No longínquo 1920, Brasil sofria a maior goleada da história para o Uruguai

Imaginem a situação: ataque do Uruguai contra o Brasil, no Chile, pela Copa América e Forlan abre o placar aos 24 minutos do primeiro tempo. Lugano amplia aos 38 e Luiz Suarez aos 44 fecha o primeiro tempo em 3 a 0. Na segunda etapa, logo aos 4 minutos Forlan marca de novo, Suarez amplia ainda aos 9 e Loco Abreu fecha o histórico 6 a 0 aos 16 minutos do segundo tempo.

Os personagens não eram os mesmos, mas em 18 de setembro de 1920, o Brasil sofreu a sua maior goleada diante do Uruguai na disputa do Campeonato Sul-Americano, que mais tarde se tornaria a Copa América. Aquela edição fora disputada no Chile e se serve de consolo, foi vencida justamente pelo Uruguai.

O Brasil chegava à competição credenciado pelo título conquistado no ano anterior, em casa, mas novamente foi vítima da politicagem que e da disputa entre paulistas e cariocas, que deixou a equipe fraca para a disputa. O resultado foi apenas uma vitória magra contra o Chile e apenas o terceiro lugar na competição.

A única vitória se deu na primeira rodada e o empate entre Argentina e Uruguai colocou o Brasil na liderança com dois pontos, contra um dos rivais que empataram. Mas, o time esvaziado com relação ao ano passado – Marcos, Píndaro, Amílcar, Neco, Heitor, Arnaldo e principalmente Friedenreich -, não estavam na equipe.

Em vez desta turma, bastante democrática quanto ao estado em que jogavam, o Brasil foi representado em sua maioria, mais uma vez, por cariocas. Apenas dois jogadores do Santos e um do Brasil do Rio Grande do Sul, apareciam entre os 17 convocados.

O Flamengo, que conquistaria o título carioca daquele ano em dezembro, era a base do time com sete jogadores, seguido pelo Fluminense, vice-campeão, com três. América, terceiro colocado, Andaraí, quinto, Bangu, sexto e São Cristovão, sétimo, tinham um representante cada.

Kuntz, Telefone, Japonês, Sisson e Junqueira, foram alguns dos principais jogadores no título flamenguista – sendo Junqueira o artilheiro da equipe com 15 gols em 17 jogos na competição -, que estiveram em campo na sofrida goleada.

Assim, Romano abriu o placar aos 24 minutos do primeiro tempo. Urdinaran ampliou aos 38 e Pascual Somma aos 44 fechou o placar no primeiro tempo em 3 a 0. Na segunda etapa, logo aos 4 minutos Romano marcou de novo, Somma ampliou ainda aos 9 e José Perez fechou o histórico 6 a 0 aos 16 minutos do segundo tempo.

Ficha técnica
Brasil 0x6 Uruguai

Data: 18/09/1920
Competição: Campeonato Sul-Americano
Local: Campo do Sporting Club
Cidade: Viña del Mar, em Valparaíso, Chile
Público: 16 mil pagantes
Árbitro: Carlos Fanta (Chile)
Gols: Angel Romano 24’, Urdinaran 38’ e Pascual Somma 44’ do 1ºT; Angel Romano 4’, Pascual Somma 9’ e José Perez 16’ do 2ºT.

Brasil: Kuntz [Flamengo]; Martins [São Cristóvão] e Telefone [Flamengo]; Japonês [Flamengo],
Sisson [Flamengo] e Fortes [Fluminense]; De Maria [Andaraí], Zezé [Fluminense], Castelhano [Santos], Junqueira [Flamengo] e Alvarizza [Brasil-RS].
Técnico: Oswaldo Gomes.

Uruguai: Legnazzi [Peñarol], Urdinarán [Nacional] e Foglino [Nacional]; Ruotta [Peñarol], Alfredo Zibecchi [Nacional] e Ravera [Peñarol]; Somma [Nacional], Pérez [Peñarol], Piendibene [Peñarol], Romano [Nacional], Campolo [Peñarol].
Técnico: Ernesto Fígoli.

