Com empate, Brasil eliminava a Argentina na Copa América, mas não seria feliz

Carlos Alberto Parreira é um treinador de futebol diferente da maioria, pois embora tenha certa ligação com o Fluminense, a sua identificação maior é com a Seleção Brasileira. Sua primeira passagem como treinador aconteceu em 1983 e não durou muito. Em pouco tempo, porém, deu tempo de perder uma Copa América.

Após a traumatizante derrota e eliminação para a Itália na Copa do Mundo de 1982, a primeira competição oficial disputada pela seleção foi a Copa América de 1983 que foi disputada sem sede única, com jogos de ida e volta.

Em 14 de setembro, foi a vez de o Brasil receber a Argentina no estádio do Maracanã em situação até confortável. Ambas as seleções tinham 4 pontos no Grupo 2 e o Brasil, com melhor saldo de gols, poderia até empatar o confronto e estaria na semifinal. Foi o que aconteceu e de quebra, invicta, a Argentina foi eliminada.

Nesta quarta-feira, poucos remanescentes do time que encantou a torcida brasileira no ano anterior entraram em campo, como os laterais Leandro e Júnior, o meia Sócrates e o atacante Éder Aleixo. Roberto Dinamite, artilheiro desta Copa América com três gols, estava naquele grupo comandado por Telê Santana, mas não jogou.

A base da equipe, mais do que antes, era o Flamengo. Na zaga, Mozer atuou ao lado de Márcio Rossini, do Santos, finalista do Campeonato Brasileiro daquele ano contra o próprio time carioca. Andrade, pedido de muitos naquela seleção, entrava no meio de campo ao lado de Jorginho Putinatti, do Palmeiras.

No ataque, a principal mudança: pontas. Apesar de a equipe de Telê Santana ter encantado o mundo, Jô Soares vivia pedindo pontas na equipe e Parreira, um ano depois, atendeu escalando Renato Gaúcho e Éder Aleixo.

O resultado, porém, não foi lá essas coisas: 0 a 0 contra uma Argentina bastante modificada com relação à Copa do Mundo da Espanha. Dos 13 que entraram em campo no Rio de Janeiro, apenas o goleiro Fillol esteve na derrota para o próprio Brasil por 3 a 1, um pouco mais de um ano antes. Olarticoechea e Trossero estavam naquele grupo, mas os outros dez não.

Poucos também estariam na conquista da Copa do Mundo do México em 1986. Apenas Olarticoechea, Brown, Garré e Burruchaga ajudaram Diego Armando Maradona na conquista do bicampeonato do Mundo.

O Brasil ainda foi à final do torneio que não vencia desde 1949, mas foi derrotado pelo Uruguai e se manteve em jejum de conquistas.

Ficha técnica
Brasil 0x0 Argentina

Data: 14/09/1983
Competição: Copa América
Local: Estádio do Maracanã
Cidade: Rio de Janeiro
Árbitro: Mario Lira (Chile)

Brasil: Leão [Corinthians]; Leandro [Flamengo], Márcio Rossini [Santos], Mozer [Flamengo] e Júnior I [Flamengo]; Andrade [Flamengo], Jorginho Putinatti [Palmeiras] e Sócrates [Corinthians]; Renato Gaúcho [Grêmio], Roberto Dinamite [Vasco] e Éder [Atlético-MG].
Técnico: Carlos Alberto Parreira.

Argentina: Fillol; Brown, Garré, Russo e Olarticoechea; Marangoni, Trossero, Marcico (Ponce) e Burruchaga; Sabella (Ramos) e Gareca.
Técnico: Carlos Bilardo.

Por Raoni David

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In 1983, a rebuilding Brazil eliminated Argentina from the Copa América

Carlos Alberto Parreira has a peculiar coaching history that is more connected with the National team than any club in Brazil. His first tenure at the Brazilian bench didn’t last long back in 1983.

The 1983 Copa América was the first official tournament played for the Brazilians after the traumatic loss to Italy at the 1982 World Cup. The competition had a different setup back then, with home and away games inside the group. At September 14th that year, Brazil hosted bitter rivals Argentina in Maracanã having the advantage of a draw to advance to the semifinals.

