Ricardo Gomes faz suas apostas e Brasil olímpico apenas empata com o Egito

Em tempos de torneio pré-olímpico, nada melhor que retomar o blog lembrando o início de preparação para a disputa dos Jogos de Atenas, o último grande fracasso nacional no que diz respeito à tentativa do país pentacampeão, conquistar uma medalha dourada. O Torneio Internacional do Qatar era o ponta pé inicial da jornada.

Em 20 de janeiro de 2003 o ex-zagueiro Ricardo Gomes fazia apenas o seu terceiro jogo no comando técnico da Seleção Olímpica. Após se destacar no comando do Paris Saint Germain da França e no Juventude de Caxias do Sul, identificado com a amarelinha desde a época de jogador, recebeu a chance. No entanto, o saldo da experiência foi negativa, com o Brasil fora dos Jogos Olímpicos de Atenas.

O começo do trabalho de Ricardo Gomes teve poucas apostas acertadas. Dos 16 jogadores que entraram em campo no empate por 1 a 1 contra o Egito, no torneio Sub 23, apenas Kaká e o zagueiro Luisão estiveram na Copa do Mundo da Alemanha, três anos mais tarde. O craque do São Paulo, porém, já havia atuado na Copa do Mundo de 2002, com Felipão.

Mais tarde, o lateral-direito Maicon e o meio-campista Júlio Baptista sem firmariam com a camisa da Seleção Brasileira. Fernando, como o sobrenome Menegazzo recebeu suas chances, mas foi sempre bastante criticado pela imprensa de um modo geral e jamais teve sequência.

Algumas das apostas mais equivocadas do treinador foi o goleiro Rubinho e o lateral-direito Ângelo, ambos do Corinthians; os zagueiros Júlio Santos do São Paulo e Adriano do Grêmio e Fabinho, lateral-esquerdo do Paraná.

Outros nomes famosos estavam na equipe como Nenê atualmente no Paris Sain Germain, com passagem por Palmeiras e Santos; Léo Lima, Robert, atacante com passagens por Palmeiras e Cruzeiro; Andrezinho atualmente no Internacional; Marcinho, que disputa o Paulistão 2011 pelo Botafogo de Ribeirão Preto e que jogou por Palmeiras, Corinthians e São Caetano, além do atacante Souza, artilheiro do Campeonato Brasileiro de 2006 pelo Flamengo, mas hostilizado pela torcida corintiana em 2010.

Em campo, o Egito saiu na frente logo aos cinco minutos do primeiro tempo e o Brasil penou para chegar ao empate. Somente aos 24 minutos do segundo tempo foi que o atacante Nenê, revelado pelo Paulista de Jundiaí e à época se transferindo do Palmeiras para o Santos, onde viveria sua melhor fase, marcou o gol do empate brasileiro.

Ficha técnica

Brasil 1×1 Egito
Data: 20 de janeiro de 2003
Competição: Torneio Internacional do Qatar
Local: Estádio Al-Etehad Sport, em Doha, no Qatar
Público: Não divulgado
Árbitro: Carlo Bertolini (Suíça)
Gols: Mohamed Abdel Wahed 5’ do 1º tempo e Nenê 24’ do 2º tempo

Brasil: Rubinho [Corinthians]; Maicon I [Cruzeiro], (Ângelo) [Corinthians], Luisão [Cruzeiro], Júlio Santos [São Paulo] e Fabinho [Paraná Clube] (Adriano II) [Grêmio]; Fernando [Grêmio], Júlio Baptista [São Paulo], (Nenê II) [Palmeiras], Kaká [São Paulo] e Léo Lima [Vasco]; Robert II [São Caetano] (Andrezinho) [Flamengo] e Marcinho [Corinthians] (Souza) [Vasco].
Técnico: Ricardo Gomes.

Egito: Mohamed Sobhi; Mohamed Abdullah (Ahmed Samir), Hossam Ghali (Adel Moustafa), Mohamed Mahrous El-Etrawi, Mahmoud Mahmoud; Ahmed Abou Mesallem, Gamal Hamza (Ahmed Kamal), Mohamed Shawki, Mohamed Abdel Wahed (Mahmoud Fathallah); Reda Shehata, Mohamed Mohsen Abougreisha (Wael Reyadh).
Técnico: Não disponível.

Por Raoni David

——————————————————————————————–

Ricardo Gomes places his bets and Olympic squad ties with Egypt

In the week South Americans countries begin the search for a place in the London Olympics let’s remember the road to Athens, another big failure in the Brazilian attempt to win the gold medal. The Qatar International Tournament was the first step to get to Greece.

On January 20th 2003, the former center back Ricardo Gomes started his third game at the bench of the team. After a good spell in charge of French club Paris Saint Germain and Juventude in Brazil, the former captain received a chance to get the national team to the Olympics. However his tenure was another failure as the Brazilians never made to Athens.

