Oito santistas representam a seleção que derrota a Alemanha

Pouco menos de um ano depois de conquistar o bicampeonato mundial na Copa do Mundo no Chile e antes de o Santos fazer o mesmo, a Seleção Brasileira, sob o comando de Aymoré Moreira, enfrentou no dia cinco de maio a Alemanha Ocidental, em Hamburgo e venceu por 2 a 1, com gols dos santistas Coutinho e Pelé.

Gols de santistas nestes jogos, aliás, era o mais óbvio de se acontecer. O treinador brasileiro convocou neste dia nada mais nada menos que oito jogadores que vinha da Vila Belmiro. Muitos deles, como o goleiro Gilmar, o volante e capitão Zito, Pelé e Pepe, eram bicampeões com a seleção. Mengálvio e Coutinho estavam no time de 1962, Lima ainda não havia ido à uma Copa, o que faria três anos depois, e Dorval jamais teve a oportunidade.

De todo modo é impressionante a quantidade de jogadores de uma única equipe, sem que houvesse qualquer coisa combinada, ou seja, Aymoré Moreira simplesmente convocou para a partida na Alemanha, o que achou que fosse melhor no momento.

E o melhor, para aquele dia, estava mesmo em São Paulo. Além de Gilmar no gol, e Lima na lateral, a defesa era formada por outros dois paulistas: Eduardo, do Corinthians e Roberto Dias, do São Paulo no miolo. Na lateral-esquerda o único fora do estado: Rildo, do Botafogo, o outro grande time da época.

Na linha de frente, claro, os santistas. Zito ainda fazendo parte mais da defesa que do ataque. E o famoso melhor ataque de todos os tempos: Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe.

Dos outros brasileiros, os não-santistas, apenas o lateral-esquerdo Rildo, disputaria uma Copa do Mundo, a de 1966, com a camisa 9, mas na época, sem jogar no Botafogo, e sim, no Santos. Eduardo e Roberto Dias, a dupla de zaga neste dia, jamais foram a um mundial.

Campeã nove anos antes e onze anos depois, a Alemanha vivia exatamente um momento de entre safra no seu futebol. Tanto que neste time, não havia nenhum campeão mundial. Isso não quer dizer que fosse um time fraco, pois já começava a ser montado o time que disputaria a final da Copa do Mundo de 1966 contra a Inglaterra. Schnelinger, Schulz e Seeler, perderam para o Brasil, e a final do mundial, mais tarde.

O primeiro tempo terminou com os donos da casa em vantagem, já que Jurgen Werner abriu o marcador aos 32 minutos. Entrosada, a dupla de ataque santista funcionou na segunda etapa. Aos 14 minutos, o menos badalado da dupla, Coutinho empatou a partida. E aos 27, o Rei Pelé deixou a sua marca para derrotar o futuro vice-campeão mundial da Copa em que o Brasil passaria um dos maiores vexames da história.

Ficha técnica: Alemanha Ocidental 1 x 2 Brasil

Alemanha Ocidental: Fahrian, Novak, Schnelinger, Wildenx – Schulz, Werner – Heiss, Schuetz, Seeler, Konietzka (Strehl), Doerfeu.
Técnico: Josef “Sepp” Herberger.

Brasil: Gilmar I [Santos]; Lima [Santos], Eduardo I [Corinthians], Roberto Dias [São Paulo] e Rildo [Botafogo]; Zito [Santos] e Mengálvio [Santos]; Dorval [Santos], Coutinho [Santos], Pelé [Santos] e Pepe [Santos].
Técnico: Aymoré Moreira.

Data: 5 de maio de 1963.
Competição: Amistoso.
Local: Volksparkstadion, em Hamburgo, na Alemanha.
Público: 76.400 pagantes.
Árbitro: Dientz Gottfried (Suíça).
Gols: Werner aos 32′ do 1ºT; Coutinho aos 14 e Pelé aos 27′ do 2ºT.

Por Raoni David
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Brazil defeats West Germany in 1963

A year after winning its second consecutive world title in Chile, and just before Santos FC second title, the national team, under coach Aymoré Moreira, faced off West Germany in Hamburg, winning 2 to 1 with goals from Santos stellar duo Coutinho and Pelé. Santos formed the backbone of the Seleção back then, with eigth players in the initial roster, from world champions Gilmar, Zito, Pepe and Pelé to Lima and Dorval.

Besides the Santos crowd the team had Eduardo from Corinthians and Roberto Dias from São Paulo in the back and Rildo, that played in Botafogo, at the left tackle.

The germans wee in between two great eras, however that team proved to be really good with a runner-up spot in 1966 in England.
Werner opened the score at the first half, but the Santoduo tied in the second hald, giving Brazil a win on the road.