Brazil was in a rebuild mode, with only a handful of players left from the magnificent squad that went to Spain a year before. Guys like Leandro, Júnior, Sócraes and Éder Aleixo where at the group. Roberto Dinamite went to Spain but never made to the pitch, and now he led the scoring charts.

Flamengo was the best Brazilian squad in the 80’s and made up for the most players at the National team. Mozer paired up with Santos’ Márcio Rossini at the defence and Andrade won a spot at midfield, sided with Palmeiras’ Jorginho Putinatti. The offensive cast had the biggest changes, with wingers Renato Gaúcho and Éder Aleixo starting.

Argentina had a new team as well, only keeper Fillol remained from the defeat the suffered from Brazil the year before. Some,like Olarticoechea, Brown, Garré and Burruchaga made to the 1986 World Cup, where they helped Maradona to win his biggest title.

The result of the game was na unispiring goaless draw that gave Brazil the first chance since 1949 to win the Copa América. A defeat to Uruguay in the final kept the Brazilian title drought alive at the 1980’s.

Brazil 0x0 Argentina

Date: 14/09/1983
Competition: Copa América
Place: Maracanã Stadium
City: Rio de Janeiro
Referee: Mario Lira (Chile)

Brazil: Leão [Corinthians]; Leandro [Flamengo], Márcio Rossini [Santos], Mozer [Flamengo] and Júnior I [Flamengo]; Andrade [Flamengo], Jorginho Putinatti [Palmeiras] and Sócrates [Corinthians]; Renato Gaúcho [Grêmio], Roberto Dinamite [Vasco] and Éder [Atlético-MG].
Coach: Carlos Alberto Parreira.

Argentina: Fillol; Brown, Garré, Russo and Olarticoechea; Marangoni, Trossero, Marcico (Ponce) and Burruchaga; Sabella (Ramos) and Gareca.
Coach: Carlos Bilardo.

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Na Bahia, Brasil deixa escapar título da Copa América de 83

O último título de expressão do Brasil havia sido a Copa do Mundo de 70, e já se passavam 13 anos deste feito. Desde então perdemos de uma Holanda irresistível a Copa de 74, para a ditadura argentina a de 78 e para o atacante Paolo Rossi a de 82. Mas os jejum em Copas era pequeno se comparado aos 40 anos sem vencer a Copa América.

Entre o título de 70, e a decisão da Copa América de 1983, em 04 de novembro, foram disputadas apenas duas edições do torneio continental, e o Brasil ficou em terceiro em 75 e 79. A última vez que esteve em uma decisão foi em 63, quando foi derrotado pela Argentina com um time que em nada lembrava o campeão do mundo, um ano antes.

Na Fonte Nova, sem nenhum jogador de times baianos, naquela sexta-feira, o Brasil tinha a chance de mudar essa história de fracassos, que inclusive marcou essa geração de jogadores exuberantes, de um futebol vistoso, mas que pouco conquistaram. Quanto a isso, a Copa de 82 é emblemática.

Após vencer em casa por 2 a 0 uma semana antes, a seleção uruguaia comandada em campo pelo craque Enzo Francescoli, precisava apenas de um empate para garantir o título. Ao Brasil, cabia uma vitória no tempo normal e outra na prorrogação.

E por alguns instantes o time comandado por Carlos Alberto Parreira deu pinta de que faria a festa do povo baiano com a conquista. O rápido meia Jorginho Putinatti abriu o placar logo aos 23 minutos. O atleta revelado pelo Marília e que atuava pelo Palmeiras à época, marcou apenas dois gols em seus 17 jogos com a camisa da seleção. Um deles poderia entrar para a história…

Mas não entrou. Na verdade passou despercebido diante do empate uruguaio. Já na parte final do jogo, aos 30 minutos do segundo tempo o atacante Carlos Aguilera, revelado pelo River Plate de Montevidéu, mas que já atuava pelo grande Nacional, marcou o gol do título.

