Brasil e Paraguai: um confronto de muitos gols… Brasileiros!

Em 20 de outubro de 1983 o Brasil enfrentou o Paraguai pelo segundo jogo da semifinal da Copa América e com o empate sem gols, o time brasileiro conseguiu a vaga para a decisão somente no sorteio. O que chama atenção na partida, porém, é o fato de a rede não ter balançado. Fato raro no histórico dos confrontos.

Isso porque em 74 jogos entre as seleções a média de gols é de 3,05 por jogo e apenas em cinco oportunidades não aconteceram gols. O Brasil, é claro, leva ampla vantagem, já que fez 165 gols e tomou apenas 61. Um saldo respeitoso de 104 gols. O artilheiro? Adivinhe…

Pelé! Maior artilheiro da história do futebol mundial, Pelé é também o maior artilheiro da história dos confrontos entre os países. Foram dez gols marcados e a pulverização do recorde anterior que era de Baltazar, o ‘Cabecinha de Ouro’. Até então, o corintiano era o grande artilheiro do confronto, com cinco gols.

Na década de 60, outro santista, Coutinho, quase se igualou ao ‘cabecinha’, mas marcou apenas quatro vezes. Somente na década de 80 alguém ultrapassaria Baltazar. Zico conseguiu a façanha ao marcar sete gols. Mais tarde, na década de 90, Bebeto entrou para a história ao marcar cinco gols.

Em uma única partida, o máximo que alguém conseguiu foi marcar três gols. O primeiro a fazê-lo foi Ademir Menezes. No segundo jogo em que marcou Pelé também conseguiu o hat trick. Assim como Paulo Pernambucano, que defendeu a seleção de seu estado, quando essa representou a nacional. Muitos anos depois, Zico repetiu a façanha. O paraguaio H. Gonzáles também marcou três vezes em uma mesma partida.

Entre os paraguaios, o mesmo que marcou pela primeira vez, é quem tem mais gols contra a seleção brasileira. Rivas fez no primeiro empate da história, em 1922 e em outras três oportunidades, e, portanto, com quatro gols, é o recordista. Neste século, quatro jogadores dividem a artilharia com dois gols: os paraguaios Roque Santa Cruz e Salvador Cabañas e os brasileiros Ronaldinho Gaúcho e Robinho.

E se o Brasil leva ampla vantagem nos gols, não poderia ser diferente no número de vitórias. Desde o primeiro jogo disputado, em 1921, foram 74 partidas e o time brasileiro saiu vencedor em 46 vezes e derrotado em 11. Dezessete partidas terminaram empatadas.

Neste período o Brasil conseguiu emplacar três enormes tabus. O primeiro entre março de 1954 até o mesmo mês de 1963. Foram 18 jogos sem perder, com 14 vitórias e quatro empates. Em seguida, entre agosto de 1969 e maio de 79, foram 11 jogos sem derrotas, com oito vitórias. Por fim, o maior tabu no que se refere ao tempo: entre outubro de 1979, e junho de 1997, ou seja, 18 anos sem derrota. Foram realizados neste período 15 jogos, e o Brasil venceu dez.

Os paraguaios também tiveram seus tabus, porém bem mais curtos. O primeiro aconteceu entre maio de 1950 e abril de 1953. Com a disputa de três jogos, houve duas vitórias paraguaias e um empate. Mais recentemente, entre agosto de 2002 e julho de 2004, o Paraguai conseguiu a sequência de três jogos sem perder, com mais duas vitórias e um empate.

Por Raoni David
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When Brazil face Paraguay you can expect a lot of goals, of Brazil!

On a 20th of October back in 1983 Brazil faced Paraguay for the second leg of the Copa America semifinal, with the goaless tie Brazil got the spot in the final only in the draw. However the weird thing about this game is the lack of goals.

In 74 matches among the two teams the goal average is 3.05 per game, and only five matches finished without scoring. Brazil scored 165 goals and suffered only 61. Pelé is the top scorer in the history of the head-to-head confrontation with 10 goals. The Corinthians legend Baltazar had five against the Paraguayans. In the 60’s Coutinho scored 4 goals, only in the 80’s someone passed Baltazar’s numbers, Zico made 7 goals and Bebeto joined with 5 goals in the 90’s.

The record for most goals in a single game is three. Ademir Menezes was the first to do it, Pelé had a hat-trick in his second game, Paulo Pernambucano and Zico also got three in a game. H. Gonzáles scored three times as well.

Rivas is the top Paraguayan scorer, with four goals back in the 1920’s. Roque Santa Cruz and Salvador Cabañas in the Paraguay side as well as Ronaldinho Gaúcho and Robinho scored two times each at this decade.

Brazil has the most wins in the head-to-head confrontation with 46 victories and only 11 defeats, seventeen games finished in a tie. Between 1654 and 1963 Brazil managed to stay 18 matches without losing to the neighbors, but the biggest Paraguayan drougth was between 1979 and 1997, 18 years without a win over Brazil. The higher number of matches Paraguay got without a defeat against Brazil was three, in the 50’s and between 2002 and 2004, always with two wins and a tie.

Tradução de Fabricio Presilli

Reedição da ‘final’ de 98 empata novamente

Mesmo tendo perdido a Copa América para o México, a Seleção Brasileira concluiu o ano de 1999 com importantes amistosos, contra fortes seleções. Comandados por Vanderlei Luxemburgo os brasileiros perderam uma e venceram outra contra os argentinos, e ainda tiveram dois empates contra o Holanda e Espanha.