West Germany 1 x 2 Brazil

West Germany: Fahrian, Novak, Schnelinger, Wildenx – Schulz, Werner – Heiss, Schuetz, Seeler, Konietzka (Strehl), Doerfeu.
Coach: Josef “Sepp” Herberger.

Brazil: Gilmar I [Santos]; Lima [Santos], Eduardo I [Corinthians], Roberto Dias [São Paulo] and Rildo [Botafogo]; Zito [Santos] and Mengálvio [Santos]; Dorval [Santos], Coutinho [Santos], Pelé [Santos] and Pepe [Santos].
Coach: Aymoré Moreira.

Date: May 5th, 1963.
Competition: Friendly
Place: Volksparkstadion, Hamburg, West Germany.
Attendance: 76.400
Referee: Dientz Gottfried (Switzerland).
Goals: Werner 32′; Coutinho 59′ and Pelé 72′.

Tradução de Fabricio Presilli

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Dunga é o cara!

Dunga é o cara! Não é provocação, é sério. Foi subestimado quando jogador por toda imprensa e opinião pública, dando seu nome como apelido para uma fase horrível da Seleção Brasileira. ‘Era-Dunga’. Assim ficou conhecido o período em que o aguerrido volante usou a amarelinha.

Mas junto com ele, geralmente, tinha mais um volante e outros três zagueiros. Enquanto isso, craques como Careca, Renato Gaúcho, Bebeto e Romário, viviam no banco de reservas. Deste jeito não tinha seleção que encantasse. Mas a culpa era dele, Dunga!

Chegou a Copa de 94 e sem tantos craques, mas com menos zagueiros, o Brasil conquistou o tetracampeonato, que era esperado há trinta anos, e nomes como Ademir da Guia, Zico e Sócrates não conseguiram conquistar. Dunga conquistou, e como capitão ergueu a taça. E durante a competição, mostrou que não era tão ruim assim com lançamento para gol e cobrança de pênalti na decisão contra Itália.

Em 1998, nova reviravolta, mas desta vez, não era Dunga quem estava no olho do furacão, e sim, Ronaldo. Sobre o capitão, o que diziam, fazia referência à uma possível discussão com Leonardo no vestiário da partida contra a França, fato que explicaria a aparente apatia do sempre guerreiro camisa 8. Enfim, Dunga parecia encerrar sua carreira na seleção por cima. Campeão em 94 e ileso do vexame de 98.

Mas este não era o fim. E Dunga voltou, para iniciar a carreira como técnico. O fato gerou críticas. Como era possível, alguém iniciar a carreira como técnico no cargo mais concorrido por todos os outros. E lá ia Dunga, para mais uma fase de críticas, talvez até mais ácidas que na época de jogador.

Mas Dunga não aceitaria o cargo à toa. Sabia do que era capaz e aos poucos, deu sua cara ao time brasileiro, que passou a jogar com raça, vontade, boa estrutura tática (parecida com as de 94 e 98, é verdade), mas bem definida. Com isso, o futebol brasileiro reapareceu na camisa que o torcedor se acostumou a ver jogadores já consagrados, se arrastarem em campo.

E assim se fez, nova torcida pela seleção! Parabéns Dunga!

Por Raoni David
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Dunga is the MAN!

Dunga is the man! No, I am being serious, it is not a joke. When he played nobody believed he had what it takes to play in the Seleção, Dunga even became a reference of a bad phase for the team, the “Dunga Era”. This nickname is often used to remember the years that the strong full back worn the famous yellow one.

Often Dunga played with another back, plus other three defenders, and left players like Careca, Bebeto, Renato Gaúcho and even Romário benched. With a roster like that there was no way a team could ever bring a class act, and the brazilians select Dunga to blame for the team poor play.

So it arrived 1994, and without so many great players to rely on, and with fewer backs than previous years, the Seleção finally won the fouth title that was due for almost thirty years. Leaving legends such as Ademir da Guia, Zico and Sócrates without a World Cup trophy. Dunga earned and as team captain raised the gold, during the competition he showed his evolution as a player, giving assistants and even scoring a penalty kick during the final decider.

Another turn around came in 1998, but this time Dunga was not in the center of it all, it was Ronaldo´s time. About the capitain it is said that he had an argument with Leonardo in the locker room that could explain his poor performance in the final against the french. Those were what we believed to be his last years in the Seleção.

To prove the world was wrong Dunga came back, starting a coaching carreer from the top. Critics said that nobody could ever had a first gig on a coaching position in the most wanted teams of all, and again Dunga received a hard dose of criticism and again had to prove everybody was wrong.

He knew what he is capable of, game by game he gave his flavour to the team, grit and spirit, a good tactical structure (similar to those in 94 and 98 in fact), but well defined. Now the yellow shirt is back with great players, sometimes failing to give their best, but improving with time.

Because of him a new kind of cheering was born, congrats Dunga!

Tradução de Fabricio Presilli