Some of the players that Ricardo Gomes called up to the national squad never made a big impact. From the 16 that entered the pitch against Egypt only Kaká and the defender Luisão made to the 2006 World Cup in Germany. However the São Paulo midfielder wasn’t a surprise anymore, being part of the 2002 Brazilian squad.

Right back Maicon and midfielder Júlio Baptista go to be regulars in the national team later on. Fernando Menegazzo also got some chances but was heavily criticized by the press and never felt at home in yellow.

Some of the wrong bets of Ricardo Gomes were goalie Rubinho and right back Ângelo, both from Corinthians. Center backs Júlio Santos and Adriano as long as left back Fabinho also failed to impress.

Among the famous names of the team was forward Nenê, making headlines in Paris Saint Germain after spells at Palmeiras and Santos. Midfielder Léo Lima, former Palmeiras forward Robert, Internacional midfielder Andrezinho, Marcinho that is now on Botafogo of Ribeirão Preto, and forward Souza, top scorer of the national Championship in 2006.

Egypt managed to score at the beggining and the Brazilians had to work hard to tie the match. Only near the 70th minute forward Nenê, in his best form in Brazil, scored the equalizer that gave final numbers to the match.

Brazil 1×1 Egipt
Date: Janeiro 20TH, 2003
Competition: Qatar International Tournament
Place: Al-Etehad Sport Stadium, Doha, Qatar.
Attendance: Unknwon
Referee: Carlo Bertolini (Switzerland)
Goals: Mohamed Abdel Wahed 5’ and Nenê 69’.

Brazil: Rubinho [Corinthians]; Maicon I [Cruzeiro], (Ângelo) [Corinthians], Luisão [Cruzeiro], Júlio Santos [São Paulo] and Fabinho [Paraná Clube] (Adriano II) [Grêmio]; Fernando [Grêmio], Júlio Baptista [São Paulo], (Nenê II) [Palmeiras], Kaká [São Paulo] and Léo Lima [Vasco]; Robert II [São Caetano] (Andrezinho) [Flamengo] and Marcinho [Corinthians] (Souza) [Vasco].
Coach: Ricardo Gomes.

Egipt: Mohamed Sobhi; Mohamed Abdullah (Ahmed Samir), Hossam Ghali (Adel Moustafa), Mohamed Mahrous El-Etrawi, Mahmoud Mahmoud; Ahmed Abou Mesallem, Gamal Hamza (Ahmed Kamal), Mohamed Shawki, Mohamed Abdel Wahed (Mahmoud Fathallah); Reda Shehata, Mohamed Mohsen Abougreisha (Wael Reyadh).
Coach: Not available.

Tradução de Fabricio Presilli

Em transição, Brasil perde para a Alemanha, mas time tinha futuro

Não há dúvidas de que o momento histórico alemão era muito melhor que o da Seleção Brasileira, pois apenas três anos antes havia conquistado a sua terceira Copa do Mundo, após participar de sua terceira final de mundiais seguidas. O Brasil, por sua vez, não era campeão desde 1970, e colecionava fracassos nas últimas três Copas, sendo eliminado precocemente.

Mesmo assim, porém, o equilíbrio que sempre existiu entre as seleções foi mantido. Em junho de 1993, as equipes haviam se enfrentando num belo empate por três gols. Quando se reencontraram no ano, em 17 de novembro, os alemães, jogando em casa, levaram a melhor e venceram por 2 a 1.

A grande diferença dos times, talvez, fosse a idade. O Brasil era um time completamente diferente daquele que perdeu a Copa de 90, e já um esboço para a disputa da Copa de 94 nos Estados Unidos. A Alemanha havia mudado o treinador com a entrada de Berti Vogts no lugar do campeão Franz Beckenbauer.

Dos 14 jogadores que entraram em campo contra o time de Carlos Alberto Parreira, apenas seis não estiveram no título da Copa de 90: Helmer, Effenberg, Hassler, Moller, Kirsten e Gaudino. Em contra partida, apenas cinco jogadores brasileiros participaram do fracasso na Itália: Jorginho, Mozer, Ricardo Gomes, Branco e Dunga.

As novidades da Seleção Brasileira de Parreira era as presenças de nomes de destaque no cenário nacional, especialmente do Palmeiras, como a linha de frente que tinha Zinho, Evair, Edmundo e Edílson, que entrou no segundo tempo, no lugar de Raí. A boa campanha corintiana no Brasileiro rendeu as presenças do goleiro Ronaldo e do meia-atacante Válber. Outro que jogava em solo nacional era o experiente lateral-esquerdo Branco, que estava no Grêmio.