Por Raoni David

At this day in 1920, Brazil suffer its biggest blowout to Uruguay

Imagine the following scenario: Uruguay playing Brazil at the Copa América and scoring goal after goal, without a proper reply from the Brazilians. The final score showing 6 goals to the Uruguayans and none to the Brazilians, a result of historic proportions you might think.

The players involved might not but the same but the result really happened, in 1920, during the South American Championship played in Chile.

Brazil arrived at the final stage of the competition as the title holder. Political problems between federations of São Paulo and Rio de Janeiro caused a weak team to travel to the Championship, something that was usual at that time.

The Brazilians managed to get only one win in Chile, against the home team. A draw between Argentina and Uruguay helped Brazil and staged a derby at the semis. The Seleção was weakened from the team that won the title the year before, without big names such as Amílcar, Neco, Heitor and Friedenreich. Instead of the best cast, Brazil brought only players from Rio de Janeiro. Just two guys from Santos and one player from the south made the team. Flamengo formed the base of the Seleção, with seven players. Three of them came from Fluminense and four teams had one guy each.

Kuntz, Telefone, Japonês, Sisson and Junqueira were some of Flamengo’s players that won the local Championship later that year. Junqueira was the best scorer with 15 goals in 17 matches.

Uruguayan Romano scored the first goal and Urdinaran doubled the score at the 38th minute. Somma made three nothing just before the intermission. The Uruguayans kept the rhythm at the second half, scoring three more goals and finishing with a historic result that has no match to this day.

Brazil 0x6 Uruguay

Date: 18/09/1920
Competition: South American Championship
Place: Sporting Club Field
City: Viña del Mar, Chile
Attendance: 16,000
Referee: Carlos Fanta (Chile)
Goals: Angel Romano 24’, Urdinaran 38’, Pascual Somma 44’, Angel Romano 49’, Pascual Somma 54’ and José Perez 61’.

Brazil: Kuntz [Flamengo]; Martins [São Cristóvão] and Telefone [Flamengo]; Japonês [Flamengo], Sisson [Flamengo] and Fortes [Fluminense]; De Maria [Andaraí], Zezé [Fluminense], Castelhano [Santos], Junqueira [Flamengo] and Alvarizza [Brasil-RS].
Coach: Oswaldo Gomes.

Uruguay: Legnazzi [Peñarol], Urdinarán [Nacional] and Foglino [Nacional]; Ruotta [Peñarol], Alfredo Zibecchi [Nacional] and Ravera [Peñarol]; Somma [Nacional], Pérez [Peñarol], Piendibene [Peñarol], Romano [Nacional], Campolo [Peñarol].
Coach: Ernesto Fígoli.

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Maracanazzo? Ainda não! Brasil vence o desfigurado Uruguai em 1946

Sem a disputa de uma Copa do Mundo em função das Guerras, a década de 1940 pode ser considerada a mais vazia do futebol mundial, o que deixa uma lacuna sobre qual a melhor seleção do mundo neste período? Há quem diga que seja a Argentina, e pode ser que estejam certos. Mas certo mesmo, é que o Brasil tinha uma seleção, no mínimo, respeitável.

Já superados os rachas entre cariocas e paulistas e com o surgimento de uma nova geração extremamente talentosa, o Brasil entrou em campo no dia 23 de janeiro de 1946, para enfrentar o Uruguai, com nove, dos 14 jogadores de time do Rio de Janeiro, outros quatro de São Paulo e um do Rio Grande do Sul.

Tesourinha, atacante do Internacional fez parte de um dos maiores times da história do futebol gaúcho e brasileiro. Formado por jogadores descobertos na chamada ‘liga da canela preta’, o rolo compressor colorado quebrou o preconceito com os negros e de quebra, abriu espaço para os jogadores do sul na seleção brasileira.

Além do craque do Internacional, formavam a forte linha de frente brasileira ainda os ícones Zizinho, Heleno de Freitas, Jair Rosa Pinto e Chico. Boa parte dos que estiveram na Copa do Mundo de 1950. Artilheiro da Copa no Brasil, Ademir de Menezes entrou na vaga de Jair durante o jogo.