O Brasil ainda passaria em branco por mais uma Copa América, quando em 87 foi simplesmente humilhado pela seleção chilena na Argentina numa derrota por 4 a 0. Dois anos mais tarde, porém, o jejum findaria. Mas estes são assuntos para outros posts…

Ficha técnica: Brasil 1 x 1 Uruguai

Brasil
Leão [Corinthians]; Paulo Roberto [Grêmio], Márcio Rossini [Santos], Mozer [Flamengo] e Júnior I [Flamengo]; China [Grêmio], Jorginho II [Palmeiras], Sócrates [Corinthians] e Tita [Flamengo] (Renato Gaúcho) [Grêmio]; Roberto Dinamite [Vasco] (Careca I) [São Paulo]
Éder Aleixo [Atlético-MG]
Técnico: Carlos Alberto Parreira

Uruguai
Rodolfo Rodríguez; Diogo, Gutierrez, Acevedo e Washington González; Agresta, Barrios e Francescoli; Aguilera (Bossio), Cabrera e Acosta (Venancio Ramos)
Técnico: Omar Borras

Data: 04 de novembro de 1983
Competição: Copa América
Local: Estádio da Fonte Nova, em Salvador
Árbitro: Edson Perez

Por Raoni David
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Playing at home, Brazil lost a title in 1983

Brazil’s supporters were starting to forget the feeling of winning in 1983, with the World Cup 13 years away, and a series of defeats in the main competition, Brazilians were confident the drought in South America, that lasted 40 years, would end that year.

In the only two Copa América disputed in the 70’s, Brazilians came in third in 1975 and 1979, the last time Brazil made to the final game was in 1963, defeated by Argentina. Playing in Bahia without anyone from local teams in the Seleção, that friday really could enter the history books and change a generation filled with failures.

The Uruguayans and their main player, Enzo Francescoli, won 2 to 0 at home one week earlier, needed a tie to win the title, Brazil had to win in regular time and again in overtime to keep the title.

Under coach Parreira, the team had a good start with a goal from Jorginho Putinatti, one of his two goals with the Selação, but Uruguay tied in the second half with Carlos Aguilera, a forward that played in Naciona back home.

Brazil would have to wait until 1989 to win a Copa América, playing at home, but that is a subject for another post.

Brazil 1 x 1 Uruguay

Brazil
Leão [Corinthians]; Paulo Roberto [Grêmio], Márcio Rossini [Santos], Mozer [Flamengo] and Júnior I [Flamengo]; China [Grêmio], Jorginho II [Palmeiras], Sócrates [Corinthians] and Tita [Flamengo] (Renato Gaúcho) [Grêmio]; Roberto Dinamite [Vasco] (Careca I) [São Paulo] Éder Aleixo [Atlético-MG].
Coach: Carlos Alberto Parreira

Uruguay
Rodolfo Rodríguez; Diogo, Gutierrez, Acevedo and Washington González; Agresta, Barrios and Francescoli; Aguilera (Bossio), Cabrera and Acosta (Venancio Ramos).
Coach: Omar Borras

Date: 04th November 1983
Competition: Copa América
Place: Fonte Nova Stadium, Salvador
Referee: Edson Perez

Tradução de Fabricio Presilli

Na estreia da melhor ‘Era Parreira’, vitória contra a Iugoslávia

A Seleção Brasileira, em 1991, vivia, talvez, a sua maior crise em todos os tempos. Sem ganha uma Copa há 21 anos, e recém-eliminada da última para a maior rival Argentina, apresentando um futebol bastante burocrático, o esporte, no país, parecia fadado ao fracasso.

A esperança estava em um novo técnico. Na figura de Paulo Roberto Falcão os bons tempos estavam personificados naquele volante moderno, que sabia sair para o jogo e se transformar num meia-direita. Porém, como técnico, entre os anos de 90 e 91 foram 17 jogos e apenas seis vitórias, sete empates e quatro derrotas. Pior ainda foi Ernesto Paulo, que dirigiu a equipe num único jogo: 1 a 0 País de Gales.

Eis que no dia 30 de outubro de 1991, Carlos Alberto Parreira faria seu primeiro jogo em sua segunda passagem pela Seleção Brasileira. A partida era amistosa e o adversário um tanto mais complicado que os gauleses.