Em nove de outubro de 1999, o adversário era a Holanda. Pouco mais de um ano antes, as equipes se enfrentaram pela semifinal da Copa do Mundo da França, na partida que ficou conhecida como a final antecipada da competição. Fato que não se consumou na decisão.

De todo modo, eram duas das melhores equipes do mundo na época. O Brasil ainda tinha os astros de 98, como Ronaldo, Rivaldo e Roberto Carlos, e tentava se renovar com as presenças de Roque Júnior, Vampeta, Juninho Pernambucano, Felipe e principalmente Ronaldinho Gaúcho.

Tudo isso para enfrentar uma equipe com craques como Seedorf e Bergkamp, que tinham a companhia dos matadores Kluivert e o jovem Van Nistelrooy, o rápido ponta-esquerda Zenden, além de Ronald de Boer, improvisado na lateral-direita e do ótimo goleiro Van der Sar. Ainda ficaram de fora jogadores como Cocu, Frank de Boer, Davids e Overmars.

Apesar de contar com dois meias com bons chutes – Rivaldo e Felipe – além de dois matadores – Ronaldo e Élber – o Brasil acabou contando com os laterais para marcar. Cafu e Roberto Carlos foram os que balançaram a rede de Van der Sar. Os comandados de Frank Rijkaard chegaram aos seus gols com Zenden e o craque Bergkamp. Dida, em ótima fase, ainda pegou um pênalti.

Na mesma data, em solo brasileiro, mais precisamente na cidade do Rio de Janeiro falecia o poeta e diplomata brasileiro, João Cabral de Melo Neto. Autor de ‘Morte e vida Severina’ entre outras obras, o pernambucano faleceu aos 79 anos e torcia pelo América do Rio.

Ficha técnica: Holanda 2×2 Brasil

Holanda
Van der Sar; Ronald de Boer, Bogard, Konterman e Van Bronckhorst; Van Hintum, Winter (Van Gastel) e Seedorf; Zenden (Van Vossen), Bergkamp (Van Nistelrooy) e Kluivert.
Técnico: Frank Rijkaard.

Brasil
Dida [Corinthians]; Cafu [Roma-ITA], Antônio Carlos [Roma-ITA], Roque Júnior [Palmeiras] e Roberto Carlos [Real Madrid-ESP]; Émerson [Bayer Leverkusen-ALE], Vampeta [Corinthians] (Juninho Pernambucano) [Vasco], Felipe [Vasco] (Ronaldinho Gaúcho) [Grêmio] e Rivaldo [Barcelona-ESP]; Ronaldo [Internazionale-ITA] (Marcos Assunção) [Roma-ITA] e Élber [Bayern Munique-ALE] (Sávio) [Real Madrid-ESP]
Técnico: Vanderlei Luxemburgo.

Data: 09 de outubro de 1999
Competição: Amistoso oficial
Local: Amsterdam Arena, em Amsterdam
Árbitro: Markus Merk

Por Raoni David

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Replay of 98 antecipated final, drawn all over again

After losing the Copa América to México, the Seleção finished 1999 with some major friendlies. Coached by Valderlei Luxemburgo the brazilians had a win and a loss against rivals Argentina, and two draws against dutch and spaniards.

On octobert 09th 1999 they would face Netherlands again. Over a year before the two powerhouses faced each other in the 1998 World Cup semifinal match, a game known then as an antecipated final. As we know this fact would not be fulfilled at the final game.

Anyway, those were two of the best teams in the world at that time. Brazil could rely on its 1998 stars such as Ronaldo, Rivaldo and Roberto Carlos and tried some fresh faces as Roque Júnior, Vampeta, Juninho Pernambucano and Felipe, but most of all Ronaldinho Gaúcho.

All this power to face a squad with players like Seedorf and Bergkamp, that kept company of the strikers Kluivert and the young Van Nistelrooy, the fast winger Zenden, besides Ronald de Boer improvised on the right back and the great goalie Van der Sar. They left out of that game players such as Cocu, Frank de Boer, Davids and Overmars.

Altougth Brazil could count on their midfielders Rivaldo and Felipe, or on the strikers Ronaldo and Élber to score, the backs Cafu and Roberto Carlos eventually stepped up to put up one a piece. Netherlands scored with Zenden and the great Bergkamp. Dida was in a good moment and stopped a penalty kick.

On a side note, that same day in Rio de Janeiro passed away the great poet João Cabral de Melo Neto, author of “Morte e Vida Severina”, among others. He was 79 and supported América from Rio.

Netherlands 2×2 Brazil

Netherlands
Van der Sar; Ronald de Boer, Bogard, Konterman and Van Bronckhorst; Van Hintum, Winter (Van Gastel) and Seedorf; Zenden (Van Vossen), Bergkamp (Van Nistelrooy) and Kluivert.
Coach: Frank Rijkaard.

Brazil
Dida [Corinthians]; Cafu [Roma], Antônio Carlos [Roma], Roque Júnior [Palmeiras] and Roberto Carlos [Real Madrid]; Émerson [Bayer Leverkusen], Vampeta [Corinthians] (Juninho Pernambucano) [Vasco], Felipe [Vasco] (Ronaldinho Gaúcho) [Grêmio] and Rivaldo [Barcelona]; Ronaldo [Internazionale] (Marcos Assunção) [Roma] and Élber [Bayern Müchen] (Sávio) [Real Madrid]
Coach: Vanderlei Luxemburgo.

Date: 09th october 1999
Competition: Friendly
Place: Amsterdam Arena, Amsterdam
Referee: Markus Merk

Tradução de Fabricio Presilli