Na defesa, o time comandado por Flávio Costa tinha ainda dois grandes nomes como Zezé Procópio, e Rui, do trio que ficou famoso com a camisa do São Paulo: Rui-Bauer-Noronha.

Ídolo de Vasco, Palmeiras e Santos, o canhoto Jair foi quem abriu o placar logo aos quatro minutos de jogo e ainda ampliou o placar aos 16 minutos no estádio El Viéjo Gasômetro, em Buenos Aires. O uruguaio Medina diminuiu o placar aos 24 minutos e Vásquez chegou a empatar a partida, aos 37.

Outro lendário jogador brasileiro se encarregaria de recolocar o Brasil à frente: Heleno de Freitas, histórico goleador do Botafogo marcou o terceiro gol brasileiro aos 39 minutos. A tranqüilidade se avizinhou à Seleção Brasileira quando o ponta-esquerda Chico marcou mais um, aos 44 minutos.

Já na etapa final, José Maria Medina marcou mais uma vez, aos 25 minutos, dando números finais ao empolgante 4 a 3 para o Brasil diante do eterno rival, campeão do Mundo em 1930 e que poucos anos mais tarde, seria algoz dos brasileiros no que ficou conhecido como ‘Maracanazzo’.

Em campo pela seleção celeste, porém, estavam somente o goleiro Maspoli, o líder Obdulio Varela e o atacante Juan Alberto Schiaffino. Nem mesmo o treinador era o mesmo. Aníbal Tejada perdeu lugar para Juan López à beira do gramado na final da Copa.

Com três vitórias, um empate e uma derrota, o Brasil terminara a competição na segunda colocação, com a Argentina ostentando o título com 100% de aproveitamento.

Ficha técnica

Data: 23 de janeiro de 1946
Competição: Campeonato Sul-Americano
Local: Estádio El Viéjo Gasômetro, em Buenos Aires, Argentina
Público: 40 mil pagantes
Árbitro: Cayetano de Nicola (Paraguai)
Gols: Jair 4 e 16’, Medina 24, Vázquez 37, Heleno de Freitas 39 e Chico, 44’ do 1º tempo; Medina 25’ do 2º tempo.

Brasil: Ari [Botafogo]; Newton [Flamengo] e Norival [Flamengo]; Zezé Procópio [Palmeiras], Rui [São Paulo] e Jaime [Flamengo] (Aleixo) [Corinthians]; Tesourinha [Internacional], Zizinho [Flamengo], Heleno de Freitas [Botafogo], Jair R. Pinto [Vasco] (Ademir Menezes) [Vasco] e Chico [Vasco] (Eduardo Lima) [Palmeiras].
Técnico: Flávio Costa.

Uruguai: Maspoli; Pini, Tejera; Sabatel, Obdulio Varella e Prais (Cajiga); Volpi, Medina, Raúl Schiaffino (García), Vasquez e Zapirain.
Técnico: Aníbal Tejada.

Por Raoni David
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Brazil gets a win over Uruguay at the South American Championship in 1946

Without any world Cup due to the Second World War, the debate about the best team of the 1940’s is always hot. Argentina is constantly mentioned but Brazil had a respectable team as well.

With the disputes of Rio and São Paulo solved and counting on a very talented generation, Brazil walked at the pitch on January 23rd of 1946 to face Uruguay with 9 players from Rio, four that played in São Paulo and one from Rio Grande do Sul.

Internacional forward Tesourinha is in the history books of his club and the national team. He was one of the first black players in Brazil, a Discovery by the Southern club that changed the history of the national team as well. Besides Tesourinha, the Brazilian forwards were Zizinho, Heleno de Freitas, Jair da Rosa Pinto and Chico, a very good squad. Ademir de Menezes replaced Jair during the match.

Other two greats of the Brazilian history formed the defense, Zezé Procópio and Rui. Hey also formed the backbone of São Paulo with Bauer.

Jair opened the score and doubled it before the 20th minute. Two goals by Uruguayans Medina and Vázquez tied the match at the 37th. Brazilian legend Heleno de Freitas gave Brazil the lead again at the 39th and left forward Chico made 4 to 2 just before the halftime. José Maria Medina made the game’s last goal at the 70th, giving the game a remarkable score of 4 to 3.