A Iugoslávia tinha um time respeitável, com destaque para Mihaijlovic, que ainda era meio-campista. Mais tarde, já veterano, se mostrou um ótimo zagueiro, especialmente por sem bom chute de esquerda. Savicevic era um meia habilidoso e o também canhoto Mijatovic era um matador nato.

Já o primeiro Brasil da melhor passagem de Parreira no comando da seleção contava com poucos nomes experientes. A grande exceção era o goleiro Carlos e o atacante Renato Gaúcho. O restante ainda não tinha seus nomes fincados no futebol brasileiro, até, principalmente pela falta de títulos conquistados.

É importante salientar, porém, que poucos não o fizeram. Dos 14 que entraram em campo, Lira, lateral-esquerdo do Grêmio e Luís Henrique, meio-campista do Palmeiras, não se firmaram como grandes nomes. O ponta-esquerda são-paulino Elivélton ficou famoso por gols importantes, mas nunca se firmou como titular em lugar algum. Já Luís Carlos Winck sempre foi apontado como um dos melhores de sua posição e por sua versatilidade, mas acabou rodando demais. E ainda tinha o Valdeir, atacante que só jogava bem no Rio.

Em compensação, Cafu, Márcio Santos, Mauro Silva, Raí, Bebeto e Müller, tornaram-se ícones. Todos estavam na Copa de 94, quando da conquista do título brasileiro, e a quebra do jejum de 24 anos. Destes, somente Müller não teve participação direta, em campo, na conquista. Outro que teve ótima carreira, porém nem tanto na seleção, foi o zagueiro Antônio Carlos.

No jogo, Luís Henrique abriu o placar para o Brasil, que sofreu o empate com Lukic. No entanto, a dupla do Morumbi, Müller e Raí deram números finais ao jogo. Pouco mais de um ano depois, ambos, em especial o segundo, teriam atuações decisivas no primeiro título Mundial conquistado pelo São Paulo, e por Telê Santana.

Ficha técnica: Brasil 3 x 1 Iugoslávia

Brasil
Carlos [Palmeiras]; Luís Carlos Winck [Vasco] (Cafu) [São Paulo], Antônio Carlos [São Paulo], Márcio Santos [Internacional] e Lira [Grêmio]; Mauro Silva [Bragantino], Luís Henrique II [Palmeiras] e Raí [São Paulo]; Renato Gaúcho [Grêmio] (Valdeir) [Botafogo], Bebeto [Vasco] (Müller) [São Paulo] e Elivélton [São Paulo].
Técnico: Carlos Alberto Parreira

Iugoslávia
F. Omerovic; B. Vujacic, D. Novak, I. Najdoski (B. Babuski) e D. Milanic (M. Stanic); V. Jugovic, S. Jokanovic, S. Mihaijlovic (S. Curcic) e D. Savicevic; P. Mijatovic (R. Vidakovic) e V. Lukic.
Técnico: Ivan Ivica Osim

Data: 30 de outubro de 1991
Competição: Amistoso
Local: estádio Dilzon Melo, em Varginha, Minas Gerais
Árbitro: Wilson Carlos dos Santos

Por Raoni David
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At Parreira’s new debut, a win over Yugoslavians

Back in 1991 the Seleção was in the worst possible place. They had 21 years since last winnig a World title and lost in the last World Cup to the main rival, Argentina, with a heavily criticized team over its poor performance.

So the hope of the supporters turned to a change in the management position. Paulo Roberto Falcão was a defensive midfielder who knew how to treat the ball, back in th 80’s, However his adventure as coach between 1990 and 1991 lasted only 17 games, seven ties and four defeats later he was no longer the coach. Ernesto Paulo managed to be even worst, managing a game versus Wales that Brazil lost 1 to 0.

And by the end of October of 1991, Carlos Alberto Parreira would debut in his second term as national coach. The friendly had an adversary way togher than Wales. Yugoslavia had a very good team, players like Mihaijlovic, Savicevic and Mijatovic, all in the history books of the Balkans coutries, were in that team.

Brazil on the other hand had only a few experienced players to rely on, the forward Renato Gaúcho and keeper Carlos were the big names, all the others hadn’t had a chance to shine locally yet.

