. Marcelo Oliveira, atacante do Atlético Mineiro, além de cumprir bom papel dentro do gramado ainda comandou a equipe como treinador, e ainda conseguiu livrá-la de um rebaixamento no Campeonato Brasileiro.

No entanto, o grande nome do jogo foi o atacante Luís Alberto, que balançou a rede em quatro oportunidades. Luís Alberto Pirola defendeu as cores do Fluminense entre 1973 e 1976, tendo feito 43 jogos e 14 gols. Foi bicampeão carioca em 1975 e 1976. Depois do Fluminense rodou pelo interior paulista, jogando pelo Guarani, Ferroviária e Comercial. Mas definitivamente não manteve o nível que se espera de alguém que entra para a história da seleção brasileira.

O atacante Santos, do Santa Cruz, além de Batista e Marcelo Oliveira marcaram duas vezes cada. Rosemiro, então no Remo, Erivelto do Fluminense, Eudes da Portuguesa e Chico Fraga do Internacional marcou um gol cada para completar a sonora goleada.

Ficha técnica: Brasil 14 x 0 Nicarágua

Brasil
Zé Carlos II [Botafogo]; Mauro [Guarani], Bianchi [Santos], Edinho [Fluminense] e Chico Fraga [Internacional]; Alberto Leguelé [Bahia] (Batista) [Internacional], Eudes [Portuguesa] e Rosemiro [Remo]; Luís Alberto [Fluminense] (Marcelo Oliveira) [Atlético Mineiro], Erivelto [Fluminense] e Santos [Santa Cruz]
Técnico: Zizinho

Nicarágua
Salvador Dubois Leiva; Silvio Aguirre Villavicencio, Francisco Hernández Tapia, Ricardo Fernández Ortiz e Edgard Flores Donaire; Victor Grausa, Maurício Cruz Girón e Armando Cuadra Serrano; Rodolfo Acevedo Molina (Maurício Rivaz Lopes), Francisco Romero Mendoza e Gustavo Sequeira Moreno.

Data: 17 de outubro de 1975
Competição: Jogos Pan Americanos
Local: Estádio Azteca, Cidade do México
Árbitro: I. Calderon

Por Raoni David
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Brazil’s biggest win ever

One could always rely on the Brazilian team when it came to scoring, but even the Brazilian supporters would imagine a blowout like that over Nicaragua on October 17th of 1975. Playing for the Pan American Games in Mexico City at Azteca Stadium, the place where Pelé celebrated Brazil’s third World Cup title five years before.

The 14 goals that Brazil scored are in the books as the biggest blowout of the Seleção ever. There is a controversy over a match against France in 1959, some say that the score was 25 to 9, but there is no confirmation of that fact.

The player that really went along with the national squad was Edinho, he was a member of the team in the 80’s World Cups, another player that stayed in the Seleção for years was Batista, the only two of this team. Other players found happiness in their clubs, like Mauro in Guarani, Bianchi in Santos and Marcelo Oliveira at Atlético Mineiro.

But it is safe to say that the best player in the pitch back them was the forward Luís Alberto, with four goals. A Fluminese player, Luís Alberto won the Carioca Championship on two occasions.

The other forward, Santos, Batista and Marcelo Oliveira scored two goals each. Rosemiro, Erivelto, Eudes and Chico Fraga made one a piece to complete the final score.

Brazil 14 x 0 Nicaragua

Brazil
Zé Carlos II [Botafogo]; Mauro [Guarani], Bianchi [Santos], Edinho [Fluminense] and Chico Fraga [Internacional]; Alberto Leguelé [Bahia] (Batista) [Internacional], Eudes [Portuguesa] and Rosemiro [Remo]; Luís Alberto [Fluminense] (Marcelo Oliveira) [Atlético Mineiro], Erivelto [Fluminense] and Santos [Santa Cruz]
Coach: Zizinho

Nicaragua
Salvador Dubois Leiva; Silvio Aguirre Villavicencio, Francisco Hernández Tapia, Ricardo Fernández Ortiz and Edgard Flores Donaire; Victor Grausa, Maurício Cruz Girón and Armando Cuadra Serrano; Rodolfo Acevedo Molina (Maurício Rivaz Lopes), Francisco Romero Mendoza and Gustavo Sequeira Moreno.

Date: 17th October 1975
Competition: Pan American Games
Place: Azteca Stadium, México City
Referee: I. Calderon

Tradução de Fabricio Presilli

Estreia vitoriosa no Pan que teve medalha de ouro cassada

Com um time formado por jovens jogadores, que mais tarde se destacariam uns mais que outros, o Brasil disputou os Jogos Pan Americanos do México, com quem acabou dividindo a medalha de ouro da competição, já que a decisão fora interrompida. Mais tarde a FIFA cassaria essa medalha.

No entanto, em 14 de outubro de 1975, o Brasil estreou na competição diante da Costa Rica. Numa campanha em que o Brasil marcou 33 gols em oito jogos, o 3 a 1 da vitória sobre os costa-riquenhos foi pouco. Principalmente se comparado aos 6 a 0 na Bolívia, 7 a 0 em Trinidad e Tobago, ou ainda os 14 a 0 sobre a Nicarágua.