The Uruguayans already had some leaders of the team that would give Brazil its most painful defeat. Goalie Maspoli, Obdulio Varela and forward Juan Alberto Schiaffino. However the coach Aníbal Tejada lost his place to Juan López by 1950.

With three wins and a defeat, Brazil would finish the South-American at the second place. Argentina was undefeated and got the title.

Date: January 23rd, 1946
Competition: South-American Championship
Place: El Viéjo Gasômetro Stadium, Buenos Aires, Argentina
Attendance: 40.000
Referee: Cayetano de Nicola (Paraguay)
Goals: Jair 4’ and 16’, Medina 24’, Vázquez 37’, Heleno de Freitas 39’, Chico, 44’ and Medina 70’.

Brazil: Ari [Botafogo]; Newton [Flamengo] and Norival [Flamengo]; Zezé Procópio [Palmeiras], Rui [São Paulo] and Jaime [Flamengo] (Aleixo) [Corinthians]; Tesourinha [Internacional], Zizinho [Flamengo], Heleno de Freitas [Botafogo], Jair R. Pinto [Vasco] (Ademir Menezes) [Vasco] and Chico [Vasco] (Eduardo Lima) [Palmeiras].
Coach: Flávio Costa.

Uruguay: Maspoli; Pini, Tejera; Sabatel, Obdulio Varella and Prais (Cajiga); Volpi, Medina, Raúl Schiaffino (García), Vasquez and Zapirain.
Coach: Aníbal Tejada.

Tradução de Fabricio Presilli

Em partida emocionante, Ronaldo salva o Brasil de vexame em casa

Era só o começo das Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2006, mas o Uruguai parecia querer garantir a vaga já na quarta rodada. Tanto é, que no dia 19 de novembro a Celeste Olímpica enfrentaria o Brasil em Curitiba e o treinador Juan Carrasco escalou três atacantes, com Hornos, Zalayeta e Forlan. E ainda tinha o meia-armador Liguera no meio de campo.

O Brasil de Carlos Alberto Parreira já tinha boa parte do time que iria para a Alemanha três anos depois, e entrava em campo com muito mais cautela, e também mais qualidade. O ataque era formado por Rivaldo e Ronaldo, o novato Kaká vinha de trás, apoiado ainda por Zé Roberto.

No duelo do desespero (desmedido) uruguaio e do equilíbrio tático brasileiro, os visitantes começaram melhores, marcando a saída de bola brasileira e assustando. Ao mesmo tempo, dava espaço para os contra ataques, e aí morava um grande perigo. Após a pressão inicial uruguaia, o Brasil passou a atacar mais e abriu o placar aos 20 minutos, com Kaká, de joelho.
Oito minutos mais tarde, Zé Roberto deu belo passe, e Ronaldo marcou um gol histórico: o seu 50º com a camisa da Seleção Brasileira.

Ainda no primeiro tempo, o Brasil perdeu oportunidades de golear o corajoso Uruguai que estava dominado, certo? Errado. Logo aos 11 minutos do segundo tempo Forlan diminuiu e recolocou a Celeste no jogo. O gol de empate ainda demorou para sair, mas veio aos 30, de novo com Forlan. Para piorar a situação, dois minutos mais tarde o volante Gilberto Silva desviou uma cobrança de falta contra o próprio patrimônio: 3 a 2 Uruguai.

Agora era o poder de reação do Brasil que estava em xeque, e o pior, o time de Parreira tinha poucos minutos para evitar a primeira derrota em solo brasileiro na disputa das Eliminatórias. Além disso, a última vez que o Brasil perdera uma partida oficial em casa foi em 1975, para o Peru.

Agora o desesperado Parreira lançou mão de Luis Fabiano e Juninho Pernambucano, mas quem decidiu mesmo foi Ronaldo, que aos 41 minutos recebeu e bateu cruzado, vencendo o goleiro Múnua e decretando emocionante empate por 3 a 3. No final das eliminatórias o desespero uruguaio se justificou, já que a equipe deixou de ir para mais uma Copa.