From the 14 players Parreira put on the field that day, only left back Lira and midfielder Luís Henrique never really made an impact in the big teams. Elivélton became known as a guy that scored important goals, mostly as a backup in São Paulo. Luís Carlos Winck was recognized as one of the best rigth backs in the country, but several club changes left him off the Seleção, and forward Valdeir made his name in Rio, but only there.

Parreira took several players from this match to the World Cup in 1994, Cafu, Márcio Santos, Mauro Silva, Raí, Bebeto and Muller went to the USA. Aside of the last one, all of them played na importan role in the World Cup. Another player that had good years in clubs but never excelled in Seleção was Antônio Carlos.

Luís Henrique scored Brazil’s first goal, Lukic tied before the couple from São Paulo, Muller and Raí, gave final numbers to the match. A little over a yera later both won the Club World Championship with Telê Santana over Barcelona.

No jogo, Luís Henrique abriu o placar para o Brasil, que sofreu o empate com Lukic. No entanto, a dupla do Morumbi, Müller e Raí deram números finais ao jogo. Pouco mais de um ano depois, ambos, em especial o segundo, teriam atuações decisivas no primeiro título Mundial conquistado pelo São Paulo, e por Telê Santana.

Brazil 3 x 1 Yugoslavia

Brazil
Carlos [Palmeiras]; Luís Carlos Winck [Vasco] (Cafu) [São Paulo], Antônio Carlos [São Paulo], Márcio Santos [Internacional] and Lira [Grêmio]; Mauro Silva [Bragantino], Luís Henrique II [Palmeiras] and Raí [São Paulo]; Renato Gaúcho [Grêmio] (Valdeir) [Botafogo], Bebeto [Vasco] (Müller) [São Paulo] and Elivélton [São Paulo].
Coach: Carlos Alberto Parreira

Yugoslavia
F. Omerovic; B. Vujacic, D. Novak, I. Najdoski (B. Babuski) and D. Milanic (M. Stanic); V. Jugovic, S. Jokanovic, S. Mihaijlovic (S. Curcic) and D. Savicevic; P. Mijatovic (R. Vidakovic) and V. Lukic.
Coach: Ivan Ivica Osim

Date: 30th October 1991
Competition: Friendly
Place: Dilzon Melo Stadium, Varginha, Minas Gerais
Referee: Wilson Carlos dos Santos

Tradução de Fabricio Presilli

Vitória uruguaia e manutenção do jejum de títulos do Brasil

O Brasil ficou 24 anos sem vencer uma Copa do Mundo, algo expressivo para o país que era o maior campeão da competição. E o que dizer então do jejum de 40 anos sem vencer a Copa América? Pois é. Entre 1949 e 1989, foram disputadas dez edições da competição e em algumas oportunidades, a Seleção Brasileira, ficou com a segunda colocação, ao menos.

Foi exatamente o que aconteceu em 1983, quando o time comandado por Carlos Alberto Parreira enfrentou o Uruguai na decisão. Como não havia sede na disputa da competição, as equipes, assim como ocorrera nas fases anteriores, se enfrentariam em jogos de ida e volta para definir o campeão da América.

O Brasil teria a vantagem de decidir em casa, na Fonte Nova, a conquista do título. Já que o primeiro jogo foi marcado e aconteceu em solo uruguaio. Assim, em 27 de outubro, em Montevidéu, a Celeste Olímpica se impôs e conquistou a vitória por 2 a 0. O craque Enzo Francescoli marcou aos 40 minutos do primeiro tempo, e o lateral-direito Victor Diogo fechou o placar aos 35 minutos da segunda etapa.

O Brasil de Parreira tinha naquele dia uma seleção bastante ofensiva, como pedia Jô Soares durante a Copa de 82. Renato Gaúcho, ainda do Grêmio jogava na ponta-direita, Éder Aleixo do Atlético Mineiro na esquerda e o vascaíno Roberto Dinamite era o homem de área.

O meio de campo tinha a principal novidade do time: o volante China, do Grêmio. Ao seu lado estavam Renato, do São Paulo, o famoso pé murcho e Jorginho Putinatti do Palmeiras. Ainda apoiavam muito o ataque os laterais Leandro e Júnior, donos da posição em 82, e no Flamengo.