Fazia parte do elenco brasileiro comandado pela lenda Zizinho, jogadores que mais tarde se consagrariam no cenário nacional, como o goleiro Carlos, ainda na Ponte Preta, o lateral-direito Rosemiro, que atuava pelo Remo, o zagueiro-lateral-esquerdo Edinho, desde então no Fluminense, o volante Batista, que já atuava no Internacional e a eterna promessa Claudio Adão, que a essa altura já vestia a camisa flamenguista.

Outros tiveram algum sucesso, como Tiquinho, que jogou no Botafogo, mas foi ídolo de verdade da torcida do Ceará, ou Eudes, que se destacou com a camisa da Portuguesa, mas não deu tão certo no Cruzeiro. Marcelo Oliveira, atacante atleticano que neste novo século chegou a assumir o comando técnico da equipe, chegou a disputar a Copa América com a seleção principal no mesmo ano, mas também não virou tudo o que se imaginava dele. O zagueiro Tecão, dois anos depois, seria campeão brasileiro com o São Paulo

Alguns além de decepcionarem e viraram folclore, como o volante Alberto Leguelé. Quando disputou o Pan ainda estava no Bahia e seu futebol chamou a atenção do Flamengo, que começava a montagem do maior time da história do clube. Leguelé, porém, não jogou a mesma bola de antes, e acabou não fazendo parte daquele timaço.

Na partida, o Brasil contou com o rápido Tiquinho e com o habilidoso Cláudio Adão para marcar. Porém, talvez os adversários tenha achado que era pouco e resolveu ajudar, marcando gol contra com Vasques. O atacante Wanchope (seria o pai) foi quem diminuiu o placar.

Ficha técnica: Brasil 3 x 1 Costa Rica

Brasil
Carlos [Ponte Preta]; Rosemiro [Remo], Tecão [São Paulo], Edinho [Fluminense] e Carlinhos [Fluminense]; Alberto Leguelé [Bahia] e Batista [Internacional], (Eudes) [Portuguesa de Desportos]; Tiquinho [Botafogo], Marcelo Oliveira [Atlético Mineiro], Cláudio Adão [Flamengo] (Luís Alberto) [Fluminense] e Pitta [Corinthians]
Técnico: Zizinho.

Costa Rica
Rojas; Stupiñan, Aguero, Watson e Vasquez; Barrantes e Villalobos (Pinagua); Alvorado, Camacho, Wanchope e Gimenez (Solano)
Técnico: Desconhecido.

Data: 14 de outubro de 1975
Competição: Jogos Pan Americanos do México
Local: Estádio Azteca, na cidade do México
Árbitro: E. Mendonza

Por Raoni David

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A win in the first game of the Pan American Games

Brazil sent to Mexico a squad with young players, some of them would turn out to be regulars in the Seleção, and eventually won the gold medal at the final, a split decision with Mexico, that later got overturned by FIFA.

On the 14th of October in 1975 Brazil made his debut against Costa Rica. Considering that through the competition Brazil scored 33 goals in only eigth matches, the 3 scored in the Costa Ricans were just the start of a good campaign. After this game Brazil scored 6 goals against Bolivia, 7 in Trinidad and Tobago and amazing 14 over Nicaragua.

Coach Zizinho had with him some players that later would be stars locally, such as the keeper Carlos, the right back Rosemiro, left back Edinho and the forward Claudio Adão, already at Flamengo at that time.

Other players moved clubs later to be more sucessful, like Tiquinho that found love in Ceará after a passage in Botafogo, or Eudes that played well in Portuguesa after failing to make an impression in Cruzeiro. Marcelo Oliveira was a forward at Atlético Mineiro, some years ago he was hired to coach the same team, was at a Copa América roster in the 70’s, but never really prove to be what everybody thougth he could be. Leguelé is an example of a player with a good game in a small market, Salvador in Bahia, that shrinked after a transfer to powerhouse Flamengo, in Rio.

At that match, Brazil played with fast forward Tiquinho and skillful Claudio Adão, with a help from the oppponent that scored an own goal before Wanchope (the father of the one we know now) could score Costa Rica single goal of the game.

Brazil 3 x 1 Costa Rica

Brazil
Carlos [Ponte Preta]; Rosemiro [Remo], Tecão [São Paulo], Edinho [Fluminense] and Carlinhos [Fluminense]; Alberto Leguelé [Bahia] and Batista [Internacional], (Eudes) [Portuguesa de Desportos]; Tiquinho [Botafogo], Marcelo Oliveira [Atlético Mineiro], Cláudio Adão [Flamengo] (Luís Alberto) [Fluminense] and Pitta [Corinthians]
Coach: Zizinho.

Costa Rica
Rojas; Stupiñan, Aguero, Watson and Vasquez; Barrantes and Villalobos (Pinagua); Alvorado, Camacho, Wanchope and Gimenez (Solano)
Coach: Unknown.

Date: 14th october 1975
Competition: Pan American Games
Place: Azteca Stadium, Mexico City, México
Referee: E. Mendonza

Tradução de Fabricio Presilli