O Brasil, é claro, foi. E dos 14 jogadores que entraram em campo neste dia, apenas seis não estiveram lá: o zagueiro Roque Júnior, o lateral-esquerdo Júnior, o volante Renato, o meia Alex e os atacantes Luís Fabiano e Rivaldo.

Ficha técnica: Brasil 3 x 3 Uruguai

Brasil
Dida; Cafu, Lúcio, Roque Júnior e Júnior; Gilberto Silva, Renato (Juninho Pernambucano), Zé Roberto e Kaká (Alex); Rivaldo e Ronaldo.
Técnico: Carlos Alberto Parreira

Uruguai
Múnua; Romero (Recoba), Bizera, Lopez e Lago; Sosa, Abeijón e Liguera; Hornos, Zalayeta e Forlan.
Técnico: Juan Ramon Carrasco

Data: 19 de novembro de 2003
Local: estádio Pinheirão, em Curitiba
Competição: Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2006
Árbitro: Horácio Elizondo

Por Raoni David
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Ronaldo saves Brazil in a thriller

Back in 2003 the national teams of South America were starting the race to the 2006 World Cup in Germany. Uruguay saw a chance to beat Brazil in Curitiba and the coach Juan Carrasco chose three forwards for the match, Hornos, Zalayeta and Forlan, and Liguera coming from behind.

Coach Carlos Alberto Parreira already had almost the entire team that went to Germany three years later, Rivaldo and Ronaldo were in the front, backed up by a young Kaká and Zé Roberto in the midfield.

The Uruguayans were attacking hard at the begginig of the game, leaving Brazil with dangerous counter attacks, after the initial minutes Brazil managed to get in front with a goal from Kaká. Before the end of the first half Ronaldo doubled it, scoring his 50º goal for the Seleção.

Uruguay came back in the second hald scoring rigth away with Forlan, he tied with 15 minutes to go from regulation, and Gilberto Silva scored an own goal two minutes later, giving to Urguay the lead.

A desperate Parreira flooded his team with forwards for the last minutes, but Ronaldo, always him, tied the match again and gave final numbers to the game.

Uruguay could not get a spot in the 2006 World Cup, despite of the good team they had back then. Brazil went to Germany with 14 players that were in Curitiba in 2003, missing only Roque Júnior, lefty Júnior, defensive midfielder Renato, playmaker Alex and forwards Luís Fabiano and Rivaldo.

Brazil 3 x 3 Uruguay

Brazil
Dida; Cafu, Lúcio, Roque Júnior and Júnior; Gilberto Silva, Renato (Juninho Pernambucano), Zé Roberto and Kaká (Alex); Rivaldo and Ronaldo.
Coach: Carlos Alberto Parreira

Uruguay
Múnua; Romero (Recoba), Bizera, Lopez and Lago; Sosa, Abeijón and Liguera; Hornos, Zalayeta and Forlan.
Coach: Juan Ramon Carrasco

Date: 19th November 2003
Place: Pinheirão Stadium, Curitiba
Competition: Qualifiers to the 2006 World Cup
Referee: Horácio Elizondo

Tradução de Fabricio Presilli

Na Bahia, Brasil deixa escapar título da Copa América de 83

O último título de expressão do Brasil havia sido a Copa do Mundo de 70, e já se passavam 13 anos deste feito. Desde então perdemos de uma Holanda irresistível a Copa de 74, para a ditadura argentina a de 78 e para o atacante Paolo Rossi a de 82. Mas os jejum em Copas era pequeno se comparado aos 40 anos sem vencer a Copa América.

Entre o título de 70, e a decisão da Copa América de 1983, em 04 de novembro, foram disputadas apenas duas edições do torneio continental, e o Brasil ficou em terceiro em 75 e 79. A última vez que esteve em uma decisão foi em 63, quando foi derrotado pela Argentina com um time que em nada lembrava o campeão do mundo, um ano antes.

Na Fonte Nova, sem nenhum jogador de times baianos, naquela sexta-feira, o Brasil tinha a chance de mudar essa história de fracassos, que inclusive marcou essa geração de jogadores exuberantes, de um futebol vistoso, mas que pouco conquistaram. Quanto a isso, a Copa de 82 é emblemática.