O miolo de zaga brasileiro tinha exatamente o que chamam de ideal para a posição. De um lado, o clássico e bastante técnico Mozer. Do outro, o santista Márcio Rossini, que destacava mais pela vontade e raça, as vezes até exagerados, que qualquer outra coisa. No gol, Leão, que jogava pelo Corinthians, é quem foi buscar as bolas no fundo da rede.

Pouco mais de uma semana depois, o Brasil com algumas mudanças voltava a enfrentar o Uruguai, no estádio da Fonte Nova, e o mero empate por 1 a 1 deixou o título com os rivais uruguaios, e o jejum brasileiro prosseguia.

Ficha técnica: Uruguai 2 x 0 Brasil

Uruguai
Rodolfo Rodríguez; Diogo, Acevedo, Gutierrez e Washington González; Agresta, Barrios e Francescoli; Aguilera (Bossio), Cabrera e Acosta (Venancio Ramos).
Técnico: Omar Borras.

Brasil
Leão [Corinthians]; Leandro [Flamengo], Márcio Rossini [Santos], Mozer [Flamengo] e Júnior I [Flamengo]; China [Grêmio](10 – Tita) [Flamengo], Jorginho II [Palmeiras] e Renato I [São Paulo]; Renato Gaúcho [Grêmio], Roberto Dinamite [Vasco] e Éder [Atlético-MG].
Técnico: Carlos Alberto Parreira

Data: 27 de outubro de 1983
Competição: Copa América
Local: Estádio Centenário, em Montevidéu, no Uruguai
Público: 70 mil pagantes
Árbitro: Hector Rodriguez

Por Raoni David

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Uruguayan win to keep Brazil without local titles

Brazil faced a drought of 24 years without a World Cup title, considering that the Seleção is the record title holder that’s a lot. In Copa América, the title has waited a lot longer to come, 40 years. Between 1949 and 1989, 10 times this Championship was played, and in some of them Brazil came close to being number one, finishing in the second place.

The Copa América of 1983 was one of these, the Seleção was under coach Carlos Alberto Parreira and faced Uruguays in the final match, a two game draw with the second one in Brazil. The first game was in the Uruguayan capital, Montevideo, and in 27th October in 1983 the teams faced each other.The local squad had a better team and won by 2 to 0, goals from Enzo Francescoli with 40 minutes into the game and by Victor Diogo later in the second half.

Brazil had and offensive team back then, not an usual Parreira style as we would learn over the following years. Renato Gaúcho was a right winger, with Éder Aleixo in the left and Roberto Dinamite as a striker in the box. In the midfield the biggest surprise of this team, China, keeping him company were Renato from São Paulo and Jorginho, now an assistant coach at the club he played back then, Palmeiras. The side backs, teamates at Flamengo, Júnior at the left and Leandro at the right played really well offensively, what helped the sqaud.

The center backs were really different from one another, Mozer always showed good posture wereas Márcio Rossini had the will, but not the means to be a better player. The keeper Leão played at Corinthains at that time.

A little over a week later both teams played the second leg in Salvador, the tie in 1 goal gave the Cup to the Uruguayans.

Uruguay 2 x 0 Brazil

Uruguay
Rodolfo Rodríguez; Diogo, Acevedo, Gutierrez and Washington González; Agresta, Barrios and Francescoli; Aguilera (Bossio), Cabrera and Acosta (Venancio Ramos).
Coach: Omar Borras.

Brazil
Leão [Corinthians]; Leandro [Flamengo], Márcio Rossini [Santos], Mozer [Flamengo] and Júnior I [Flamengo]; China [Grêmio] (Tita) [Flamengo], Jorginho II [Palmeiras] and Renato I [São Paulo]; Renato Gaúcho [Grêmio], Roberto Dinamite [Vasco] and Éder [Atlético-MG].
Coach: Carlos Alberto Parreira

Date: 27th October 1983
Competition: Copa América
Place: Centenário Stadium, Montevideo, Uruguay
Attendance: 70,000
Referee: Hector Rodriguez

Tradução de Fabricio Presilli