Ao contrário do que se viu na Copa, um ano depois, porém, o Brasil era escalado de modo bastante ofensivo. À frente da linha de quatro da defesa, estava apenas um volante: Dunga. O meio de campo ainda era formado por Zinho, Raí e Paulo Sérgio, que com velocidade, participava muito do setor ofensivo. No Corinthians, era praticamente um ponta. Completavam a equipe, Edmundo e Evair.

Apesar de todo o poderio ofensivo brasileiro, os alemães levaram a melhor com gols do zagueiro Buchwald e do meia-atacante Moller. Evair marcou o gol de honra do Brasil e com a ótima campanha que fazia no Palmeiras, seguia cavando seu lugar na Copa. Mais tarde, Parreira preferiu os garotos Ronaldo e Viola, deixando Evair e de quebra, Edmundo de fora. Fato que causou muita polêmica na época.

Ao longo da carreira, Ronaldo justificou a opção, porém Viola nem tanto, embora tenha feito história no futebol nacional com as camisas do Corinthians, Santos e Vasco da Gama.

Ficha técnica: Alemanha 2 x 1 Brasil

Alemanha
Bofo Ilgner; Buchwald, Kohler, Matthaus, Helmer e Brehme; Effenberg, Hassler e Moller; Riedle (U. Kirsten) e Klinsmann (Gaudino).
Técnico: Berti Vogts

Brasil
Ronaldo [Corinthians]; Jorginho [Bayern de Munique-ALE], Márcio Santos [Bordeaux-FRA] (Mozer) [Benfica-POR], Ricardo Gomes [PSG-FRA] e Branco [Grêmio]; Dunga [VFB Stuttgart-ALE], Zinho [Palmeiras], Raí [PSG-FRA] (Edílson) [Palmeiras] e Paulo Sérgio [Bayer Leverkusen-ALE]; Edmundo [Palmeiras] e Evair [Palmeiras] (Válber II) [Corinthians]
Técnico: Carlos Alberto Parreira

Data: 17 de novembro de 1993
Local: estádio Muengersdorfer, em Colônia, Alemanha
Competição: Amistoso
Árbitro: Jan Damgaard

Por Raoni David
—————————————————————–
A team that brougth glories later, defeated in Germany

There is no doubt that the Germans were in a better momentum than Brazil, after three World Cup finals in a row, with a title won in 1990 Germany had a great team back in the 1990’s. Brazil however dreamed with its fourth title since 1970 and had not went to the semis in any of the previous World Cups.

The tie of June in 1993 showed that there was some good years ahead for the Brazilians, but when they faced each other again in 1993, Germany won at home.

The main difference from the teams was maybe the age, Brazilians were much younger, practicaly a new team from the 1990 World Cup, wereas Germany didn’t changed that much from the winnig Beckenbauer squad to the Vogts team. Only Helmer, Effenberg, Hassler, Moller, kirsten and Gaudino were new to the Germans. Jorginho, Mozer, Ricardo Gomes, Branco and Dunga were the few remainders of the 1990 debacle.

Parreira called off several names that were having good seasons in Brazil, especialy from the great Palmeiras squad with Zinho, Evair, Edmundo and Edílson in the front. Corinthians gave the keeper Ronaldo and midfielder Váber. Branco also played in Brazil, at Grêmio at that time.

The coach had an offensive team, with only one defensive midfielder, Dunga, and five attacking midfielders, wingers and strikers, among them Raí and Paulo Sérgio. Despite of the great players in the Brazilian ofensive line, the Germans scored twice with the defender Buchwald and Moller, Evair made the Brazilian only goal and tried to keep his place to the World Cup, he eventualy got out in favor of a young Ronaldo and Viola, Parreira also kept Edmundo out of the squad, which came with hard criticism at the time. The excentric Viola played in several big clubs around Brazil, and Ronaldo, well he is the top scorer of the World Cups, enough said.

Germany 2 x 1 Brazil

Germany
Bofo Ilgner; Buchwald, Kohler, Matthaus, Helmer and Brehme; Effenberg, Hassler and Moller; Riedle (U. Kirsten) and Klinsmann (Gaudino).
Coach: Berti Vogts

Brazil
Ronaldo [Corinthians]; Jorginho [Bayern Munchen], Márcio Santos [Bordeaux] (Mozer) [Benfica], Ricardo Gomes [PSG] and Branco [Grêmio]; Dunga [VFB Stuttgart], Zinho [Palmeiras], Raí [PSG] (Edílson) [Palmeiras] and Paulo Sérgio [Bayer Leverkusen]; Edmundo [Palmeiras] and Evair [Palmeiras] (Válber II) [Corinthians]
Coach: Carlos Alberto Parreira

Date: 17th November 1993
Place: Muengersdorfer Stadium, Koln, Germany
Competition: Friendly
Referee: Jan Damgaard

Tradução de Fabricio Presilli