Após vencer em casa por 2 a 0 uma semana antes, a seleção uruguaia comandada em campo pelo craque Enzo Francescoli, precisava apenas de um empate para garantir o título. Ao Brasil, cabia uma vitória no tempo normal e outra na prorrogação.

E por alguns instantes o time comandado por Carlos Alberto Parreira deu pinta de que faria a festa do povo baiano com a conquista. O rápido meia Jorginho Putinatti abriu o placar logo aos 23 minutos. O atleta revelado pelo Marília e que atuava pelo Palmeiras à época, marcou apenas dois gols em seus 17 jogos com a camisa da seleção. Um deles poderia entrar para a história…

Mas não entrou. Na verdade passou despercebido diante do empate uruguaio. Já na parte final do jogo, aos 30 minutos do segundo tempo o atacante Carlos Aguilera, revelado pelo River Plate de Montevidéu, mas que já atuava pelo grande Nacional, marcou o gol do título.

O Brasil ainda passaria em branco por mais uma Copa América, quando em 87 foi simplesmente humilhado pela seleção chilena na Argentina numa derrota por 4 a 0. Dois anos mais tarde, porém, o jejum findaria. Mas estes são assuntos para outros posts…

Ficha técnica: Brasil 1 x 1 Uruguai

Brasil
Leão [Corinthians]; Paulo Roberto [Grêmio], Márcio Rossini [Santos], Mozer [Flamengo] e Júnior I [Flamengo]; China [Grêmio], Jorginho II [Palmeiras], Sócrates [Corinthians] e Tita [Flamengo] (Renato Gaúcho) [Grêmio]; Roberto Dinamite [Vasco] (Careca I) [São Paulo]
Éder Aleixo [Atlético-MG]
Técnico: Carlos Alberto Parreira

Uruguai
Rodolfo Rodríguez; Diogo, Gutierrez, Acevedo e Washington González; Agresta, Barrios e Francescoli; Aguilera (Bossio), Cabrera e Acosta (Venancio Ramos)
Técnico: Omar Borras

Data: 04 de novembro de 1983
Competição: Copa América
Local: Estádio da Fonte Nova, em Salvador
Árbitro: Edson Perez

Por Raoni David
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Playing at home, Brazil lost a title in 1983

Brazil’s supporters were starting to forget the feeling of winning in 1983, with the World Cup 13 years away, and a series of defeats in the main competition, Brazilians were confident the drought in South America, that lasted 40 years, would end that year.

In the only two Copa América disputed in the 70’s, Brazilians came in third in 1975 and 1979, the last time Brazil made to the final game was in 1963, defeated by Argentina. Playing in Bahia without anyone from local teams in the Seleção, that friday really could enter the history books and change a generation filled with failures.

The Uruguayans and their main player, Enzo Francescoli, won 2 to 0 at home one week earlier, needed a tie to win the title, Brazil had to win in regular time and again in overtime to keep the title.

Under coach Parreira, the team had a good start with a goal from Jorginho Putinatti, one of his two goals with the Selação, but Uruguay tied in the second half with Carlos Aguilera, a forward that played in Naciona back home.

Brazil would have to wait until 1989 to win a Copa América, playing at home, but that is a subject for another post.

Brazil 1 x 1 Uruguay

Brazil
Leão [Corinthians]; Paulo Roberto [Grêmio], Márcio Rossini [Santos], Mozer [Flamengo] and Júnior I [Flamengo]; China [Grêmio], Jorginho II [Palmeiras], Sócrates [Corinthians] and Tita [Flamengo] (Renato Gaúcho) [Grêmio]; Roberto Dinamite [Vasco] (Careca I) [São Paulo] Éder Aleixo [Atlético-MG].
Coach: Carlos Alberto Parreira

Uruguay
Rodolfo Rodríguez; Diogo, Gutierrez, Acevedo and Washington González; Agresta, Barrios and Francescoli; Aguilera (Bossio), Cabrera and Acosta (Venancio Ramos).
Coach: Omar Borras

Date: 04th November 1983
Competition: Copa América
Place: Fonte Nova Stadium, Salvador
Referee: Edson Perez

Tradução de Fabricio Presilli